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Lyles não se cansa de recordes e Claye volta a voar

Pedro Pires · 6 min

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Decorreu neste sábado o meeting de Paris, o último meeting Diamond League antes das duas finais (Zurique e Bruxelas) que se disputam nas próximas duas semanas. O meeting serviu como última possibilidade de qualificação para muitos atletas, mas foram aqueles que já tinham presença garantida nas finais que brilharam, mostrando estar já numa grande forma a pouco mais de um mês do início dos Mundiais de Doha.

Noah Lyles é o novo rei da velocidade. Havia dúvidas?

Na velocidade, o grande destaque da noite tem que ir para Noah Lyles. O jovem norte-americano não se cansa de mostrar que está noutro patamar no que aos 200 metros diz respeito e parece muito difícil alguém conseguir intrometer-se no seu caminho para o Ouro dos Mundiais que se aproximam. Hoje correu em 19.65 segundos, batendo um recorde do meeting que pertencia desde 2013 a…Usain Bolt (19.73).

Não é só com a obtenção deste recorde que Lyles cruza o seu caminho com o do astro jamaicano. Aos 22 anos e um mês esta é a oitava vez que o norte-americano baixa dos 20 segundos, algo que Bolt apenas fez com 23 anos. Entre 2017, 2018 e 2019, Lyles tem apenas uma derrota nos 200 metros e parece mais do que pronto para o que aí vem.

No feminino, a jamaicana Elaine Thompson voltou a mostrar boa forma nos 100 metros, vencendo em 10.98 segundos. Outra jamaicana, Stephenie McPherson, saiu vencedora dos 400 metros em 51.11 segundos, batendo todas as melhores norte-americanas que estarão em Doha.

A líder mundial não desiludiu
Fonte: Meeting de Paris

Surpresas no meio-fundo

Na prova de 800 metros femininos, sete mulheres correram abaixo dos dois minutos, o que impressiona ainda mais se tivermos em conta que Ajee Wilson (a favorita para Doha) não estava presente, nem qualquer britânica (os Nacionais britânicos são neste fim de semana), a que acresce o facto de já não termos em prova as atletas com níveis elevados de testosterona. Venceu a norte-americana Hanna Green com um grande final, em 1:58.39s. No masculino, o contrário aconteceu com o vencedor. O canadiano Brandon McBride parecia que chegava em câmara lenta, mas isso não o impediu de fazer uma grande marca, ao terminar com 1:43.78s.

Já nos 1.500 metros, Jakob Ingebrigtsen não esteve, desta feita, à altura das expetativas e terminou atrás do seu irmão Filip, no 4º posto (3:31.33s). Jakob esteve mal taticamente, deixando-se enrolar nos perigos que só uma corrida de 1.500 metros apresenta e nunca conseguiu estar na frente. A vitória foi, mais uma vez, para Ronald Musagala, do Uganda, que igualou o seu recorde nacional, com 3:30.58s, com mais uma ponta final muito forte, naquilo que é já a sua imagem de marca.

Warholm não sabe correr lento e Roberts prova que é candidato ao Ouro

Nas barreiras, nos 110 metros, Daniel Roberts, o campeão norte-americano provou estar num excelente momento de forma, com uma forte prova, consistente do início ao fim, não se deixando assustar quando não estava na frente da prova, terminando em 13.08 segundos. Voltou a bater o líder do ano, o compatriota, Grant Holloway, que até partiu muito bem, mas que terminou em sexto, em 13.25 segundos. Holloway diz que irá conseguir voltar a ter um pique de forma (teve o primeiro nos Universitários Norte-Americanos) por alturas dos Mundiais de Doha. Já o espanhol Orlando Ortega, Prata no Rio de Janeiro, voltou a mostrar regularidade, em segundo lugar, com 13.14 segundos. Na distância mais longa, os 400 metros, o norueguês Karsten Warholm mostrou mais uma vez que está pronto para enfrentar Samba e Benjamin, correndo muito rápido, em 47.26 segundos, bem distante de todos os outros em prova.

Warholm está a fazer uma época fantástica
Fonte: Meeting de Paris

Já na prova dos 3.000 metros obstáculos, Soufiane El Bakkali parece mesmo ser, à data de hoje, o melhor homem no mundo, e irá definitivamente a Doha à procura do seu muito aguardado primeiro título global. Hoje fechou em 8:06.64s, assegurando a vitória numa prova que marcou o regresso à competição do queniano Conseslus Kipruto (depois de prolongada paragem por lesão), que não conseguiu aguentar o ritmo da frente e terminou no quinto lugar, com 8:13.75s.

Claye volta a saltar acima dos 18 metros

Poderá Claye bater Coleman e Pichardo em Doha?
Fonte: Meeting de Paris

Numa prova de Triplo Salto que contou com a participação de Nelson Évora (sétimo com 16.82 metros), o grande duelo norte-americano entre Christian Taylor (campeão mundial e olímpico) e Will Claye (o líder mundial) centrava todas as atenções e não desiludiu. Christian Taylor mostrou um bom nível, igualando o seu melhor da temporada com 17.82 metros, mas tem este ano um grande adversário em Will Claye. Claye, cansado de ser o eterno segundo nesta disciplina ao ar livre, parece neste ano um nível acima em termos de consistência e voltou a superior os 18 metros, com um enorme salto de 18.06 metros, um novo recorde do meeting (o anterior, de Jonathan Edwards durava há 17 anos!). Também no feminino a prova do Triplo mostrou um nível excecional com a venezuelana Yulimar Rojas a voltar a ultrapassar os 15 metros, com 15.05 metros, num dia em que 4 mulheres estiveram acima dos 14.70, provando que vai ser um duro ano para entrar nas medalhas nos Mundiais.

Yulimar outra vez acima dos 15 metros!
Fonte: Meeting de Paris

Nas outras provas de saltos, grande recorde nacional canadiano (4.82 metros) para Alysha Newman na Vara, batendo as favoritas Katerina Stefanidi e Sandi Morris (ambas ficaram a 4.75), sendo que nos homens, o norte-americano Sam Kendricks igualou o recorde do meeting (6 metros!) numa prova que nem sequer era evento da Liga Diamante. Já o Salto em Altura masculino voltou a mostrar o fraco nível (para os padrões internacionais de elite) que tem marcado esta temporada, com a vitória a ir para o canadiano Michael Mason em modestos 2.28 metros.

Tom Walsh quatro vezes acima dos 22 metros numa prova histórica do Peso

O neozelandês Tom Walsh mostrou mais uma vez por que razão é o atual campeão mundial ao ar livre e em pista coberta. Foram quatro as vezes que lançou o peso a mais de 22 metros em Paris, a maior delas a 22.44 metros, um novo recorde do meeting. O norte-americano Joe Kovacs também passou dos 22 metros (22.11m), na primeira prova da história em que oito homens passaram dos 21 metros, mostrando, mais uma vez, que o Peso está num momento único a nível de qualidade.

Quatro vezes acima dos 22 metros
Fonte: IAAF

Na prova do Disco feminino, a croata Sandra Perkovic lançou a 65.01 metros e continua a ter dificuldades para bater as cubanas nesta temporada, ficando no segundo posto, atrás de Denia Caballero que lançou a 66.91 metros. Yaimé Pérez, a líder mundial, hoje desiludiu, ficando no nono lugar com apenas 60.96 metros.

Mayer em grande forma no “triatlo” das Combinadas

Tivemos também direito a um triatlo de Peso, Comprimento e 110 barreiras para atletas que preparam o Decatlo de Doha. Como não podia deixar de ser, Kevin Mayer era a estrela do cartaz e foi ele mesmo que brilhou, vencendo as 3 provas, duas delas com recordes pessoais (17.08 no Peso e 13.55 nas barreiras), mostrando que pode ainda melhorar o seu recorde mundial em breve.

Ainda pode melhorar Mayer?
Fonte: Meeting de Paris

Portugueses na estafeta e…não só!

Além de Nelson Évora, Portugal contou também com uma equipa de estafeta 4x100m, composta por Carlos Nascimento, Diogo Antunes, Frederico Curvelo e Yazaldes Nascimento. A equipa nacional ficou em 4º lugar na prova, com um tempo de 39.24 segundos.

Também individualmente, todos os atletas marcaram presença em provas de 100 metros anteriores ao programa televisivo. O melhor, a nível de marcas, foi Diogo Antunes, na prova A, correndo em 10.32 segundos. Yazaldes Nascimento (10.53), Frederico Curvelo (10.69) e Carlos Nascimento (10.71) estiveram na prova B. Ancuiam Lopes também esteve presente na prova C, correndo em 10.77 segundos.

Foto De Capa: Meeting de Paris

artigo revisto por: Ana Ferreira

Pedro Pires

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