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No passado domingo, dia 13 de outubro, o nome de Brigid Kosgei (KEN) passou a estar nas bocas de todo o mundo – desportivo e não só! Sem que alguém o antecipasse, a atleta queniana correu a Maratona de Chicago em 2:14:04, um enorme e – até há bem pouco tempo – impensável recorde mundial feminino!

Muitos se surpreenderam com a marca que pulverizou um recorde que a maioria dizia “imbatível” e que pertencia à britânica Paula Radcliffe desde 2003, o que levou a que muitos britânicos (e não só) mostrassem a sua desconfiança – ou azedume – nas redes sociais. Alguns até com responsabilidades suficientes para perceberem que o silêncio vale ouro.

Mas, para além dessas sobrancelhas levantadas, a marca também chamou a atenção de personalidades como Barack Obama, que nas redes sociais parabenizou Brigid Kosgei (e Eliud Kipchoge) pelos feitos do passado fim-de-semana. Será que, quando abandonou a escola em 2012, Brigid pensou que, dentro de poucos anos, viria a ser parabenizada por um dos homens mais influentes do mundo? É pouco provável, mas é essa a beleza do desporto e a beleza da vida.

A MARATONA DE CHICAGO

Kosgei bateu um recorde que se dizia… ”imbatível”
Fonte: Chicago Marathon

Um dia depois do feito de Eliud Kipchoge em Viena, poucas atenções estavam centradas na Maratona de Chicago. O público habitual estava a acompanhar, mas é seguro dizer que a maioria dos casuals – e até dos aficionados – estava ainda mais preocupada em discutir a proeza de Kipchoge e qual o contributo da tecnologia para a obtenção da mesma. À passagem dos 8 km, Brigid Kosgei corria para um ritmo de 2:11 e foi aí que os alarmes soaram pelas redes sociais.

Quem não estava a acompanhar, de imediato procurou uma transmissão para assistir ao que poderia ser uma de duas coisas: ou caminhava-se para um recorde histórico ou iríamos ter uma enorme quebra na 2.ª parte do percurso, como já havia acontecido com Mary Keitany (KEN), anteriormente, em Londres. Kosgei quebrou um pouco, é verdade, mas os splits (de passagem à Meia) não enganam: a primeira metade da prova foi feita em 66:59 e a segunda em 67:05! Incrivelmente eficaz e consistente na sua estratégia, Kosgei afirmou no final que sentiu-se “bem” e decidiu ir por tudo, quebrando o recorde anterior por 81 segundos. Como comparação, quando Eliud Kipchoge correu os 2:01.39 de Berlim retirou 78 segundos ao recorde mundial!

A marca de Kosgei teve também o efeito de abafar totalmente a prova masculina, algo que não é habitual de se ver nas grandes Maratonas. Um queniano também venceu no masculino – Lawrence Cherono em 2:05:46 –, mas o facto mais relevante para muitos terão sido as dificuldades sentidas pelo britânico Mo Farah, que terminou em 8.º e mais perto da marca de Kosgei (4:06 mais rápido) que da de Cherono (4:13 mais lento)! Dos 35 km aos 50 km, Mo Farah correu em 23:35, enquanto que Brigid Kosgei fê-lo em 22:50!

AS REAÇÕES… AZEDAS

As reações de espanto foram imediatas. As reações de incredulidade também. E as reações negativas e azedas não ficaram atrás. Muitos de imediato culparam os ténis, claro. Os Vaporfly já eram por demais falados e tema habitual de conversa pela sua autoproclamada evolução, que muitos consideram “batota tecnológica” e, nas redes sociais, os utilizadores mais ativos nesta cruzada foram os que têm ligações às… marcas rivais. Ross Tucker – um dos mais conceituados cientistas do desporto – foi um dos mais apaixonados nas críticas ao modelo, com vários tweets nas horas seguintes à prova de Kipchoge e, mais tarde, Kosgei.

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.