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Este é um texto maioritariamente sobre dois atletas, mas não apenas sobre dois atletas. É um texto sobre Atletismo, mas não apenas sobre Atletismo. É um texto sobre desporto, mas não apenas sobre desporto. É um texto, acima de tudo, sobre vencedores.

Dois recordes estratosféricos em eventos com muito em comum

O passado dia 16 de Setembro foi um dos mais gloriosos da história do Atletismo. Não são muitas as vezes que dois recordes mundiais são batidos no mesmo dia e menos são as em que isso acontece em dois lugares e competições diferentes, sendo batidos por tão esmagadoras margens, que não deixam qualquer dúvida acerca da grandeza do que observámos. Não interpretem de forma errada. Todos os recordes são fantásticos. Bater um recorde significa fazer algo que nunca ninguém fez e isso, por si só, torna quem o faz em alguém especial, que para sempre ficará na história. Mas fazê-lo por margens tão alargadas, torna o feito ainda mais especial e mais difícil de ser batido num futuro próximo. 

Eliud Kipchoge retirou 1 minuto e 18 segundos ao anterior recorde da Maratona – a maior diferença que alguém retirou na distância desde que o australiano Derek Clayton se tornou no primeiro homem a baixar das 2 horas e 10 minutos, ao correr num tempo de 2:09:36, em Dezembro de 1967. Kipchoge conseguiu a maior diferença para o anterior melhor em mais de 50 anos.

Kipchoge ao cruzar a meta…para a imortalidade
Fonte: IAAF
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Kevin Mayer cresceu face ao anterior recorde do Decatlo em 81 pontos. Desde Abril de 1999, com o checo Tomáš Dvořák a fazer 8994 pontos, que o recorde não aumentava tanto. Quase 20 anos. Mayer tornou-se também, apenas, no terceiro atleta de toda a história a ultrapassar os 9.000 pontos. O primeiro ponto em comum entre os atletas será então o facto de não terem “apenas” batido recordes mundiais, mas terem-no feito de uma forma esmagadora.

Kevin Mayer foi demolidor em Talence
Fonte: IAAF

Um aspeto que conecta também os feitos dos dois atletas é que a Maratona e o Decatlo têm muito mais em comum do que aquilo que aparentam. Sim, um evento é exclusivamente em estrada e o outro é um conjunto de provas de “Track & Field”. Mas ambos têm elementos bastante comparáveis, exigindo um esforço físico sobre-humano continuamente, durante períodos de tempo prolongados, embora com as devidas diferenças. Numa Maratona, um ser humano corre 42,195 km, é uma prova desgastante, qualquer participante – independentemente do seu nível – termina em sofrimento e com dor – como o próprio Kipchoge confessou no final da prova de Berlim.

Eliud Kipchoge fez o que nunca havia sido feito
Fonte: NN Running Team

O seu treino dura meses, sendo que um atleta de elite, normalmente, faz apenas duas Maratonas por ano. No Decatlo, os atletas além de terem que demonstrar um nível elevado em todas as 10 disciplinas que o compõem, ainda o têm que o fazer na totalidade durante apenas 2 dias, o que requer um esforço hercúleo e, obviamente, não são eventos que se possam fazer, também, com a regularidade de outros no Atletismo. 

Mas o mais importante aspeto que liga Eliud Kipchoge a Kevin Mayer não é qualquer destes. Nem sequer é o facto dos dois atletas serem patrocinados por uma marca – Nike – que tem apostado fortemente no Atletismo, com contratos milionários para atletas que têm potencial para atingir o topo (fala-se que Sydney McLaughlin tem também uma proposta milionária em cima da mesa). O que liga Kipchoge a Mayer é algo bem mais mundano e que qualquer um de nós pode e deve almejar de forma a ser bem-sucedido no seu dia-a-dia. 

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.