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Uma época de verão bastante longa chegou ao fim em Outubro com os Campeonatos de Doha, a terem tanto de controversos a nível organizativo e da eleição do local, como de excelentes a nível de performances no estádio. Foram os Campeonatos da história com melhores resultados e serviram também para provar que as épocas talvez até se possam alongar mais um pouco… Mas depois de 10 dias de intensa competição, o que mudou afinal no Atletismo? Há eventos que tudo mudaram…

100 METROS: UM DONO ÚNICO

Christian Coleman (USA) é rápido. Sim, já o sabíamos, mas provou-o mesmo sob enorme pressão depois de ter sido salvo, administrativamente, de uma suspensão. O norte-americano não se importou com as suspeitas (nunca acusou doping, mas falhou na atualização dos dados de localização) e correu no Qatar o tempo mais rápido da sua carreira – 9.76 segundos, marca que é também a mais rápida no mundo nos últimos quatro anos. É difícil dizer até onde poderá ir, embora acreditemos que tenha potencial para subir no ranking e vir a ser até, quem sabe, o 2.º atleta mais rápido da história (9.69 de Blake e Gay). Superar os registos de Bolt parece uma outra conversa… Ainda assim, a grande conclusão que se retira de Doha é que ele é o favorito único no seu evento favorito, não havendo ninguém que se aproxime das suas marcas neste momento.

200 METROS: LYLES VENCE, MAS DE GRASSE VOLTA A SER DESTAQUE

Noah Lyles (USA) é um fenómeno e pode ser a nova cara da velocidade masculina, mas na final de Doha não foi tão superior como havia sido durante os últimos dois anos, tendo, ainda assim, vencido em 19.83 segundos. Se Lyles acusa a pressão de grandes momentos ou não, ainda é cedo para sabermos e por isso não iremos retirar conclusões depois do que foi um título mundial. Grande destaque, após as duas provas de velocidade, foram as duas medalhas do canadiano Andre de Grasse (Prata nos 200, Bronze nos 100), mostrando que está de regresso e que será um nome em cima da mesa de discussões para medalhas em Tóquio.

400 METROS: GARDINER SAÍDO DA ZOMBIELAND

O grande favorito Michael Norman (USA) falhou redondamente e até terá baixado as enormes expectativas que tínhamos para Tóquio de ver um duelo particular entre ele e Wayde van Niekerk (RSA). O evento volta a parecer em aberto, não só porque o outro grande favorito – Fred Kerley (USA) – voltou a falhar, mas também porque Steven Gardiner (BAH) “acordou” de um profundo sono e conquistou o título mundial, subindo a 6.º mais rápido de sempre (43.48), num ano em que ainda não tinha baixado dos 44 segundos! Tinha sido 2.º em Londres e, em 2018, havia começado bastante bem a temporada, sendo uma das estrelas dos primeiros meetings da Liga Diamante. As lesões pareciam tê-lo retirado de combate para este ano, mas veio mais forte do que nunca.

800 METROS: QUANTOS CÃES PARA UM OSSO?

A abrupta saída de cena de David Rudisha (KEN) – envolto em mais novelas pessoais do que a família Kardashian – tornou bastante imprevisível uma disciplina que parecia ter dono para muitos anos. Em 2017, a prova foi vencida por Pierre-Ambroise Bosse (FRA) de forma totalmente surpreendentemente e nenhum dos três medalhados desse ano chegou sequer à final em Doha. Aliás, nenhum dos finalistas de 2017 repetiu a presença em 2019!

Desta vez, a vitória sorriu a Donavan Brazier (USA), que teve uma temporada em grande (também venceu a Diamond League e bateu o recorde norte-americano) e que já é o 9.º mais rápido de sempre. Emmanuel Korir (KEN), que dominou de forma avassaladora em 2018, nem sequer foi à final destes Mundiais e Nijel Amos (BOT), com problemas físicos. Juntando-se nomes como Ferguson Rotich (KEN), Amel Tuka (BIH) ou Adam Kszczot (POL), percebe-se que a diferença entre ficar fora dos finalistas ou chegar ao Ouro pode ser, de momento, bastante ténue.

1.500 METROS: HÁ MANANGOI PARA CHERUIYOT?

Timothy Cheruiyot (KEN) foi o grande dominador desta temporada, mas a ausência de Elijah Manangoi (KEN) dos Mundiais (por lesão) deixa sempre no ar a interrogação se o mais velho dos manos Manangoi traria algo preparado para defender o título. Cheruiyot mereceu o título e esteve sempre acima este ano, mas será muito interessante verificar o que nos espera em 2020, depois de Manangoi ter dito nas redes sociais que a proeza de Kipchoge em Viena o inspirou a pensar que… 3:25 é possível!

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