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A última actualização do Ranking da FIBA situa o basquetebol, da Seleção Sénior Masculina, no 33.º lugar Europeu. Longe vão os dias gloriosos do Eurobasket (2007), disputado em Espanha.
O Ucraniano Valentyn Melnychuk comandou essa selecção (2003 a 2007) que regressava à prova após 56 anos de ausência. Na altura, participaram 16 nações.
Em 2007 conseguimos o nono lugar no Europeu, hoje estamos com dificuldades para garantir um lugar na lista dos 32 pré candidatos ao Campeonato Europa (participam 24).
A queda vertiginosa justifica alguma reflexão e medidas adequadas.

Fonte: GDRAR
Em 2008/9, o espanhol Moncho López substituiu o ucraniano Valentyn Melnychuk.
Na altura, o Presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol, Mário Saldanha, dava conta da sua satisfação:
«É com muito orgulho que posso confirmar que Moncho Lopez é o novo seleccionador nacional. Estou muito feliz pelo basquetebol português».
Moncho preparou a equipa mas falhou o desejado apuramento (16 seleções) para o Europeu da Polónia.
Em 2010 a FPB, comunicava que: “nunca negociou a possibilidade de Moncho abandonar o FC Porto como pressuposto da manutenção do seu contrato com a FPB e denunciava o contrato, não pretendendo assim a renovação do mesmo”.
Mário Palma (2011-2016) sucedeu a Moncho López, atual treinador do FC Porto.
Ao assumir o lugar disse: “Este trabalho tem de ser feito e muito nos clubes, que devem ter menos estrangeiros, mas de qualidade, e apostar nos jovens portugueses, por dois ou três anos. Para que haja alguma evolução do basquetebol português, que passa por muito más condições”.
Conseguiu qualificar Portugal para a fase final do Europeu de 2011, disputado na Lituânia, mas não ganhámos um único jogo (24º lugar).
Na altura apenas uma voz se levantou a do Prof. Jorge Araujo que defendia outras soluções e alertava :
“Contratar uma equipa técnica com um objectivo tão restrito e não aproveitar para apontar para uma solução técnica mais extensiva, foi um erro que a modalidade terá de pagar.
Desperdiçámos mais uma grande oportunidade de criar as condições necessárias para darmos o salto qualitativo a que todos aspiramos. Tal como já tinha, aliás, acontecido quando após o Europeu de 2007.”
“A verdadeira fixação na possibilidade de ainda serem possíveis obter resultados imediatos impediu que as escolhas a serem feitas não fossem as melhores, especialmente em tudo o que se referiu às soluções encontradas para o basquetebol masculino e respectivos modelos competitivos.”
“Os resultados alcançados foram aqueles que a nossa posição relativa indicava como possíveis, mas comparativamente a 2007, são claros os sinais de regressão a exigirem medidas futuras conducentes à recuperação de uma classificação europeia que nos coloque no Top 20 europeu.”

Fonte: FPB
No Europeu seguinte a confiança do selecionador continuava: “A renovação da equipa das “quinas” vai dar frutos dentro de 2-3 anos“, e “vamos ter uma formação competitiva para a qualificação”.
“A seleção está mais forte e experiente do que há dois anos. Deu um salto muito grande e vai lutar bravamente pela presença na fase final do Europeu. Sinto uma grande evolução nos últimos dois anos”, disse Mário Palma.
“Os jogadores desta seleção atuam bastante tempo nos seus clubes e já possuem uma considerável experiência europeia. Em 2014, fui obrigado a proceder à renovação da seleção nacional e tive de convocar diversos atletas sem qualquer experiência a este nível de competição”, recordou.
“Passámos por uma fase muito complicada em que muitos dos nossos principais basquetebolistas decidiram abandonar a seleção nacional e fui obrigado a fazer a renovação do conjunto. Estas coisas levam o seu tempo e os resultados não caem do céu”, constatou o selecionador.
Contudo os resultados não foram os melhores e falhou as presenças nas fases finais dos Europeus de 2013 disputado na Eslovénia que teve a participação de 24 selecções e também o de 2015, campeonato disputado por 24 nações em quatro países: Croácia, França, Alemanha e Letónia.
Em 2017, Mário Gomes é nomeado selecionador nacional de basquetebol, sucedendo no cargo a Mário Palma, considerado o treinador com o currículo mais rico do basquetebol português e que decidiu, na altura, aceitar um convite para treinar a seleção da Tunísia, onde ainda se mantem.
Em comunicado, a FPB valorizou não só a experiência e currículo de Mário Gomes, mas também : “o profundo conhecimento que possui dos jogadores portugueses e do basquetebol nacional e internacional”
A primeira prova de fogo de Mário Gomes ocorreu com a participação de Portugal no ciclo de pré-qualificação para o Mundial de 2019 e, naturalmente, ficámos eliminados .
A FIBA manteve o mesmo figurino a organizou o Eurobasket 2017 em quatro países: Finlândia, Israel, Roménia e Turquia.
Não nos conseguimos apurar.
O mapa resume a actividade dos últimos treinadores.
A tendência negativa pós-Valentin, em termos de apuramentos foi apenas contrariada por Mário Palma, que garantiu uma participação final.
A culpa é dos estrangeiros ?
O tema dos estrangeiros continua a ser actual e tema de controvérsia. Mesmo aqui ao lado em Espanha (com a poderosa Liga ACB), com excelente formação de jogadores o tema não é consensual. Associação de jogadores, FEB e treinadores não se entendem.
No passado Mário Palma defendia que as equipas de basquetebol deviam ter como limite dois estrangeiros chegando mesmo a afirmar enquanto selecionador: “em caso contrário perco o interesse em manter-me em funções”. “A minha posição é muito clara: se as regras não mudarem para o ano e se não houver condições claras para que os portugueses possam jogar muito mais tempo no campeonato, então pessoalmente não tenho interesse nenhum em continuar a trabalhar na seleção nacional”, disse Mário Palma.
Caso as regras não mudassem o treinador considerava que “o basquetebol português vai definhar de tal maneira, que, se calhar, vai acabar”.

Fonte: CAB Madeira/Tony Cruz Photography
Opinião diametralmente oposta têm muitos treinadores como o madeirense João Freitas:
“Para mim essa sempre foi uma falsa questão. Vejam os plantéis das equipas da ACB. Espanhóis que são só campeões europeus e do mundo. E vejam a constituição das melhores equipas das melhores ligas europeias. Vejo que todos esses países já ultrapassaram isso. E nós aqui, coitadinhos dos portugueses, que a culpa dos nossos males é dos malvados dos estrangeiros. Haja paciência para tamanhas enormidades. Defendo e sempre defendi que competência não é nacionalidade e não é assim que quem quer ser jogador de basquetebol de alto nível vai trabalhar mais ou ser melhor”.
Como está comprovado medidas avulso não levaram a bons resultados. O problema do basquetebol não se resolve por termos mais ou menos estrangeiros. O que ajudava o jogador português eram melhores condições trabalho, melhores treinadores, competições mais atrativas e muita participação internacional. O importante era mesmo os nossos jovens jogadores terem a certeza de que vale a pena investir na carreira de jogador e não serem obrigados a desistir, a exemplo do que fizeram recentemente dois internacionais A quer jogavam regularmente na nossa competição mais importante porque apenas lhes ofereciam 400/500 euros de vencimento.
Os estrangeiros podem ou não ajudar. Temos alguns de qualidade duvidosa que nada acrescentam ao contrário de uma minoria que serve de motivação.
Recentemente a FPB voltou a alterar o número de estrangeiros, na próxima época são permitidos 4 +1.
E agora o que fazer?
Agora, sem os constrangimentos económicos do passado, nada impede de iniciarmos já uma mobilização da modalidade ao redor de objectivos globais muito mais ambiciosos usando uma atitude bastante mais envolvente e proactiva.
Assim nada melhor que ajustar objectivos competitivos e apontar claramente para que em Agosto se garanta frente à Islandia e à Suíça o apuramento para a denominada “First Round” (32 participantes) e que posteriormente consigamos o apuramento para o Campeonato Europa 2021(apuram 24).
Para isso urge rejuvenescer e ajustar a equipa, não porque tenhamos jogadores idosos, mas sim pela qualidade dos mesmos. Já em relação ao naturalizado urge encontrar uma solução. João Gomes “Betinho” tem 34 anos e Harnet 31.
A recente lista de pré convocados que inclui entre outros
Diogo Brito (Utah State University), Francisco Amiel (Colgate University) e o naturalizado Jeremiah Wilson (Nantes – França) é um passo em frente importante.
Do mesmo modo, é de aproveitar o facto de organizarmos em Matosinhos o Grupo B dos Sub 20 e de termos um conjunto de jovens com potencial, de que se destaca naturalmente Neemias Queta em ano de estreia no campeonato universitário dos Estados Unidos (NCAA), e podemos sonhar com a subida à Divisão A.

Fonte: Utah State
O ex-Benfica, formado no Barreirense, está a caminho da NBA e provavelmente em 2020 será incluído no Draft.
Neemias pode e deve ser a figura à volta da qual o basquetebol nacional de uma vez por todas cresça, para isso o passo inicial passa eventualmente pela sua presença (isto se for possível conciliar a actividade desportiva e estudantil com Utah State) já na selecção principal (consta da lista alargada) e depois na de Sub 20.
Temos pois de aproveitar os talentos que agora despontam e para isso urge criar a curto prazo uma Liga Profissional. Se o não fizermos os nossos jovens ou desistem ou vão como muitos outros à procura do futuro no estrangeiro.
Foto de Capa: FPB










