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O FC Porto conquistou justamente a Supertaça ao derrotar o SL Benfica (84-70) na cidade transmontana de Vila Real. A prova abriu a nível nacional a temporada. O FC Porto contabiliza agora seis supertaças.
Na fase de qualificação da Liga dos Campeões, onde ambas as equipas foram eliminadas, o SL Benfica (perdeu por três pontos em casa e depois ganhou em Itália, ao Varese, por dois) esteve curiosamente bem melhor do que o FC Porto (perdeu por dois pontos em casa e depois foi concludentemente batido na Lituânia, pelo Utena, por 18 pontos).
Em Vila Real tudo foi diferente. O FC Porto entrou bem no jogo (9-2) e acabou bem a 1.ª parte (44-35). Na 2.ª parte o SL Benfica conseguiu reagir na parte final, criando emoção nos cinco minutos finais graças ao aumento de pressão defensiva, mas foi impotente para travar Bradley Tinsley (o MVP da partida, com 19 pontos marcados, sete ressaltos, sete assistências e 28 pontos de valorização).

Fonte: FPB
O regresso à competição do base cabo-verdiano Jeffrey Xavier (22 pontos) foi determinante na melhoria do conjunto do Norte, que teve um plano de defesa bem estudado e executado. Conseguiu também jogar de uma forma mais simples do que a habitual no ataque de posição, e na transição ofensiva lançou rápido e bem, aproveitando os desajustes na recuperação dos lisboetas.
O SL Benfica, que procurava a quinta Supertaça consecutiva (no total leva já 13 conquistas), nunca encontrou o ritmo certo de jogo. Entrou completamente desconcentrado e andou sempre atrás do prejuízo. Carlos Andrade (18 pontos, cinco ressaltos e 22 pontos de valorização) foi o atleta mais inconformado, tendo tentado fazer sozinho o que era tarefa do colectivo.
O FC Porto lançou mais vezes ao cesto (59 contra 54) e teve melhor aproveitamento tanto nos duplos (52% contra 45%) como nos triplos (48% com 13 cestos convertidos contra 25% dos benfiquistas, que só marcaram quatro triplos). Já nos lances livres o Benfica teve mais oportunidades (31 contra 17), com percentagens idênticas. Houve um domínio claro na “guerra“ das tabelas para o Porto (conquistou 36 no total, 11 deles na tabela contrária, enquanto o Benfica teve menos 12 no total). A equipa de Moncho Lopez foi mais colectiva (21 assistências contra 16 da equipa de Carlos Lisboa).
Os árbitros (Fernando Rocha, Paulo Mendes e Hugo Antunes) passaram “incógnitos”, o que é bom sinal.
Vitória da organização…
Pavilhão superlotado. Entusiasmo e emoção nas bancadas marcaram esta edição da Supertaça, provando mais uma vez que com organização e com clubes competitivos é possível colocar a modalidade no patamar a que tem direito.
Não é novidade que o marketing é a melhor ferramenta para o posicionamento da marca “basquetebol” no mercado. Aplicar recursos em marketing sempre se tem mostrado uma aposta ganha e com retornos imediatos e de longa duração.
Já lá vai o tempo em que as campanhas de marketing se limitavam a estampar o logótipo nas camisolas de um clube ou de uma selecção. Hoje o conceito é mais alargado e, muitas vezes, as empresas e as suas marcas transformam-se em parceiras privilegiadas dos clubes e das federações. Sempre defendi também o papel da televisão na divulgação da modalidade. Se queremos visibilidade temos de ter basquetebol em sinal aberto e de forma regular. A transmissão da Supertaça pela TVI e pelo Porto Canal tem de ser um ponto de partida para um novo basquetebol.
Para sermos competitivos internacionalmente necessitamos de mais e melhores jogadores…
Os jogadores internacionais não estiveram particularmente bem nesta final. Os vencedores: Miguel Queiroz (14 minutos, dois pontos e dois ressaltos) e José Silva (16 minutos, dois pontos e dois ressaltos). Os derrotados: Mário Fernandes (dez minutos , 0 pontos e três assistências), João Soares (22 minutos, seis pontos e dois ressaltos), Tomás Barroso (18 minutos, cinco pontos e duas assistências) e Nuno Oliveira (não entrou).
Os jogadores nacionais não necessitam de medidas proteccionistas mas sim de competição e treino adequados. Só competindo com os melhores podem melhorar. Nivelar por baixo também aqui não é solução. O recente relatório da International Basketball Migration Report 2016 FIBA compara 16 Ligas Mundiais e chega a conclusões que bem poderiam ser úteis à modalidade numa altura em que muito se joga do futuro da mesma.

Fonte: FPB
O passado no que diz respeito ao Campeonato Europeu não é brilhante. Participámos pela primeira vez no EuroBasket em 1935, perdendo com a Espanha (33-12). Em 1951 fomos convidados e jogámos em Paris, obtendo o 15.º lugar. Em 2007 conseguimos o apuramento para Espanha e uma classificação histórica (9.º lugar). Agora que se completam dez anos da data bem mereciam TODOS uma homenagem por parte da FPB.
A situação actual é muito preocupante e de todos conhecida. Pese a renovação do plantel e a aplicação de todos ficámos mais uma vez de fora do Europeu. Portugal perdeu cinco dos seis jogos e apenas um jogador (“Betinho”) e conseguiu dados estatísticos compatíveis com a competição:

Foto: FIBA
O ranking da FIBA ainda está por actualizar. Com dados relativos a Agosto somos 84.º a nível Mundial e 29.º a nível europeu. Se juntarmos os escalões Formação Masculinos, que não constam do ranking (dados de 2015), onde são contabilizados 80 países a nível Mundial, dos quais 24 são da Europa, e se atendermos aos resultados obtidos este ano: 27.º nos Sub-20, 30.º nos Sub-18, e 25.º nos Sub-16.
Fácil é, pois, concluir que muito trabalho tem de ser feito para inverter a situação actual.
Um pequeno passo importante já está dado com esta Supertaça; contudo, necessitamos de muitos mais passos…









