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Com a NBA suspensa por tempo indeterminado, a pausa tem sido aproveitada por parte de scouts e treinadores para observarem os principais atletas que irão colocar o seu nome no Draft de 2020. Apesar deste ano se projetar como um dos anos mais fracos em termos de talento, não deixam de existir jogadores capazes de remodular franchises e deixar a sua “pegada” na história da liga.
Para compreenderem a importância do draft e como uma escolha pode mudar todo o rumo e aspirações de uma equipa, como estariam os Warriors se os Memphis Grizzlies tivessem escolhido Stephen Curry ao invés de Hasheem Thabeet, ou os Detroit Pistons caso tivessem escolhido Carmelo ou Dwyane Wade ao invés de Darko Miličić? É por isso, fulcral, que não só scouts, como toda a direção e treinador tenham a competência necessária para a escolha de um jovem talento, capaz de revolucionar ou alterar toda a conjuntura do franchise.
Para 2020, quais são os talentos inquestionáveis? Veja aqui o nosso top 3.
1.

Lamelo Ball – Nascido em 2001, é um jovem proveniente de Chino Hills e tem no currículo, desde já, um dos trajetos mais invulgares feitos por um jovem norte americano até ao momento. Também por culpa disso, Ball aparece como uma das figuras principais no Draft deste ano.
Lamelo está na ribalta desde tenra idade, mais precisamente desde os 14 anos, aquando participou naquela que viria ser uma das melhores temporadas feitas por qualquer equipa no «high school». Lamelo, em 2016, mesmo sendo freshman, fez números muito positivos e foi uma das principais armas para os Chino Hills, a par dos seus irmãos, Lonzo Ball e Liangelo Ball. No ano seguinte, Ball fez novamente “ruído”, por ter realizado uns “meros” 92 pontos numa partida diante os Los Osos e por ter abdicado da escola, nesse mesmo ano, para se juntar à equipa lituana dos Vytautas, deixando o seu estatuto de jogador amador para trás. Opção feita por Lavar (pai de Lamelo), que proporcionou imensas críticas por parte de vários especialistas, que acreditavam que o futuro de Ball estava condenado graças a esta ida para a Lituânia.
Como a experiência europeia não correu como desejado, Ball juntou-se a uma liga profissional criada pelo pai (JBA league), que também resultou em imensas críticas e alarido em redor, visto ter sido uma liga com pouca competitividade e que gerou muito pouco talento. Para além disso, Lamelo teve uma sapatilha com a sua assinatura e ainda regressou aos Estados Unidos para completar o seu último ano enquanto estudante no Spire Prep Academy.
Para concluir este trajeto ímpar, Lamelo Ball optou pela equipa dos Illawarra Hawks da NBL para finalizar o seu percurso antes de se juntar à melhor liga do mundo. Na Austrália, Ball realizou números bastantes satisfatórios: 17 pontos, 7 assistências e 7.5 ressaltos por jogo. De acrescentar que Lamelo Ball venceu o prémio de «rookie of the year» na sua estreia na NBL.
LaMelo Ball is the #NBL20 ROOKIE OF THE YEAR! 🙌
Congratulations LaMelo, Angus & Sam on the nomination.#FlyAsOne x @MELOD1P pic.twitter.com/zCpcVoPj4O
— Illawarra Hawks (@IllawarraHawks) February 16, 2020
PRÓS
A operar com uma estatura física bastante elevada (2.03 metros) e com uma agilidade significativa, Lamelo Ball apresenta requisitos técnicos incríveis e que poucos bases na liga são capazes de reproduzir. A sua capacidade de passe faz inclusive lembrar o seu irmão Lonzo Ball, sendo que Lamelo apresenta um requinte extra em todas as suas ações. Em termos de drible, Ball tem no seu arsenal vários movimentos capazes de causar pânico nos oponentes diretos, sendo que a mais utilizada é o «hesi», onde o jovem lê quase sempre com exatidão aquilo que o adversário pretende fazer para o parar.
Na leitura do pick and roll, em transição, a utilizar o seu corpo para acelerar e desacelarar, há poucos neste draft com a capacidade de Ball, ao passo que o jovem para além da sua natural capacidade técnica, cresceu muito taticamente com esta experiência na Austrália, que lhe permitiu ganhar muitos pontos extra no seu jogo posicional ofensivo.
CONTRAS
Lamelo Ball, à semelhança dos seus irmãos Lonzo e Liangelo, experienciou na escola, um sistema (mesmo que concretizado com sucesso) extremamente limitador e pouco cerebral por vezes. A famosa trap, permitiu a Lamelo “uma almofada” defensiva e até foi de largo sucesso em Chino Hills, todavia, rapidamente se verificou as consequências que presidiram no jovem norte americano. Lamelo, aliás, ainda agora tem algumas dificuldades em manter-se em frente dos oponentes diretos, estando demasiadas vezes dependente dos seus instintos e capacidade física para superar essas limitações. Ainda assim, há potencial defensivo em Ball, como foi referido anteriormente tem uns instintos que lhe permitem antecipar passes, recuperar bolas e até mesmo desarmar lançamentos, um pouco à semelhança do irmão Lonzo, mas sem a mesma consistência.
Outro aspeto que Lamelo deve melhorar é a sua mecânica de lançamento, ao passo que mesmo sendo o lançamento rápido, criativo e com range, é inconsistente e pode ser aproveitado como fraqueza no próximo nível. A sua falta de voracidade quer defensiva e ofensiva, é outro aspeto onde Ball pode evoluir, ao passo que o jovem norte americano ataca demasiadas vezes o cesto escondendo-se do adversário executando floaters, ou refugia-se na defesa não procurando o contacto físico. Por fim, Lamelo Ball deve melhorar em termos de atitude e disciplina/maturidade tática, que é normal, contudo, que ainda não a tenha atingido.
Não há muitos jogadores semelhante a Lamelo, mas na forma de jogar, Ball faz lembrar muito o seu irmão Lonzo e até mesmo Trae Young, em certas ações de jogo posicional ofensivo. Só o tempo dirá, mas Lamelo tem todas as ferramentas para ser o melhor jogador do draft deste ano.
2.

James Wiseman – Ao contrário de Lamelo Ball, não apresenta um trajeto tão atípico, todavia não escapa a várias polémicas e a um percurso inconveniente.
O jovem norte americano, nascido em 2001, iniciou a sua caminhada basquetebolista na escola The Ensworth School antes de se transferir para a escola Memphis East High School, onde foi treinado por Penny Hardway (ex-jogador de NBA) e se tornou num dos melhores jogadores jovens do país. Wiseman, no seu último ano enquanto estudante na Memphis East High School, executou números impressionantes (25.8 pontos, 14.8 ressaltos e 5.5 desarmes de lançamento por jogo), que lhe ofereciam o rótulo de forma quase induvidável de melhor jogador do país da sua classe (2019).
Apesar disso, a sua experiência efémera na faculdade de Memphis Tigers, resultado de controvérsias diretamente relacionadas com montantes envolvidas na sua transferência de escola para faculdade, poderá ver a sua credibilidade reduzir “ligeiramente”.
Ainda assim, após ter realizado apenas três partidas na NCAA, com médias de 19.7 pontos e 10.7 ressaltos e com percentagens de 76.9% de lançamentos de campo, James continua associado como potencial primeira escolha no draft deste ano.
Just got around to watching James Wiseman’s debut from opening night against South Carolina State. Good god, have mercy, what he did to those poor kids is illegal in approximately 17 states. If he plays with this kind of intensity all year, its a wrap. pic.twitter.com/PQIraNlX64
— Jonathan Givony (@DraftExpress) November 8, 2019
PRÓS
James Wiseman, sendo um poste de estatura elevassíma (2.16 metros) tem uma agilidade fantástica e um trabalho de pés exímio, tendo as ferramentas físicas e técnicas para auferir grandes exibições na NBA. Dentro da sua capacidade física é notável como consegue correr em transição e chegar a certos espaços que jogadores do seu tamanho não conseguem. A jogar em poste alto, a atirar de meia distância e por vezes da linha dos 3 pontos, Wiseman é consistente. Para além disso, tem uma consciência defensiva fantástica e é explosivo quer a atacar o cesto para afundar, quer a desarmar lançamentos, tendo sempre presente excelente timing em qualquer uma das ações. Em ataque posicional ofensivo, James também é capaz de proporcionar bons passes, mesmo não sendo a sua melhor área.
CONTRAS
O jovem norte americano, apesar de todas as ferramentas, ainda se apresenta várias vezes perdido nas rotações defensivas ou na noção de quais espaços deve ocupar. Normal, contudo, resultado da pouca maturidade e experiência que obteve até ao momento.
Wiseman, também depende demasiadas vezes do seu braço esquerdo para finalizar as jogadas, principalmente debaixo do cesto ou quando não consegue afundar. Para além da obrigatoriedade de se tornar mais forte fisicamente, tem que evoluir o seu balanço aquando entra em contacto com o adversário e necessita de ganhar certas tendências, tais como a intensidade dentro de campo e a denominada “garra” que tantas vezes pode marcar a diferença.
Por fim, Wiseman faz lembrar um pouco Bosh e Anthony Davis, como um jogador extremamente grande e com elevada capacidade de lançar de meia/longa distância, sendo sempre uma ameaça na «zona pintada».
3.

Anthony Edwards – Dos mencionados neste top 3, Edwards é quem apresenta o percurso mais ortodoxo.
Anthony iniciou o seu trajeto na escola Therrell High School, mas cerca de um ano depois tranferiu-se para Holy Spirit Preparatory, de forma a evoluir academicamente. Foi na Holy Spirit Preparatory, que Edwards tornou-se na sensação que é hoje, tornando-se incontestavelmente um dos melhores jogadores da sua classe. Na escolha da faculdade, Edwards supreendeu, à semelhança de Wiseman, escolhendo uma faculdade modesta, como é Georgia, recusando propostas de Kentucky, Kansas entre outras faculdades de elevada notoriedade.
Em Georgia, Anthony realizou números bastante convincentes para um freshman, com médias de 19.1 pontos, 5.2 ressaltos e ainda 40.2% lançamentos de campo. Importante salientar que Edwards já se declarou para o draft de 2020 e há imensa expectativa que ele poderá ser mesmo a primeira escolha.
Anthony Edwards, the potential number one pick this summer, has officially declared for the 2020 draft. Boutta be showtime. pic.twitter.com/ahlQRrRzNb
— SLAM (@SLAMonline) March 20, 2020
PRÓS
Anthony Edwards, apesar de não ter uma estatura elevada (1.96 metros), acarreta uma capacidade física tremenda para a posição em que atua dentro de campo (extremo/base), podendo esta versatilidade posicional traduzir-se em vários «miss-match».
Edwards é o «scorer» mais prolífico no Draft, capaz de marcar pontos com uma multivalência fantástica, seja a atacar o cesto ou a lançar de meia/longa distância, o extremo norte americano tira grande proveito da sua capacidade física para passar pelos oponentes. Mesmo sendo uma ameaça no tiro exterior, é a atacar o cesto que ele faz a diferença, ao passo que é extremamente explosivo e engenhoso no ato de finalizar.
Em termos de mecânica de lançamento, Edwards é quem tem dos lançamentos mais polidos no draft. O extremo atira com grande rapidez e com um movimento muito bem trabalho. Em termos de criação, mesmo não sendo dos mais criativos, é muito díficil de travar em transição e possuí um drible bastante satisfatório, podendo criar o lançamento com ou sem dribe.
Defensivamente, o jovem norte americano é fortíssimo no 1×1 e por norma defende jogadores de peso inferior e com capacidade física bastante reduzida aquando comparado com ele. Ele tem a ideossincrasia ideal, sendo um defensor que não desiste da jogada e que raramente se deixa amedrontar perante o adversário.
CONTRAS
Apesar da boa mecânica de lançamento, Edwards apresenta baixa eficácia no lançamento exterior (29%) e na linha de lance livre tem muito espaço para evoluir, principalmente tendo em conta a tendência que terá de ir para mesma, na NBA. É um jogador que tem que se movimentar melhor sem a bola nas mãos e entender quais as zonas mais favoráveis para atacar o cesto.
Para além disso, Edwards tem uma seleção de lançamento um pouco fraca e será crucial ele evoluir neste aspeto, para evitar lançamentos forçados e aumentar a sua taxa de acerto.
Por fim, Edwards faz lembrar Donovan Mitchell e Oladipo, ou seja, um jogador de estatura não muito elevada, mas com uma capacidade atlética tremenda como pouco visto, capaz de marcar um volume significativo de pontos.
Apesar dos vários talentos que irão constar no Draft, estes têm sido os atletas mais abordados pelos observadores nos últimos meses, como possível Top-3, contudo tudo dependerá das pretensões das equipas e scout, que terão essas mesmas escolhas no Draft.
Foto de Capa: NBL














