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NBA | Afinal, Andrew Wiggins merece ou não ser titular no All Star Game?

Henrique Silva · 4 min

Foto: NBA

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O jogo dos All-Stars joga-se em Cleveland, no dia 20 de fevereiro. É um amigável entre os considerados (pelos mídia, fãs e jogadores) melhores jogadores da liga na temporada. Os titulares já estão escolhidos, os suplentes igual. Só faltam os substitutos dos jogadores lesionados (como Kevin Durant ou Draymond Green). Neste caso, os jogadores serão selecionados pelo comissário da NBA, Adam Silver.

Normalmente, costuma haver polémica nas votações. Este ano não fugiu muito há regra. Houve polémica nos suplentes, como o caso de Khris Middleton ter sido escolhido em vez de Jarrett Allen. Porém, a maior polémica não foi no Este, nem sequer com os suplentes.

Quando anunciaram os titulares, as redes sociais ficaram em choque. Andrew Wiggins fora anunciado, pela primeira vez, como participante (e titular) do All-Star Game.

Do frontcourt da Conferência Oeste, Wiggins foi o terceiro mais votado pelos fãs (atrás de LeBron James e Nikola Jokic), o quinto mais votado pelos jogadores (atrás dos dois já referidos, Draymond Green e Rudy Gobert) e o sexto mais votado pelos mídia norte-americanos (ainda atrás de Karl-Anthony Towns).

Além de Draymond Green, Rudy Gobert e Karl-Anthony Towns, alguns fãs consideram que Paul George merecia a seleção mais do que o extremo dos Warriors, sendo o mais cotado Rudy Gobert.

PORTANTO, ENTRE O FRANCÊS E O CANADIANO, QUEM MERECIA MAIS A TITULARIDADE?

Convém, acima de tudo, recordar o papel de cada um na sua equipa.

Jogam ambos em franquias que lutam pelo anel. Por um lado, Gobert é a segunda figura da sua equipa, atrás de Donovan Mitchell. Por outro lado, Wiggins é, agora com o regresso de Klay Thompson, a quarta figura da equipa, atrás de Curry, Green e do próprio Klay. Mas o “peso” de cada um na sua equipa é incomparável.

Esta temporada, notou-se uma diferença gigante entre os Jazz com e sem Rudy Gobert.

Até à presente data, em jogos que o francês participou, os Jazz venceram 29 e perderam 13. Quando o francês esteve de fora, a franquia de Salt Lake apresentou muitas dificuldades a nível defensivo, sendo que a equipa ganhou três jogos e perdeu oito jogos, uma percentagem de 27.3% de vitórias, numa amostra considerável. Para colocar este número em perspetiva, atualmente uma franquia com esta percentagem de vitórias seria a terceira pior equipa classificada no campeonato. Com e sem Gobert, a percentagem de vitórias baixa de 69% para 27.3%.

No caso de Wiggins é diferente. Nos jogos em que participou, os Warriors ganharam 36 vezes e perderam somente 12. Nas partidas em que esteve de fora, os Golden State venceram quatro jogos e perderam apenas um. A percentagem de jogos vencidos sem Wiggins é maior em relação aos jogos com Wiggins (80% para 75%), se bem que a amostra de jogos sem ele não é tão grande como os de Gobert, mas é notório que a sua equipa não depende tanto dele para ganhar jogos.

A nível individual, continua superior Rudy Gobert.

De acordo com o site da NBA, o francês tem um rating ofensivo superior ao de Andrew Wiggins, de 115.6 para 111.6. Este rating mede a quantidade de pontos produzidos pelo jogador a cada 100 posses de bola. Quanto ao rating defensivo, é a quantidade de pontos permitidos a cada 100 posses de bola. Neste caso, o canadiano leva a melhor, com um rating de 102.1 contra 103.8 de Gobert. Resumidamente, Gobert produz mais 4 pontos e permite mais 1.6 pontos a cada 100 posses. Fazendo as contas, Gobert tem um saldo positivo de 2.4 pontos gerados a mais que Andrew Wiggins.

Mesmo sem estas estatísticas avançadas, é relativamente fácil entender o porquê de Rudy Gobert merecer mais que Andrew Wiggins. O poste dos Jazz chegou, inclusive, a figurar a luta pelo MVP durante algumas semanas, de acordo com o site da NBA.

Mesmo retirando Rudy Gobert da conversa, também o colega de equipa, Draymond Green, acabaria por merecer mais a seleção, apesar da presente lesão que o está a atormentar. A influência dele nos Golden State está ao nível da influência de Gobert nos Jazz. É candidato a jogador defensivo do ano e mesmo ofensivamente é o chamado point forward. Da posição “4”, o jogador que tem a bola na mão e cria para os colegas, inclusive Steph Curry. Mostra uma visão de jogo e inteligência muito acima da média, está a fazer uma incrível e nota-se muito na sua equipa quando está (ou não) na equipa.

Apesar da belíssima temporada que Andrew Wiggins está a fazer, com uma média sólida de lançamento de três pontos (41.8%), acaba por ser um pouco injusto para com os jogadores já referidos Andrew Wiggins ser o escolhido para titular no jogo amigável em Cleveland.

Artigo revisto por Joana Mendes

Henrique Silva

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