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Apesar de terem um recorde considerado mediano, numa época até há pouco tempo marcada pela irregularidade, os Raptors têm motivos para estarem otimistas antes da trade deadline da NBA, a 10 de fevereiro.
O objetivo inicial da temporada centrava-se, sobretudo, na integração e no desenvolvimento de alguns jogadores, no primeiro ano da era pós-Kyle Lowry. Era provável que a equipa canadiana tivesse um processo longo de reconstrução pela frente, necessitando de encontrar talento através do draft para rejuvenescer o plantel, ao mesmo tempo que atletas como Siakam procuravam recuperar a sua melhor forma.
Mas mesmo com um começo condicionado pelas ausências devido a lesões e à Covid-19, os resultados encorajadores chegaram mais cedo do que o esperado. Aliás, existem fortes possibilidades dos campeões de 2019 assegurarem um lugar nos playoffs, pelo menos através do torneio de play-in.
Os principais responsáveis pela gestão da organização já descartaram negociar qualquer um dos jogadores que definiram como fulcrais para o desenrolar da restante época desportiva – Fred VanVleet, Pascal Siakam, OG Anunoby e Scottie Barnes não vão a lugar nenhum no próximo mês. Em vez disso, o intuito é vasculhar o mercado em busca de peças que possam complementar este grupo agora e no futuro próximo.
Como é que um franchise à beira do abismo volta a ser tópico de interesse na maior liga de basquetebol do mundo? Quais os fatores que contribuíram para este renascer das cinzas?
Foto de Capa: Toronto Raptors
Artigo redigido por Diogo Vieira
FRED VANVLEET
Back at the crib tonight
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— Toronto Raptors (@Raptors) January 23, 2022
Eram imensas as dúvidas em torno de VanVleet à entrada para a nova temporada. Com a saída de Lowry para os Miami Heat, Toronto perdeu o base mais produtivo da sua história, um ícone da cidade e um líder que guiou os seus companheiros ao único título da história dos Raptors.
Conseguir equilibrar a equipa num momento tão delicado como este já era uma missão praticamente hercúlea para a nova figura principal do plantel. Não obstante, VanVleet não só revelou ter capacidade para suportar a pressão, como elevou o seu jogo a um nível digno de candidatura a all-star.
Na sua quarta temporada na NBA, o base regista médias bastante promissoras de 21.7 pontos, 4.7 ressaltos e 7.0 assistências. A sua rapidez ao atacar o cesto e a facilidade em lançar da linha dos três pontos (39,3% de concretização) fizeram do atleta de 27 anos uma verdadeira ameaça ofensiva, isto sem contar com a sua visão de jogo soberba para encontrar companheiros livres de marcação.
A entrar no auge da carreira, Fred poderá mesmo ser o herdeiro legítimo do legado deixado por Lowry em Toronto. Para além dos bons números que apresenta no ataque, também demonstra um apurado instinto defensivo, com 1.7 roubos de bola por jogo.
PASCAL SIAKAM
Let’s double down on a dub
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Esta aparenta ser a época de redenção de Siakam ao serviço dos Raptors. Depois do título alcançado frente aos Golden State Warriors em 2019, Siakam viu as suas exibições abaladas pelas lesões e pela expectativa dos fãs e dos responsáveis da organização em assumir o papél de estrela absoluta, deixado vago com a ida de Kawhi Leonard para os Clippers.
Quase três anos depois, o ala-pivot de 27 anos está outra vez ao seu melhor nível, adaptando-se perfeitamente à condição de center no sistema de small ball adotado pelos Raptors, em algumas ocasiões.
Prático e versátil nas suas ações, o MIP (Most Improved Player) de 2019 conta com médias de 21.3 pontos, 8.3 ressaltos e 5.1 assistências, apresentando também taxas interessantes de concretização (48.3 FG% e 33.3 3P%). Num conjunto que dá primazia à segurança defensiva, Siakam apresenta qualidades para condicionar os adversários muito acima da média, contabilizando 1.2 roubos de bolo por jogo.
Para um jogador da sua estatura física, é impressionante a sua capacidade para defender jogores velozes e mais afastados do cesto, impedindo assim jogadas fáceis de três pontos. Contra rivais da sua posição, o camaronês tem pelo menos conseguido aguentar o poderio físico das outras equipas, embora os 0.7 desarmes de lançamento por jogo deixem um pouco a desejar.
OG ANUNOBY
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Defensivamente, é provável que seja o melhor jogador de todo o conjunto canadiense. Anunoby sempre conhecido por ser exímio a defender várias posições, quer fosse contra bases talentosos no drible ou face a postes mais físicos e atléticos. Como tal, os seus 1.7 roubos de bola por jogo não surpreendem quem já há muito reconhece o seu talento.
O que poucos esperavam foi o salto a que assistiu na sua produtividade ofensiva. Embora os seus 5.4 ressaltos e 2.4 assistências por jogo não sejam números muito impressionantes, o ala compensa estas lacunas com a média de 18.8 pontos, retirando assim parte do fardo atribuído a VanVleet e a Siakam.
Atlético, com um Q.I elevado e decente na concretização da linha de três pontos (34.2%), OG é definitavmente um elemento indespensável para os planos a longo prazo dos Raptors. Aos 24 anos de idade, naquela que é a sua terceira temporada na liga, a margem de progressão é bastante grande para este jogador.
SCOTTIE BARNES
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As esperanças de um futuro risonho para a organização incidem neste jogador. Scottie Barnes foi escolhido na quarta posição do draft de 2021 e é visto por muitos como a próxima superestrela do franchise, alguém com o talento e a determinação necessários para suprimir as saídas de Kawhi Leonard e de Kyle Lowry.
O ala de apenas 20 anos de idade já demonstrou que se enquadra na ideologia da equipa. Um espécime físico que se destaca dos demais, Barnes tem médias próximas de 1.0 roubos de bola e 1.0 desarmes de lançamento, demonstrando a sua capacidade para defender todo e qualquer tipo de jogador que enfrenta.
Outro aspeto a realçar é o seu espírito combativo, não dando nenhuma bola como perdida. Com 7.8 ressaltos por jogo, Barnes não só oferece segurança defensiva, como também proporciona segundas oportunidades em ocasiões de ataque e até mesmo contra-ataques rápidos em direção ao cesto contrário.
O rookie também aparenta possuir alguns dotes de distribuição pouco habituais num atleta deste estilo. As 3.4 assistências por jogo são um sinal positivo que certamente irá melhorar, á medida que for ganhando responsabilidades acrescidas no controlo do ritmo da partida.
A fraqueza do jogador está na consistência ofensiva. A média de 14.6 pontos dá alguns sinais prometedores, mas a sua baixa taxa de concretização da linha dos três pontos requer esforços redobrados, caso tenha reais intenções de se tornar num dos melhores jogadores da liga.
Ainda assim, o potencial deste jovem é monstruoso, pelo que não será supreendente se brevemente rivalizar com outros grandes profissionais, como Lamelo Ball, Anthony Edwards, Cade Cunningham, Evan Mobley, entre outros.
GARY TRENT JR.
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No panorama atual da NBA, todas as equipas neessitam de um atirador de serviço, alguém que se sinta comfortável a lançar triplos constantemente e que possa ser a carta na manga em momentos decisivos. Nos Raptors, é Gary Trent Jr. que se distingue como o “sniper de elite”.
Aos 23 anos de idade, Trent é mais um jogador cuja evolução tem ocorrido rapidamente, sendo já um dos melhores marcadores da equipa. Com uma média de 16.6 pontos e 1.8 roubos de bola, o ala-armador mostra uma propensão ofensiva muita elevado, complementada pela sua capacidade em intercetar jogadas adversárias.
Um atleta que raramente perde o controlo do esférico (apenas 0.9 perdas de bola em toda a temporada), Trent é dos que mais previligia os triplos, com percentagens de concretização a rivalizarem as de VanVleet (37.4%).
ENTROSAMENTO E UM TÉCNICO DE RENOME
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— Toronto Raptors (@Raptors) January 15, 2022
São conversas difíceis – rápidas e no calor do momento – mas nunca acusatórias, sempre colaborativas. O facto dos Raptors verem o que estão a fazer de errado e corrigí-lo rapidamente, sem egos feridos, é a maior força coletiva da equipa.
Os treinadores não reclamam, eles ensinam. Os jogadores não atribuem culpas, apenas apoiam. E sequências comprometedoras, algumas extremamente negativas, são revertidas rapidamente, de forma a que a vitória possa pender para qualquer lado.
A responsabilidade de falar a verdade recai sobre cada membro da equipa, outro fator essencial no nível de maturidade do grupo. VanVleet pode ser o mais óbvio a assumir a função de líder, mas Siakam, OG Anunoby, Gary Trent Jr. ou até mesmo o novato Scottie Barnes aceitam assumir as rédeas do jogo sempre que o mesmo se revela complicado.
Nick Nurse dá o exemplo em muitos aspetos. Não é segredo que o treinador campeão em 2019 é bastante expressivo relativamente às falhas do seu conjunto, mas também é justo, algo que os jogadores apreciam e que o técnico usa a seu favor.
FRAQUEZAS E DECISÕES A TOMAR ANTES DA TRADE DEADLINE
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Os Raptors procuram entender melhor os valores dos seus jogadores, daí ser difícil avaliar o quanto a equipa está comprometida em adquirir atletas de outras organizações. Só porque os Raptors parecem estar a negociar nessa direção, não significa que realmente pretendam uma troca para fins imediatos, especialmente quando os jogadores mais valiosos de Toronto já foram dados como intocáveis.
Parece então improvável que os canadienses tentem efetuar uma troca para entrar numa disputa a sério pelo título este ano. Não obstante, Fred VanVleet tem sido incrível, e o resto do cinco inicial tem talento. Mesmo que não acredite que uma presença nas finais de conferência de 2022 seja realista, Masai Ujiri, diretor desportivo dos Raptors, pode valorizar a experiência nos playoffs para fortelecer o núcleo de jogadores a longo prazo.
Mas, de facto, Toronto precisa de um jogador titular com mais qualidade para a posição de center e profundidade mais confiável em todas as restantes posições. Se realmente querem comprar, os Raptors têm muitas possibilidades de negociação. A urgência deve existir. Os pilares da equipa, VanVleet e Siakam, não estão na curva descendente das suas carreiras desportivas, mas cada um completa 28 anos antes do final da temporada, pelo que faz sentido aproveitar ao máximo o que promete ser os seus picos de produtividade, principalmente tendo em conta que Siakam está sob contrato por mais duas temporadas, enquanto VanVleet pode permanecer no Canadá até à época 2023-24.
A acrescentar o facto de que Gary Trent Jr. tem apenas mais um ano de vínculo com a equipa e Anunoby dois, os Raptors não têm necessariamente o luxo de proceder a um crescimento lento e orgânico antes de enfrentarem algumas decisões potencialmente desafiadoras em relação aos seus principais jogadores. A boa notícia é que, ao que tudo indica, os Raptors gostam do que têm e até ficaram surpresos com o desempenho dos elementos-chave do seu plantel.
Com base no bom momento que vivem, não é improvável que os jogadores até aqui referidos possam renovar a sua ligação por mais uns anos, proporcionando aos Raptors uma base sólida para Barnes e outros novatos crescerem e formalizarem a sua candidatura ao topo da hierarquia da NBA. Caso não tenham a possibilidade de adquirir ativos que possam contribuir para o desempenho do grupo, Toronto deve adquirir mais escolhas de draft e, acima de tudo, libertarem-se do contrato despendioso de Goran Dragic. Desta forma, os canadienses conseguem poupar dinheiro que será investido em contratações de peso na free agency.
Por outras palavras, o que falta realizar da presente temporada será fulcral para os Raptors estruturarem o plano desportivo dos próximos anos. Caso consigam garantir, no mínimo, a participação no play in, é possível que Toronto tenha em mãos uma futura geração de ouro.
Só o tempo dirá se a glória de 2019 voltará a repetir-se.










