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NBA Playoffs: O retorno da magia

Diogo Silva · 4 min

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Depois de nova paragem da liga norte americana, resultado de incidentes de cariz social que motivaram grande revolta e indignação pelos protagonistas (atletas/treinadores), o retorno começou no sábado com vários jogos de alto nível.

Desde o duelo fenomenal entre Jamal Murray e Donovan Mitchell, na série entre os Nuggets e Jazz, ao primeiro jogo da segunda ronda dos playoffs, foram vários os acontecimentos que marcaram a retoma da competição.

Foto de Capa: NBA

HÁ VIDA PARA ALÉM DO BASQUETEBOL

Depois do episódio lastimável em solo norte americano, onde foi possível observar mais um caso de abuso policial perante um cidadão afro-americano (Jacob Blake), os responsáveis da NBA decidiram suspender novamente a maior liga do mundo. Tudo começou com os atletas dos Milwaukee Bucks a optarem por ficar nos balneários, naquele que se iria realizar o jogo 5 da série diante os Orlando Magic. Esta coragem dos jogadores dos Bucks proporcionaram um efeito dominó, ao passo que não só as restantes equipas/jogadores da NBA decidiram não continuar a competir, como também as outras ligas profissionais das mais diversas modalidades (basebol, hóquei em gelo, ténis) decidiram suspender a competição. Tudo numa procura incessante por justiça social/racial, pelo que os jogadores apresentam-se mentalmente fatigados e angustiados por pouco conseguirem fazer para alterar a conjuntura adversa do país.

Ultrapassado o primeiro dia de boicote e na sequência de uma reunião decorrida entre vários agentes ligados ao basquetebol, a NBA e a NBPA, entraram em acordo que iriam criar mais condições e objetivos concretos de forma a agir objetivamente em prol da justiça social e na melhoria de acesso ao voto.

Com declarações marcantes, vários responsáveis da liga (incluindo treinadores/jogadores) demonstraram estar todos no mesmo barco, praticamente em uníssono naquilo que é a defesa dos direitos humanos e daquilo que também importa, para além do basquetebol.

O GRANDE DUELO DA PRIMEIRA RONDA

Apesar dos mais variados duelos ponderosos nestes playoffs, como foram entre Doncic e Kawhi, Harden e Chris Paul ou até mesmo Lillard e LeBron James, há um que tem sido sublime e que merece o nosso destaque: Donovan Mitchell e Jamal Murray. Ambos têm praticado um basquetebol ao nível de poucos, fazendo lembrar duelos de outrora, entre os maiores atletas da modalidade. Desde o início dos playoffs, Mitchell tem executado em média 38.7 pontos, 5.5 assistências, 4.3 ressaltos e 1.2 roubos de bola, com uma percentagem de 54.5 % em lançamentos de campo. Por outro lado, para além de salvar a equipa por duas ocasiões de uma eliminação, Murray tem se destacado com médias de 34 pontos, 6.7 assistências e 6.2 ressaltos com uma percentagem de 56.1 % em lançamentos de campo.

Um duelo, que para além dos grandes números de ambos jogadores, tem-se verificado extremamente competitivo, com ambas as equipas a registarem até ao momento um empate (3-3) na série, obrigando a um jogo 7, que infelizmente deixará um destes craques de fora dos playoffs.

COLETIVO EM PRIMEIRO LUGAR

Apesar dos holofotes estarem, invariavelmente centrados nas superestrelas (Harden, LeBron, Giannis, Kawhi, Doncic, etc), há duas equipas que se têm valorizado, não só pelos treinadores que os orienta, como pelo método e filosofia que os difere para atingir o sucesso. Os Boston Celtics e os Toronto Raptors apresentam, ambos, plantéis versáteis e balenciados (apesar de maior qualidade individual em Boston) sendo que, ambas as equipas teriam condições para chegar à final da NBA.

Depois de no ano transato terem conquistado a liga, sob a batuta da estrela Kawhi Leonard, os Raptors atualmente apresentam maiores dificuldades em organização ofensiva e escasseiam sistematicamente ideias e criatividade para atacar o cesto. Apesar disto, vão sendo orientados por aquele que foi considerado o treinador do ano (Nick Nurse) e a qualquer momento, o próprio poderá sacar um «coelho da cartola», que catapultará os seus “pupilos” para outro nível.

Do lado de Boston, como foi referido anteriormente, apresentam jogadores de maior qualidade individual e com outro virtuosismo, capazes inclusive de desbloquear jogos a qualquer momento. De realçar a excentricidade de Kemba, a consistência e versatilidade de Jaylen Brown e a excelência de Tatum.

Os detalhes, concerteza farão a diferença nesta série, mas à partida temos tudo para assistir a um duelo muito interessante entre dois grandes coletivos.

Diogo Silva

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