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Desde que a NBA foi formada, são vários os episódios que têm fomentado discussão entre adeptos e historiadores do basquetebol norte-americano, relativamente a momentos que podiam ter mudado a história da liga.
Dados os 74 anos que se passaram desde a fundação da liga, seria impossível analisar todos esses momentos. Assim, este artigo vai-se focar única e exclusivamente em escolhas e trocas do Draft que acabaram por influenciar a carreira dos jogadores, a história das equipas e da própria liga.
Antes de iniciar a lista, apenas deixar uma menção honrosa para a troca entre Seattle SuperSonics e Chicago Bulls, que levou Scottie Pippen para Chicago e criou a base de uma equipa que venceria seis títulos. Sem Scotttie, Michael podia não ter dominado a liga como dominou, ou Seattle podia ter criado algo especial com Shawn Kemp, Gary Payton e Ray Allen.
Foto de Capa: NBA
5.

Steph Curry para os Timberwolves – Stephen Curry transformou o basquetebol como o conhecemos. A sua capacidade de lançamento mudou a forma como os atletas são formados, e levou a inovações do ponto de vista técnico e tático.
Os Golden State Warriors escolheram o base com a sétima escolha do Draft de 2009 e começaram, assim, a construir a dinastia que dominou a liga entre 2014 e 2018. No entanto, a NBA podia ser muito diferente caso os Minnesota Timberwolves não tivessem cometido não um, mas dois erros seguidos.
Nesse ano de 2009, Minnesota tinha em sua posse a quinta e sexta escolhas do Draft, o que, teoricamente, permitiria escolher dois atletas de elevada qualidade para reforçar uma equipa que perdera 50 jogos no ano anterior.
Com a quinta seleção, os Timberwolves escolheram Ricky Rubio, base espanhol de 18 anos que se destacara na seleção espanhola nos Jogos Olímpicos de 2008. Rubio era um jovem que demonstrava imensa qualidade no capítulo do passe e era, assim, uma escolha compreensível. No entanto, em vez de selecionarem Curry em sexto lugar, optaram por Jonny Flynn, um jogador que atuou por Minnesota em 134 jogos em dois anos, sendo depois trocado para Houston, Portland e Detroit (onde apenas esteve durante duas semanas), emigrando para a Europa em 2012.
É impossível analisar se a produtividade e evolução de Curry se teriam mantido iguais e se teria atingido o nível que atingiu em Golden State. Contudo, se tal tivesse acontecido, os Timberwolves teriam juntado Curry com Kevin Love numa fase em que era, talvez, um dos melhores da liga na sua posição, e ainda que o campeonato não fosse garantido, poderiam ter lutado pelos playoffs e atraído mais talento para Minnesota.
4.
“E se os Pistons não tivessem escolhido Darko Milicic?” – O Draft de 2003 é visto como um dos melhores da história. Lebron James, Dwyane Wade, Carmelo Anthony, Chris Bosh e… Darko Milicic?
Quem não acompanha a NBA de forma mais atenta, provavelmente não conhece Darko “The Human Victory Cigar” Milicic, escolhido pelos Detroit Pistons com a segunda escolha do Draft.
Proveniente do Hemofarm da Sérvia, o poste destacou-se na seleção nacional, e, segundo relatos, impressionou a direção de Detroit com o seu treino pré-Draft. Contudo, essa qualidade não transitou para a NBA e Darko é atualmente visto como um dos maiores flops da história, tendo em conta o talento existente nesse ano.
Ben Wallace veio a publico dizer que Carmelo Anthony teria estragado a química que a equipa demonstrava e que acabou por ser fundamental para vencer o título em 2004. Dwyane Wade talvez funcionasse melhor, mas obrigaria a equipa a utilizar um estilo muito semelhante ao “small-ball” que vemos atualmente.
Acredito que Chris Bosh teria sido a escolha ideal. Um atleta alto, que ajudaria Wallace nas tarefas defensivas, e que ofereceria muita qualidade no plano ofensivo como power-forward.
Os Pistons venceriam o título em 2004, mas com Chris Bosh no plantel teriam tudo para criar uma mini dinastia que poderia ter culminado em múltiplos títulos em vez de apenas um.
3.
“E se Kevin Durant tivesse sido escolhido por Portland?” – Mais um “E se?” influenciado por lesões.
Em 2007, os Portland Trail Blazers tinham a primeira escolha do Draft e os holofotes todos apontados para si. Tal como em 1984, a escolha recaía entre um poste – Greg Oden – e um jogador para jogar no perímetro – Kevin Durant.
Tal como 23 anos antes, Portland escolheu o poste. Tal como 23 antes, foi a escolha errada.
Oden vinha de Ohio State e era visto como um dos principais talentos a emergir do plano universitário, sendo várias vezes comparado ao Hall of Famer Bill Russell, vencedor de onze campeonatos com os Boston Celtics. Tendo escolhido LaMarcus Aldridge no ano anterior, Portland procurava construir as suas próprias “Torres Gémeas”, tal como Houston tentara e San Antonio fizera com Tim Duncan e David Robinson. Juntamente com Brandon Roy, os Blazers queriam o seu próprio “Big 3 ”, mas acabaram por perder o seu “Big 1 ” em Kevin Durant.
Desde cedo que Greg Oden foi afetado por lesões, e em 2009 já contabilizava quatro operações aos joelhos.
Em duas épocas com os Blazers – falhou a sua primeira época devido a uma lesão no joelho que trouxera da universidade –, o poste alinhou em 82 jogos, o equivalente a uma época completa. Seguiram-se anos sem jogar a recuperar de lesões consecutivas, e em 2013 recuperou, jogando 23 jogos pelos Miami Heat, antes de se mudar para a China e ter praticamente terminado a carreira.
Durante esse período, Kevin Durant venceu um prémio de MVP, levou os Oklahoma City Thunder a uma final, venceu dois títulos com Golden State – vencendo MVP das Finais em ambos – e é visto como um dos melhores marcadores da sua geração.
Imaginando Durant com LaMarcus Aldridge, Zach Randolph e Brandon Roy, Portland iria ter lutado pelas finais durante vários anos e, quem sabe, ter atingido o título.
2.
“E se Kobe Bryant tivesse ficado com os Charlotte Hornets?” – Em 1996, os Charlotte Hornets tinham na sua posse a 13ª escolha. Apesar de ser um franchise recente – criado em 1988 – rapidamente ganhou milhares de seguidores e tornou-se uma das equipas com mais expetadores na liga.
Com alguns jogadores de qualidade, os Hornets precisavam de um atleta que atraísse multidões, mas também necessitavam de um poste, dada a troca de Alonzo Mourning para os Miami Heat. Assim, fizeram um acordo com os Lakers: escolheriam Kobe Bryant (que iria para Los Angeles) e em troca receberiam Vlade Divac, um poste com créditos firmados na liga.
Agora todos conhecem a bela história de amor (ainda que com alguns desentendimentos pelo caminho) entre Lakers e o Black Mamba. 20 anos de serviço, cinco campeonatos e milhares de momentos históricos. Porém, tudo poderia ter sido diferente caso Charlotte tivesse mantido os direitos de um atleta que marcou uma geração e milhões de vidas.
Em 1996/1997, os Hornets terminaram a época regular com um registo de 54 vitórias e 28 derrotas. Adicione-se a capacidade atlética e ética de trabalho de Kobe, e talvez Charlotte tivesse qualquer coisa para mostrar no seu museu.
1.
On this day in history (84) The Blazers pass on Michael Jordan to draft Sam Bowie http://t.co/A44wE5Ix12 pic.twitter.com/NnoxqhzBed
— Ballislife.com (@Ballislife) June 19, 2015
“E se Portland tivesse escolhido Michael Jordan?” – Talvez o “E se?” mais famoso da história da NBA tinha que estar relacionado com Michael Jordan.
Apesar de ser a cara dos Chicago Bulls, a verdade é que a história da liga poderia ter sido bem diferente e, por essa razão, este primeiro lugar é dividido em dois.
Em 1984, os Houston Rockets tinham a primeira escolha do Draft e todos sabiam que o escolhido seria Hakeem Olajuwon, um atleta formado na Universidade de Houston. Em terceiro lugar estavam os Chicago Bulls, mas a segunda escolha pertencia aos Portland Trail Blazers.
Na década de 80, a NBA era uma liga diferente e que ainda girava muito em volta dos postes – veja-se Kareem Abdul-Jabbar pelos Lakers – e por isso a maior parte das equipas apostava em jogadores desse tipo com as escolhas mais altas do Draft.
Em 1983, Portland escolhera Clyde Drexler com a 14.ª escolha, um shooting-guard com grande capacidade atlética e um tipo de jogo semelhante a Jordan. Por ter escolhido Drexler, a direção dos Blazers estava reticente em escolher Jordan, um jogador em tudo semelhante e que jogava na mesma posição, e decidiu por isso apostar em Sam Bowie, um poste que tinha conseguido bons números na universidade – apesar de já nessa altura demonstrar uma apetência para lesões – e que seria o sucessor de Bill Walton.
Esta escolha acabaria por assombrar a próxima década e meia de Portland. Enquanto Bowie teve uma carreira assolada por lesões que o impediram de realmente confirmar o seu talento, Michael tomou a liga de rompante e tornou-se um dos melhores da história, levando Chicago a seis campeonatos.
1.
“E se Houston tivesse escolhido Michael Jordan?” – Houston tinha a primeira escolha e essa estaria sempre reservada para Hakeem, mesmo tendo em conta o facto de terem escolhido Ralph Sampson com a primeira escolha no Draft do ano anterior.
Sampson entrara na NBA como uma estrela e com tudo para ser um atleta transformador. Três vezes eleito melhor jogador universitário do ano, possuía excelentes capacidades atléticas apesar dos seus 2.24m, e sagrara-se Rookie do Ano em 1983.
O objetivo de Houston era juntar Sampson e Hakeem para formar – como ficaram conhecidos – as “Torres Gémeas”, uma dupla que atingiu um sucesso moderado ao atingirem as finais em 1986.
No entanto, no livro “Tip-Off: How the 1984 NBA Draft Changed Basketball Forever”, o autor Filip Bondy afirma que existiram conversas entre Rockets e Bulls que levariam Sampson para Chicago pela terceira escolha, abrindo assim caminho para uma dupla extraordinária composta por Michael Jordan e Hakeem Olajuwon.
Imaginar o que teriam atingido Jordan e Hakeem é quase impossível, mas podemos supor que teriam criado uma autêntica dinastia em Houston. Com a capacidade marcadora de MJ e o jogo interior de Olajuwon, as equipas da zona Oeste teriam tido muitas dificuldades em ultrapassar esta dupla, e talvez tivéssemos assistido a vários campeonatos seguidos por parte dos Rockets.
Artigo revisto por Joana Mendes














