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O FC Porto sagrou-se, justamente, pela 12.ª vez , campeão nacional de basquetebol. Depois de uma vitória e uma derrota na Luz, a equipa de Moncho López venceu os dois jogos em casa ( 98-89 e 93-85) e interrompeu um ciclo de quatro títulos do Benfica.
Os “dragões”, que na Fase Regular ficaram atrás do Benfica, foram mais consistentes nos jogos finais e concluíram a prova com o resultado final de 3-1.
O FC Porto preparou-se bem, a todos os níveis, neste regresso à competição principal . Depois de ter optado pelo abandono só fazia mesmo sentido competir na LPB para ganhar.
“Nunca pensei em desistir. Foi um percurso confortável. Há duas épocas vencemos a Proliga e eu tinha o objectivo pessoal de querer estar na Liga com aquele grupo, mas também entendi que não era o momento. A equipa precisava de mais um ano na Proliga. Felizmente, um ano depois, melhorou o sistema de competição, alterou-se o número de jogadores estrangeiros, e nós tínhamos mais um ano imaculado, no qual ganhámos todos os jogos da Proliga e sentimos que estávamos prontos. Acabámos por dar esse passo. Mas desistir? Nunca”, esclareceu o treinador Moncho López.
O triunfo do colectivo
O FC Porto ganhou porque jogou mais em equipa, com todos a colaborarem responsavelmente em prol do sucesso colectivo.
A estatística dos jogos finais mostra equilíbrio mas não mente: levou vantagem o FC Porto nos passes decisivos (assistências), com 19,8 de média contra 15,8 do SL Benfica, tendo tido a pontaria mais afinada na hora de lançar ao cesto, com registos de 59% contra 52% nos dois pontos, e 35 % contra 28% nos triplos. Nos restantes indicadores houve um grande equilíbrio.
Com modelos de jogo distintos o FC Porto jogou um basquetebol moderno, com ritmos diversos, e fez dos triplos a sua arma principal, procurando uma gestão adequada da bola na tentativa de ter quase sempre boas soluções com ritmo intenso no contra-ataque.
Já o SL Benfica manteve o seu modelo habitual mais pausado, conservador e directo, procurando vantagens interiores e explorando ao limite a criatividade de Cook.
Confronto de “Estrelas”

Fonte: FPB
As vitórias explicam-se por múltiplos factores e esta do FC Porto não é excepção.
O rendimento e a forma de estar dos norte-americanos Cook e DeVries, os jogadores mais conceituados das equipas, teve contributo decisivo no resultado final.
O curriculum de Daequan Cook dava grandes esperanças à equipa da Capital no início da época. Escolhido pelos Philadelphia 76ers no lugar 21 do “Draft” NBA, no ano de 2007, alinhou nos Miami Heat (2007–2010), no Oklahoma City Thunder (2010–2012) e nos Chicago Bulls (2013). Em 2009 ganhou o concurso de três pontos no NBA All-Star Weekend.
Continua a carreira na Europa jogando na Ucrânia (Budivelnyk Kyiv), e vai descendo degraus; passa para a Alemanha em 2014 (Walter Tigers Tübingen), para França (SPO Rouen Basket) e acaba em Portugal na presente época.
Já o FC Porto optou por trocar de americano com a época a decorrer. Sai Seth Hinrichs, lesionado e com rendimento modesto, e é contratado Troy DeVries, um experiente atleta de 33 anos, com passagem de sucesso em Espanha, na Alemanha, na Ucrânia e na Turquia, onde tinha obtido registos positivos: foi o quarto melhor da competição na média de pontos por jogo (16,9) e décimo em termos absolutos, tendo ainda na estatística uma média de três ressaltos e 2,9 assistências por partida.
O rendimento e a atitude ao longo da época e nos jogos do playoff final mostram que a contratação do FCP foi mais bem sucedida.
Os jogos da final dizem que Troy DeVries esteve mais regular e em destaque com a valorização de 25,6 no MVP, contra 13,5 do ex-NBA Cook. Como é natural jogaram muitos minutos (mais de 30), marcaram quase o mesmo número de pontos, mas com vantagem na pontaria para o “Dragão”: com 57% nos triplos bateu claramente Cook (29%), que como já referimos um dia ganhou um concurso na NBA.
Passar a bola aos companheiros faz parte do reportório dos jogadores de equipa. Troy fez em média 4,5 passes decisivos contra apenas 1,5 de Cook. Finalmente, os roubos de bola, que indicam de alguma forma a aplicação defensiva, dão média de 2,3 para Troy e zero para Cook.
O basquetebol português está cheio de exemplos de jogadores estrangeiros que apresentam “currículos” e estatísticas individuais significativas mas cujas equipas acabam por perder nos momentos das decisões.
Na equipa do Benfica, Daequan Cook, mesmo na trajectória descendente da carreira, continua com talento ofensivo inquestionável, mas sempre deu mostras de estar pouco comprometido com a equipa e com as tarefas defensivas, contrastando com Troy DeVries, que não deixou de mostrar o seu valor mesmo jogando para a equipa.
Na competição é natural que os jogadores tenham ambições individuais mas a equipa tem de estar primeiro.
Surpresas na final?

Fonte: FPB
Os treinadores preparam a equipa para não terem surpresas no playoff. É normal que as defesas alternadas e alguns ajustes nos “match-ups” defensivos apareçam; contudo, ao antecipar cenários essas mesmas incertezas são reduzidas.
O conhecimento profundo das equipas e o recurso ao “scouting” permitem ter informação prévia, que facilita o treino, e adivinhar o que pode acontecer no jogo.
Ausência de Andrade
Uma equipa de sucesso não pode ter só estrelas; necessita também de jogadores que as complementem.
A falta do internacional Carlos Andrade a 100% na totalidade dos jogos limitou em muito a equipa do SL Benfica: perderam um líder em campo que é não só eficaz no ataque como, e principalmente, agressivo na defesa. Claramente, o SL Benfica tinha com Andrade em pleno mais hipótese de revalidar o título.
O treinador Carlos Lisboa salientou, e bem, a importância do atleta: “O Carlos Andrade fez questão de estar presente, mas obviamente não estava nas melhores condições. Isso demonstra o carácter dele”.
Os jogadores portugueses

Fonte: FPB
O basquetebol masculino tem agora continuidade com a competição internacional de selecções. A tarefa do seleccionador Mário Palma não se está a revelar fácil; no sector masculino a crise já é longa. Ao contrário do que sucede com o sector feminino, o aproveitamento dos CARS foi modesto. Algumas medidas regulamentares têm sido desenvolvidas; contudo, está mais que provado que a melhoria e o aparecimento de jogadores nacionais não se faz por decreto mas sim através da criação de condições para termos melhores competições. Como ficou mais uma vez provado, o problema não é o número de estrangeiros (a qualidade, isso sim…) porque os jogadores nacionais mais aptos jogam sempre e sobrevivem.
Naturalmente alguns dos potencias internacionais jogaram a final, com particular destaque para João Soares (SL Benfica) e Miguel Queiroz (FC Porto), que estiveram a um bom nível, jogando muitos minutos. Já os bases do SL Benfica Mário Fernandes e Tomás Barros tiveram dificuldades em acertar o ritmo da equipa, enquanto José Silva (FC Porto) e Pedro Bastos (FC Porto) deram contributos positivos.
A nova época já mexe…
Com o regresso do FC Porto o basquetebol animou um pouco. É pena que o Sporting ainda não tenha acordado para dar ainda mais brilho à prova. Com o regresso do histórico Atlético e do Illiabum a prova ganha nova vida e na minha opinião isto justificava a criação de uma Liga profissional autónoma da FPB. Poderiam assim os clubes rentabilizar custos e criar um produto capaz de interessar aos patrocinadores e aos adeptos, e dar significado à carreira de jogador e de treinador.
Sem perderem tempo ambos os conjuntos preparam já a próxima época.
O FC Porto ganhou mas sabe que não pode adormecer. Assim, garantiu a continuidade do norte-americano Brad Tinsley (outro jogador colectivo que foi o melhor marcador e o grande responsável por marcar os ritmos do ataque) e procura garantir a continuidade de Troy DeVries.
No lado do SL Benfica o treinador Carlos Lisboa gosta de ganhar e tem experiência mais do que suficiente para proceder a alterações no perfil dos recrutados. Um sinal já foi dado: o trio Daequan Cook, Jeremiah Wilson e Ivica Radic já não regressa na próxima época.
Foto de Capa: FC Porto










