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As 10 maiores revelações de 2021 | Ciclismo

Ricardo Rebelo · 9 min

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Talento, potencial e resultados. O calendário de ciclismo de estrada 2021 foi pródigo na emancipação de inúmeras promessas, que explodiram – em proporções e contextos diferentes – em alguns dos cenários mais simbólicos da modalidade.

A seguinte constelação de estrelas in making pretende enumerar uma parte bem específica de jovens talentos. As regras são muito simples: resultados notáveis durante a época, limite de idade cifrada nos 25 anos e um registo de crescimento acentuado, principalmente pela consistência apresentada, comparativamente com anos anteriores no World Tour.

Obviamente, a faixa dos selecionados compreende ciclistas em diferentes níveis dentro do estatuto de revelação. Ciclismo

Evitando spoilers desagradáveis, vale a pena conferir a lista, sobretudo pela influência que se espera que muitos destes nomes tenham para 2022, seja como líderes, gregários ou portadores do famoso free pass para exibirem as suas capacidades.

Foto de Capa: Team Jumbo-Visma

10. JONAS VINGEGAARD (24 ANOS)

O dinamarquês da Team Jumbo-Visma abrilhantou um início de temporada consistente com a conquista da segunda posição na última edição da Volta a França.

De plano B da estrutura holandesa a pódio da “maior de todas”, o atleta de 24 anos espantou o mundo do ciclismo com um ataque a Tadej Pogacar em pleno Mount-Ventoux.

Se é verdade que não ameaçou o triunfo do esloveno, há que reconhecer a performance do estreante no Tour, assim como as qualidades evidenciadas no contrarrelógio a par com a capacidade para subir a um nível semelhante de Tadej Pogacar ou Richard Carapaz, por exemplo. Ciclismo

Para além desse brilharete, destacar uma vitória em etapa no UAE Tour, a vitória na classificação geral da Settimana Internazionale Coppi e Bartali (duas vitórias em etapa) e a conquista da camisola branca na Volta ao País Basco.

9. MAURI VANSEVENANT (22 ANOS)

Obedecendo aos diferentes patamares em que várias destas promessas do ciclismo se encontram, Mauri Vansevenant é um miúdo que parte uma “roda” atrás de muitos elementos desta lista, mas que nem por isso tem, em teoria, um futuro menos risonho.

Sem grandes vitórias, sem momentos ao nível de Vingegaard. Com 22 anos e no seio da Deceuninck Quick-Step. A dar os primeiros passos nestas andanças, as prestações do belga não chamam à atenção pelos hipotéticos resultados vistosos.

Noutro prisma, para além de um estilo de pedalada que promete tornar-se inconfundível, a sua capacidade em média/alta montanha e a própria garra característica promete catapultá-lo para a trincheira de apoio a Remco Evenepoel.

A partir daí, existe espaço para crescer, assim como oportunidades para liderar, que vão chegar à medida que o seu crescimento evoluir positivamente. Vansevenant tem contrato até 2024 e obteve a sua primeira vitória como profissional este ano, no GP Industria&Artigiano, sobre nomes como Bauke Mollema, Mikel Landa ou Nairo Quintana.

8. CLÉMENT CHAMPOUSSIN (23 ANOS)

Filho mais novo da geração de Paret-Peintre, Godon, Conesfroy ou Bonnamour, Clément Champoussin é mais um produto que se junta a este lote de enorme qualidade francesa, principalmente em domínios mais acidentados e na luta por etapas.

Dono de uma capacidade combativa singular, Champoussin foi protagonista numa das melhores etapas de uma corrida de ciclismo de três semanas, em 2021. 20ª etapa da Volta a Espanha e um remoinho de emoções: o ciclista da AG2R Citroen Team foi alcançado pelos principais tubarões, mas conseguiu desenvencilhar-se novamente e garantiu a vitória numa jornada épica.

São 23 anos e um longo caminho a percorrer, um pouco à imagem de Vansevenant. Não se prevê uma explosão total para o próximo ano.

A ideia de que estes nomes ainda se estão a ambientar a este nível é lógica, contudo, as “poucas” mostras de qualidade deixam água na boca. Que Champoussin promete tornar-se um dos ciclistas franceses de primeira linha nos próximos anos, isso promete!

7. ETHAN HAYTER (23 ANOS)

Ainda que longe dos principais radares, Ethan Hayter é mais uma joia exportada da realeza britânica. Exibições de grande luxo na Volta ao Algarve, Volta a Andaluzia e na Volta à Grã-Bretanha atestaram as capacidades de uma reconhecida promessa da Ineos-Grenadiers.

Com concorrência de maior ou menor gabarito, de prova para prova, o jovem de 23 anos colecionou oito vitórias esta temporada, destacando-se o triunfo na geral da Volta à Noruega e o título nacional de contrarrelógio de elites.

Indicadores como estes dão razão à futurologia dos “experts” britânicos: está encontrado o próximo nome grande de Inglaterra para as competições de uma e, quiçá, três semanas.

É prematuro antever uma evolução a este nível, mas a maturidade e facilidade com que Hayter se está a entrosar no World Tour fazem prever um ciclista de nomeada, seja qual for o objetivo primordial para o seu futuro.

6. TOM PIDCOCK (22 ANOS)

Talvez o nome mais ilustre entre os nomeados. Originário do cyclo-cross, recentemente campeão olímpico de MTB e portador de uma série de prestações sólidas em várias das melhores clássicas do calendário de estrada, vencendo a De Brabantse Pijl – La Flèche Brabançonne frente a Wout van Aert.

Não foi um ano de explosão, nem propriamente de revelação. Se observarmos os padrões de resultados de um atleta de ciclismo que tem um passado recente brilhante no Mountain Bike&Cyclo-Cross, 2021 serviu de tapete vermelho para a sua transição para o ciclismo de estrada.

Potência, velocidade de ponta e condições para discutir corridas dentro de uma das estruturas mais solidificadas do pelotão mundial.

Pidcock tem material para se afirmar como discípulo da “febre” MVDP vs WVA, faltando apenas perceber qual será a verdadeira aposta do inglês na estrada daqui em diante.

5. GINO MADER (24 ANOS)

O suíço de 24 anos é encarado como uma promessa em fase de afirmação.

Em 2021, deu mais um passo nesse sentido e obteve duas vitórias (na Volta a Itália e na Volta a Suiça). Mais do que os triunfos, as exibições no comboio da Bahrain-Victorius no apoio ao líder Jack Haig na Volta a Espanha foram positivas, e ainda lhe valeram uma honrosa quinta posição na classificação final.

A par destes resultados, Gino Mader deixou a uma impressão de combatividade na estrada. Em termos de condições para se tornar um voltista no futuro, a especialidade no contrarrelógio parece não ser um entrave: anda ao mesmo nível em relação a grande parte dos “general contenders” da atualidade.

Com contrato até 2024 e um papel importante na formação do Médio Oriente, o próximo ano poderá abençoar a carreira de Mader com o papel principal numa das três grandes voltas! Ciclismo

4. MICHAEL STORER (24 ANOS)

Três vitórias na carreira, três vitórias em 2021. Michael Storer deu um salto enorme com as aparições triunfantes no Tour de l´Ain e na Volta a Espanha. Ao serviço da Team DSM, o australiano venceu de forma idêntica: com um ataque cirúrgico, chegando sozinho à linha de meta.

Este é um daqueles casos onde se espera uma evolução gradual nos próximos anos para um atleta que se predispõe a ser um caça etapas de renome no ciclismo.

Com contrato assinado com a Groupama-FDJ, as responsabilidades do jovem de 24 anos a curto prazo vão recair na necessidade da estrutura francesa em garantir vitórias no próximo ano.

3. LORENZO FORTUNATO (25 ANOS)

Do Monte Zoncolan para o Mundo… nasce uma estrela do ciclismo.

Lorenzo Fortunato e um romantismo puro foram responsáveis por brindar os fãs da modalidade com a conquista do italiano numa das subidas mais míticas, ao serviço de uma equipa de cariz secundário, a EOLO-Kometa.

Não se precipite, pois não é apenas uma vitória que faz com que Fortunato entre para esta lista. A própria renovação de contrato por mais dois anos, entretanto celebrada entre ambas as partes, verifica as esperanças num escalador com potencial para grandes feitos, na medida de ciclistas com tremendo potencial para disputar etapas nas grandes voltas.

Fortunato é o único ciclista de uma equipa que não pertence ao World Tour de ciclismo e que consta nesta lista.

Mais do que o grande feito que conseguiu, interessa colocá-lo como um dos futuros nomes grandes do ciclismo italiano, isto apesar de continuar mais dois anos fora de uma equipa do escalão máximo.

2. FLORIAN VERMEERSCH (22 ANOS)

A grande prestação de Florian Vermeersch no Paris-Roubaix espantou muita gente. Foi na própria estreia que conseguiu um resultado incrível, depois de uma corrida em que andou escapado uma imensidão de quilómetros. Ciclismo

Sonny Colbrelli “estragou” uma história de grande magnitude, contudo, as expectativas sobre este belga ganharam enormes proporções. Ciclismo

Se os “”comparsas” aqui mencionados realizaram uma época com resultados consistentes dentro do seu raio de capacidades/terrenos prediletos, Vermeersch teve muito perto de perpetuar uma temporada de adaptação, sem resultados dignos de registo.

O que esperar do ciclista da Lotto-Soudal é, por isso, incerto. 2022 será como um teste de fogo para o jovem apresentar continuidade e consistência no sempre difícil calendário de clássicas.

1. NEILSON POWLESS (25 ANOS)

Neilson Powless é o elemento mais velho desta lista. É um ciclista com vasta experiência World Tour, totalizando três grandes voltas no currículo e quatro participações em monumentos. Ciclismo

Presente com alguma consistência no pelotão desde 2019, a primeira vitória do norte-americano da EF Education-Nippo surgiu com estrondo: venceu a carismática clássica de San Sebastian, em Espanha. Ciclismo

Apareceu em bom plano nos campeonatos do mundo de ciclismo, categorizando-se como mais uma promessa dos Estados Unidos da América, à semelhança de Brandon Mcnulty.

O seu perfil enquadra-se em muitos dos anteriores ciclistas mencionados, mas importa referir que as caraterísticas evidenciadas até ao momento não definem o ciclista em si, sendo que em casos como o de Powless, Champoussin ou Storer, por exemplo, ainda existe um longo caminho a percorrer nesse sentido. Ciclismo

Ricardo Rebelo

Redação Bola na Rede · ver artigos