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La Vuelta #3: E tudo o Remco levou

Tiago Alexandre · 6 min

Foto: Quick-Step Alpha Vinyl Team

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A terceira semana para além de ser a última da prova, seria a mais decisiva, não só por estar o título de vencedor da Vuelta 2022 em jogo, mas também para se perceber até onde iria chegar o reinado de glória de Remco Evenepoel (Quick-Step Alpha Vinyl Team). Na semana anterior, as dúvidas ficaram praticamente desfeitas. Mas faltava a principal: conseguiria o belga vencer uma prova de três semanas?

A pergunta e a dúvida não reinavam apenas sobre o jovem da Quick-Step, também Juan Ayuso (UAE Team Emirates) era questionado sobre a possibilidade de, aos 19 anos, ser capaz de aguentar três semanas ao mais alto nível. Carlos Rodríguez (INEOS Grenadiers) também deixava dúvidas. E João Almeida (UAE Team Emirates)? Qual seria o papel do português? A forma do ciclista de A dos Francos tinha vindo paulatinamente a crescer e assim se esperava que continuasse.

Depois do último dia de descanso, a 16.ª etapa ligou Sanlúcar de Barrameda a Tomares. Esperava-se, também, um dia de pouco trabalho, com os sprinters a lutar pela vitória final. E assim… até aos derradeiros três quilómetros. À entrada da pequena, mas dura subida, que culminava na meta, o belga furou e ficou pelo caminho, protegido pela regra dos três quilómetros. Nessa altura Primoz Roglic (Jumbo-Visma) já tinha atacado e assim se manteve até partir o pelotão, reduzi-lo a um grupo de cinco elementos… e cair, nos metros finais. O esloveno foi ao chão num trambolhão enorme e a vitória acabou por sorrir, uma vez mais, a Mads Pedersen (Trek – Segafredo). Na geral tudo se manteve igual, embora Roglic tenha recuperado oito segundos.

O dia seguinte terminava novamente com uma chegada em alto, apesar das mais duras desta Vuelta já estarem percorridas. A etapa começou na noite anterior, quando a Jumbo-Visma remetia, via Twitter, a continuidade de Roglic para o dia seguinte, que não se veio a suceder. Assim, o ainda campeão em título abandonava a prova a cinco dias do final e deixava Evenepoel com uma vantagem confortável. Quanto à etapa propriamente dita, a fuga voltou a vingar e Rigoberto Urán (EF Education-EasyPost) voltou a vencer numa Grande Volta cinco anos depois. No pelotão, Enric Mas (Movistar Team) abriu as hostilidades na subida final, João Almeida seguiu-lhe as pedaladas, isolou-se e ganhou nove segundos ao líder.

As montanhas do centro de Espanha regressaram na etapa 18, com a uma subida de 2.ª categoria e duas de primeira, ambas no Alto de Piornal, a última a culminar com a meta. E é precisamente nesta escalada que se podia adivinhar que o dia pudesse sorrir a João Almeida: subida não muito comprimida, não muito inclinada, bem ao estilo do português. A tirada começou com uma fuga com 40 elementos que fazia prever o que iria acontecer. Carlos Rodríguez (INEOS Grenadiers) caiu e ficou em mau estado, juntamente com Jay Vine (Alpecin-Deceuninck), líder da montanha, que foi obrigado a abandonar.

A Emirates mexeu na corrida bastante cedo, a 85 quilómetros do fim, com João Almeida a lançar-se ao ataque com dois companheiros de equipa. O português foi progredindo, tanto a solo como com a importante ajuda de Ivo Oliveira e Marc Soler, e alcançou parte da fuga. A oito quilómetros da chegada, Evenepoel arrancou fortemente do grupo principal e rapidamente entrou no grupo de Almeida. Robert Gesink (Jumbo-Visma) foi o único forasteiro que conseguiu resistir e foi alcançado nos metros finais e o camisola vermelha acabou por levantar os braços.

A fechar a semana, a Vuelta continuou pelas montanhas de Madrid, num circuito em Talavera de la Reina que recebeu a partida e a chegada da 19.ª etapa. O dia começou novamente com um anúncio, mas desta feita a anunciar uma continuidade, a de Carlos Rodríguez. Numa etapa sem grandes sobressaltos, a vitória acabou por ser decidida ao sprint, com o inevitável Mads Pedersen a levar a melhor sobre Fred Wright, vencendo pela terceira vez nesta edição.

O dia decisivo da Vuelta 2022 estava marcado por cinco contagens de montanha em 181 quilómetros, a última das quais, de primeira categoria, a sete quilómetros da chegada. A verdadeira etapa rainha desta edição, a que iria proclamar o vencedor – termos que, por esta altura, estão na orla do dia –, começou com uma fuga de cerca de dez elementos e Carlos Rodríguez a perder contacto com o grupo numa fase em que faltavam… 145 quilómetros – o espanhol acabaria por reentrar. Na luta pela classificação da montanha, Richard Carapaz (INEOS Grenadiers) passou em primeiro no alto e levou a camisola às bolinhas para casa.

A cerca de 45 quilómetros do fim, a Movistar assumiu o comando do pelotão e Miguel Ángel López (Astana Qazaqstan Team) tentou o ataque, mas o grupo conseguiu resistir. Todavia, a 10 quilómetros da meta, conseguiu descolar, Rodríguez cedeu e João Almeida também atacou. Os dois voltaram a ser alcançados e, lá na frente, Carapaz voltou a vencer diante de Thyman Arensman (Team DSM), que havia saído do pelotão. Ayuso e Mas ainda ganharam dois segundos a Evenepoel, mas a vitória estava mesmo garantida. Já o português ganhou mais de um minuto a Rodríguez e ascendeu ao top-5 desta Vuelta, que teve o pódio mais jovem de sempre numa Grande Volta.

Por fim, a etapa da consagração em Madrid. Alejandro Valverde (Movistar Team) chegou à capital na frente do pelotão para ter a oportunidade de se despedir dos seus. Sem grande história no que há corrida diz respeito, o final acabou por ser ao sprint, com Sebastián Molano (UAE Team Emirates), o lançador de Pascal Ackermann, a bater Pedersen e o companheiro de equipa. Remco Evenepoel chegou a 11 segundos e foi coroado como o rei desta Vuelta.

Findados estes 21 dias de competição, Remco Evenepoel é a grande figura da Vuelta. Depois da lesão que sofreu e do tempo que esteve afastado das estradas, o belga nunca desistiu e mesmo sem ser considerado um corredor de três semanas, mostrou que o é, sem o ser. Um exemplo de superação que fica para a eternidade e dá uma Grande Volta à Bélgica 44 anos depois. Destaque ainda para Marc Soler – supercombativo eleito pela organização –, Jay Vine, Richard Carapaz, Mads Pedersen e Enric Mas.

Destaque ainda para a vitória de Annemiek Van Vleuten (Movistar Team) na oitava edição da Madrid Challenge by La Vuelta, a competição feminina. A neerlandesa conquistou a prova em 2021 e, nesta temporada, venceu as três Grandes Voltas. Elisa Longo Borghini (Trek – Segafredo) e Demi Vollering (Team SD Worx) completaram o pódio.

Foto de Capa: Quick-Step Alpha Vinyl Team 

Tiago Alexandre

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