Publicidade

Maria Martins: uma ribatejana nas “pistas” do sucesso | Ciclismo

Diogo Rodrigues · 4 min

Maria Martins - Jogos Olímpicos
Foto: FPA

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Para muitos uma das surpresas mais agradáveis dos Jogos de Tóquio no ciclismo de pista, ao conseguir um sétimo posto na prova de Omnium e consequente obtenção de um 15º diploma olímpico para Portugal.

Hoje dou-vos a conhecer um pouco mais da atleta que aos 22 anos é já sinónimo de qualidade e um valor seguro no panorama velocipédico nacional.

Foto de capa: FPA

DAS DIFICULDADES EM CONSEGUIR COMPETIR, ATÉ À CHEGADA AO “OLIMPO”! 

Nascida na freguesia de Moçarria, em Santarém, Maria Martins mostrou desde cedo a sua apetência para o desporto. Criada no seio de uma família pouco abastada, brincava com bolas de trapos, carros e  bicicletas de madeira, brinquedo que viraria obsessão anos mais tarde.

Voltando à sua infância na pequena aldeia sempre foi uma menina de família ajudando os pais tanto na agricultura, setor do qual faziam vida, como nas tarefas caseiras.

Seria pelos nove anos e enquanto passeava como pai, numa ida à cidade  que se fascinou ainda mais pelas bicicletas, regressando a casa com o desejo de aprofundar essa paixão.

Pouco tempo depois  e após muita insistência finalmente conseguiu convencer os pais a inscrevê-la numa escola de ciclismo, sendo a sua adaptação formidável e com resultados imediatos!

Maria Martins, aos dias de hoje “Tata”, assim conhecida no pelotão internacional, não passou em claro tendo começado a participar em competições Federadas, ainda que em escalões inferiores, aos 13 anos de idade.

Possuindo já então caraterísticas que pareciam ser como o puro algodão, não enganarem! A jovem começava a especializar-se com maior relevo na pista, vertente ainda em expansão por terras de Cabral.

No entanto e dadas as poucas posses, não era muito fácil conseguir condições para competir, com esta a declarar que só com um grande esforço, quer dos seus familiares mas também do seu corpo técnico, foi possível continuar.

Admitindo que por vários anos, principalmente enquanto jovem teve de pagar do seu próprio bolso para poder fazer o que tanto gozo lhe dava, uma realidade infelizmente ainda muito vista no nosso país quando em presença de desportistas de modalidades ditas amadoras.

Ultrapassada essa fase de enorme sacrifício e em que só o grande amor pelo desporto conseguiu prevalecer face às adversidades esta  passava a ser uma das principais, senão a principal, figura do ciclismo feminino em solo pátrio.

Sendo que a aposta internacional era cenário a equacionar, visto que tanta qualidade por ela patenteada teria de ser testada fora de portas, pois em Portugal percebia-se que tinha pouca concorrência fazendo resultados de monta tanto na pista, onde a conhecemos melhor, como na vertente de estrada.

Esse mesmo percurso que parecia estar escrito nas estrelas começava a desenhar-se com maior projeção corria o ano de 2016, aquando da sua estreia enquanto Sub23 num campeonato da Europa de Pista, onde Maria Martins afirmou o seu nome entre a elite da disciplina ao bater ciclistas de craveira internacional naquele escalão, alcançando a prata.

Feito que repetiria um ano mais tarde, mas desta feita em solo lusitano, em Anadia.

Os anos passavam, mas a qualidade essa só ia aumentando com as boas prestações mundialmente a irem de vento em pompa para Maria Martins!

A atleta seria ainda por mais duas vezes vice-campeã da Europa na Pista, na vertente de Scratch e de Omnium.

No entanto as raízes não seriam esquecidas , dado que em 2018 numa fugaz aparição na vertente de estrada, Maria Martins sagrou-se vice-campeã nacional, tanto na especialidade de contrarrelógio quanto na corrida em linha.

A ciclista de 1.65m é, e quanto às suas características, uma sprinter, all-rounder.

A corredora manteria a condição de excelência após uma sempre imprevisível ascensão ao patamar de elites, com a pista a passar, quase que em exclusivo, a ser o seu lar!

De resto é nessa disciplina que em 2020 nuns mundiais decorridos em Berlim, e após ser bronze no Scratch e repetir a façanha no Omnium, que Maria Martins carimbaria apuramento e como tal presença em Tóquio.

Isto, após ter ficado no degrau intermédio do pódio, um ano antes, em Apeldoorn, Países Baixos.

Quanto a taças do mundo, uma espécie de meetings quando comparado com o atletismo, “Tata” regista duas pratas em 2019 em Hong Kong, bem como um quarto posto uma semana após na Nova Zelândia.

Quanto a equipas integrou  entre 2018/19 a formação da Sopela Women’s Team, rumando de  seguida para a Drops, onde ainda se mantém.

Com garra, qualidade e um espírito competitivo invulgar, Maria Martins é um nome a fixar e que poderá conferir várias páginas douradas para o ciclismo e o desporto nacional.

Uma atleta sem dúvida a acompanhar!

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.