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Mundiais de Innsbruck 2018: Em busca do arco-íris

José Baptista · 5 min

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A Áustria recebe a edição de 2018 dos Campeonatos do Mundo de Ciclismo de Estrada. Ao todo, são 12 provas a serem disputadas em Innsbruck na região do Tyrol, com camisolas arco-íris a serem distribuídas por Juniores, Sub23 e Elites.

Neste artigo, olhamos para as quatro principais provas, as de Elites, e fazemos a análise aos percursos e aos favoritos. A juntar a essa visão mais geral, analisamos ainda as possibilidades dos portugueses brilharem nestes Mundiais.

Contrarrelógio Individual

Feminino

Conseguirão as holandesas um podium exclusivamente laranja? Esta é a grande pergunta à partida para esta prova, já que a seleção do país das tulipas se apresenta com a campeã mundial Van Vleuten, a campeã europeia Van Dijk e a medalhada de prata nas mesmas duas provas Van der Breggen (e têm ainda Lucinda Brand como uma das outsiders).

Fora destas três (e com Olga Zabelinskaya de fora), não é fácil encontrar candidatas que tenham a mesma regularidade, mas Trixi Worrack parece a ser a mais interessante de acompanhar. A veterana alemã tem-se mostrado consistente ao longo da época e pode causar aqui uma surpresa.

O percurso não é muito longo, o que poderia não favorecer as holandesas, mas é bastante ondulado com algumas subidas que servirão para quebrar ritmos e que dão ainda maior favoritismo a Van der Breggen e Van Vleuten, que são exímias quando o terreno inclina.

Favoritas 

*** Anna van der Breggen, Annemiek van Vleuten

** Ellen van Dijk, Trixi Worrack

* Lucinda Brand, Elisa Longo Borghini

Masculino

Também nos homens os holandeses são candidatos ao ouro, mas aqui a grande opção é só uma: Tom Dumoulin, campeão do mundo em título. Em mais uma época que está a ser formidável, com segundos lugares na Geral e vitórias de etapa no Giro e no Tour, quererá fechar com chave de ouro com nova exibição de gala nos Mundiais.

Pela frente, terá como principal oponente o australiano Rohan Dennis, que há alguns anos que se afirmou como um dos maiores especialistas no esforço individual (tendo já ganho cronos em todas as Grandes Voltas), mas a quem lhe falta o arco-íris para completar o currículo.

Com nomes fortes como Roglic ou Froome a não participarem, tudo parece mais aberto para o último lugar do podium, com vários ciclistas a perfilarem-se para essa luta. Quem o quiser fazer, terá de saber gerir muito bem o esforço, já que depois de uma primeira fase muito rápida, os ciclistas enfrentarão na segunda metade dos mais de 50 quilómetros de prova uma difícil subida com cerca de cinco quilómetros. Esta dificuldade deverá, em princípio, beneficiar quem sobe melhor como Dumoulin, mas mais importante que a qualidade como trepador será mesmo a gestão do ritmo.

Favoritos

*** Tom Dumoulin, Rohan Dennis

** Jonathan Castroviejo, Tony Martin

* Victor Campenaerts, Nelson Oliveira

Prova de Fundo

Feminino

Uma prova dura, mas bem mais curta que a masculina e, acima de tudo, sem a temível subida a Höll, o que já causou polémica. Ora, ainda assim, há dificuldades suficientes para fazer grandes diferenças.

No final dos mais de 2400 metros de desnível positivo acumulado e três passagens pela subida a Igls, com 7,9 quilómetros a 5,7% de inclinação, só uma grande surpresa dará outra campeã que não Anna van der Breggen ou Annemiek van Vleuten. As duas melhores trepadoras da atualidade são companheiras de equipa e quererão manter o título na Holanda, sucedendo a Chantal Blaak. Entre as duas, Breggen poderá levar a melhor pela sua maior aptidão para provas de um dia.

No entanto, há outras ciclistas que terão uma palavra a dizer no decurso da prova e que tentarão surpreender o duo dos Países Baixos. A sul-africana Moolman-Pasio teve uma época de afirmação e quererá confirmar o estatuto como uma das melhores do pelotão a subir. Bem diferente foi a época de Longo Borghini e a italiana quererá esquecer os vários azares e retomar o seu lugar entre a elite mundial.

Também a ter em conta são ciclistas como a muito jovem Cecille Uttrup Ludwig e muito veterana Amanda Spratt ou a recém vencedora do Tour de l’Ardéche, Kasia Niewiadoma e até Megan Guarnier, a líder da seleção americana e que procura a despedida de sonho para uma carreira recheada de sucessos e que chegará ao fim em Innsbruck.

Favoritas

*** Anna van der Breggen, Annemiek van Vleuten

** Elisa Longo Borghini, Ashleigh Moolman-Pasio

* Katarzyna Niewiadoma, Cecille Uttrup Ludwig

Masculino

Durante três anos, Peter Sagan foi Rei e Senhor da camisola arco-íris. Agora, chegou provavelmente a hora de passar o testemunho. O eslovaco estará em Innsbruck, mas seria uma surpresa enorme se conseguisse estar na disputa pelas medalhas.

Em vez disso, esta é a corrida mais aberta, com um sem número de candidatos credíveis a aguentar a dureza do percurso – 258,5 quilómetros e 4670 metros de desnível positivo acumulado. As sete passagens por Igls servirão para selecionar em muito a corrida antes de se chegar à temível ascensão a Höll, que tem porções a mais de 20% de inclinação. Esta subida deverá definir quem chegará à meta com possibilidades de vencer, seja um ciclista isolado ou grupo muito reduzido, no entanto, espera-se que seja já um conjunto muito selecionado o que chegue a Höll com possibilidades de triunfar.

Vincenzo Nibali seria indicado por muitos como o principal candidato, mas a queda no Tour dificultou-lhe a preparação e parece não chegar na melhor forma. O contrário poderá dizer-se de Simon Yates, recente vencedor da Vuelta, que dá esperança aos britânicos de repetirem o feito de 2012 por Cavendish.

O restante leque de candidatos é constituído por um conjunto de trepadores como Roglic e  Dumoulin ou classicómanos como Valverde, Alaphilippe ou Greg Van Avermaet.

Favoritos

*** Vincenzo Nibali, Simon Yates

** Primoz Roglic, Tom Dumoulin

* Alejandro Valverde, Julian Alaphilippe

Portugueses

Como já anteriormente debatido, Portugal decidiu apenas apresentar atletas nas provas masculinos. Para os Elites, a seleção nacional apresenta-se com outsiders nas duas provas.

No contrarrelógio, Nelson Oliveira foi quarto no ano transato e volta a aparecer esta temporada como um candidato a estar entre os primeiros lugares. Apesar de não ser dos maiores favoritos, o percurso parece assentar-lhe e com apenas dois grandes nomes à partida, poderá muito bem estar na discussão das medalhas.

Já na prova de fundo, Rui Costa quererá repetir a vitória de 2013, naquele que é o percurso que mais lhe assenta desde Florença. No entanto, esse é um cenário muito improvável, mas dada a conhecida capacidade de Rui Costa em provas longas e exigentes, há sempre uma possibilidade de termos uma agradável surpresa e vermos o melhor ciclista português salvar uma época que para já tem sido repleta de desilusões.

Foto de Capa: José Baptista/Bola na Rede

José Baptista

Redação Bola na Rede · ver artigos