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Os favoritos à conquista do Giro de Itália 2019

André Filipe Antunes · 8 min

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A Volta a Itália está quase aí, com isto pode-se dizer que as Grandes Voltas estão de regresso. Serão 21 dias duros, numa corrida tão emblemática para os fãs e com muitos anos de história. Para muitos amantes da modalidade, esta é a melhor prova em termos de espetáculo, no mundo do Ciclismo.

Esta que é a 102ª edição da prova, irá contar com cerca de 3.520 quilómetros de extensão total. Serão 22 equipas a competir, com um total de 176 ciclistas na estrada. A prova começará em Bolonha e terminará junto ao Coliseu de Verona. 

No último Giro, foi Chris Froome quem ficou no primeiro lugar da geral individual, o holandês Dumoulin ficou em segundo lugar e Miguel Ángel López fechou no terceiro posto.

Esta edição de 2019 está recheada de talentos e de qualidade dentro do pelotão. Falta então saber quem são os principais candidatos à vitória final!

Tom Dumoulin

Tom Dumoulin já venceu o Giro em 2017
Fonte: Team Sunweb

É sem dúvida alguma um dos homens mais fortes dentro do pelotão, com o intuito de vencer a Volta à Itália. Este ano o Giro vai contar com três contrarrelógios, que são a sua especialidade. 

Ganhou a Volta à Itália em 2017 e no ano passado ficou em segundo lugar, apenas atrás de um todo poderoso, Chris Froome.

Este ano ainda não conseguiu alcançar a vitória, no entanto já conta com alguns pódios. Nas duas provas por etapas que realizou, terminou em sexto no UAE Tour e em quarto no Tirreno Adriático. Conta apenas com 16 dias de corrida nas pernas, sendo que o foco principal dele seria sempre o Giro e por isso tinha que estar fresco para o que aí vem. 

Dado curioso: O Giro de Itália é a sua prova preferida.

Primoz Roglic

Que época avassaladora, o esloveno ganhou todas as provas em que competiu até ao momento! Começou com a vitória no UAE Tour (sua primeira prova do ano), em que liderou a prova do início ao fim. Conquistou o Tirreno Adriático, no último dia de competição e mais recentemente o Tour de Romandie. Ao todo nesta temporada, já leva cinco vitórias em etapas (contrarrelógios incluídos) e três gerais individuais! Tudo isto em apenas vinte dias de corrida, é obra!

Com três contrarrelógios, Roglic é um dos claros beneficiados desta situação de corrida. Está em Itália, com uma ambição e com uma forma nunca antes vista. É sem dúvida alguma, um dos principais favoritos à vitória final.

A Team Jumbo-Visma não é a equipa com um dos blocos mais fortes em torno do seu líder, mas têm conseguidos bons resultados e já demonstraram que são uma equipa coesa. O principal escudeiro de Roglic, será o belga Laurens De Plus.

Dado curioso: É a primeira vez que Roglic vai liderar uma equipa no Giro.

Simon Yates

No ano de 2018, o britânico andou de rosa desde a etapa seis à dezanove, onde acabou por ter uma quebra de rendimento até ao final da competição, ficando apenas no 21º posto da geral individual, no final da prova. 

É o atual campeão da Volta à Espanha e só por isso já diz muito das suas capacidades. Esta temporada, venceu uma etapa na Volta à Andalucia e ganhou o contrarrelógio individual no Paris-Nice.

Não leva o seu irmão para o ajudar, mas vai contar com a ajuda de nomes como: Esteban Chaves, o jovem Lucas Hamilton e o experiente Mikel Nieve.

Dado curioso: Por causa do deslize do ano passado, Simon já veio a público, dizendo que não vai correr de forma tão agressiva nos primeiros dias de competição.

Miguel Ángel López

O colombiano fechou no pódio tanto no Giro como na Vuelta do ano passado, ambas em terceiro lugar. Este ano, já ganhou a geral individual da Volta à Colômbia, uma etapa da Volta à Catalunha e a geral da mesma.

Mesmo havendo muito contrarrelógio neste Giro, López conseguir-se-á defender melhor em relação aos especialistas, isto porque serão contrarrelógios com muita subida.

A Astana leva um bloco forte no apoio ao seu líder, nomes como: Pello Bilbao, Dario Cataldo, Davide Villella, Jan Hirt e principalmente Ion Izaguirre serão preciosas ajudas nas pretensões da equipa.

Dado curioso: López nunca ganhou uma etapa no Giro.

Vincenzo Nibali

Nibali será provávelmente o nome em que os italianos depositam mais esperanças
Fonte: Milano-Sanremo

O “tubarão de Messina” já não vence há mais de um ano, é verdade, teve um ano de 2018 muito aquém das expetativas.  Mas o italiano nesta temporada encontra-se à procura de redenção e quer provar que ainda é capaz de lutar com os melhores. A par de Tom Dumoulin, são os únicos ciclistas que vão estar presentes nesta edição que já ganharam o Giro de Itália. No entanto Nibali é o único que já ganhou as três Grandes Voltas!

Nibali anda bem no contrarrelógio, mas não consegue obter as mesmas performances de Roglic ou Dumoulin, vai ter que se defender o melhor que sabe. Nas etapas de montanha, o italiano consegue andar com os melhores e vai ter uma armada italiana de peso para o ajudar, nomes importantes como: Valerio Agnoli, Damiano Caruso e principalmente Domenico Pozzovivo.

Nesta temporada, teve como melhores prestações, o oitavo lugar na Milan-Sanremo e a prestação na Liège-Bastogne-Liège em que fechou igualmente no oitavo posto. No Tour of the Alps, andou sempre com os melhores, fechando a geral individual no terceiro lugar e conseguiu ainda um segundo lugar na quarta etapa da prova italiana. 

Haverá muita gente na estrada a apoiar a Team Bahrain-Merida, visto que têm em Nibali, um dos ciclistas mais acarinhados dentro do Ciclismo italiano, as esperanças de uma boa prestação nesta edição.

Dado curioso: Nibali tem a alcunha de “shark” desde os escalões mais novos, devido ao facto de adorar correr ao ataque.

Outsiders

Alguns ciclistas merecem uma menção honrosa, para o que aí vem nestas três semanas de Ciclismo.

Mikel Landa (Movistar) –  O espanhol da Movistar tem uma vitória nesta temporada, na Settimana Coppi e Bartali. Conseguiu alguns pódios e fez um sétimo lugar na Liège-Bastogne-Liège. Vai ser o principal líder da Movistar, com as ausências de Quintana e Valverde.  Alcançou o pódio (3º lugar) no Giro de 2015 e em 2017 não foi além de um 17º lugar. 

Richard Carapaz (Movistar) – O equatoriano ganhou recentemente a classificação da Volta às Astúrias e uma etapa da mesma. O ano passado ganhou a etapa oito do Giro, terminando a prova num honroso quarto lugar. Certamente que vai liderar a equipa juntamente com Mikel Landa.

Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) – Majka não sabe andar mal no Giro, das três vezes que correu esta Grande Volta, fechou sempre no top dez. No primeiro ano (2013) acabou no sétimo lugar, na segunda vez que correu o Giro (2014), acabou em sexto, contudo foi em 2016 que alcançou a melhor posição de sempre com um quinto lugar. É um ciclista bastante consistente nas Grandes Voltas. No entanto, este ano, dos 25 dias de corrida que apresentou, ainda vimos pouco dele.

Depois das clássicas, Jungels vira-se para as Grandes Voltas
Fonte: Quick-Step Floors

Bob Jungels (Deceuninck-QuickStep) – O luxemburguês já andou de rosa em 2016 e 2017, acabando por fechar no top 10 nessas edições. Ganhou a etapa 15 em 2017 à frente de Quintana e Pinot. É mais um especialista no contrarrelógio, portanto tem aqui um percurso este ano, à sua altura.

Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) – O russo já ganhou uma etapa no Giro em 2015 e alcançou um quinto lugar na geral em 2017. É a principal aposta da Katusha e pode ser um ciclista a intrometer-se nos lugares do top dez.

Ion Izaguirre (Astana) – Este ano, já ganhou a Volta à Comunidade Valenciana e a Volta ao País Basco. Ficou em segundo na geral individual da Volta à Andalucia, apenas atrás do seu companheiro de equipa, Jakob Fuglsang. Ganhou uma etapa no Paris Nice e já alcançou vários top dez. Claramente um nome a apontar para os primeiros dez da geral individual.

Bauke Mollema (Trek-Segafredo) – É um ciclista muito combativo, já fechou em sétimo lugar no Giro de 2017 e conta já com muita experiência em Grandes Voltas. Este ano tem aparecido várias vezes no top dez, como no caso da Flèche Wallone. Conta apenas com 22 dias de corrida nas pernas e aponta a um lugar nos primeiros dez, caso não consiga, poderemos vê-lo nas últimas semanas a tentar caçar etapas.

Possíveis surpresas

Masnada conquistou duas etapas no Tour of the Alps
Fonte: Tour of The Alps

Fausto Masnada (Androni-Giocatolli) – O italiano de 25 anos, tem conseguido alcançar bons resultados nesta temporada. A sua boa prestação no Giro di Sicilia e as duas vitórias alcançadas no Tour of the Alps colocam o promissor italiano como uma das possíveis surpresas neste Giro 2019.

Davide Formolo (Bora-Hansgrohe) – O italiano fechou top 10 em 2017 e 2018. Esta temporada venceu uma etapa na Volta à Catalunha e fez segundo lugar na Liège-Bastogne-Liège. É um ciclista que dá garantias de pelo menos tentar lutar por algumas etapas.

Thomas De Gendt (Lotto Saudal) – Já leva duas classificações da montanha este ano (Volta à Catalunha e Paris-Nice) e ganhou a primeira etapa na Catalunha. Não corre o Giro desde 2014, mas é um dos ciclistas mais combativos do pelotão e um bom resultado disso foi o pódio no Giro em 2012, após ter andado várias vezes em fuga.

Jan Polanc (UAE-Emirates) – Não tem tido um início de época muito fulgurante, apenas com alguns top dez alcançados. Já correu quatro vezes o Giro de Itália, sendo que a melhor classificação final foi um 11º lugar. Ele será o homem da equipa quando o terreno começar a inclinar, a par de Ulissi, visto que a aposta principal passa pelos sprints de Fernando Gaviria.

Mattia Cattaneo (Androni-Giocattoli) – Boa prestação no GP Industria & Artigianato com um segundo lugar, três top dez no Tour of the Alps, acabando em quarto lugar da geral e a conquista do Giro dell`Appennino fazem com que Cattaneo seja um nome a ter em conta neste Giro.

Valentin Madouas (Groupama-FDJ) – Jovem francês, será esta a aposta da FDJ neste Giro.  Tem estado a andar bem nas provas do calendário francês e andou com os melhores em algumas etapas na Volta ao País Basco, no entanto, um resultado que sobressai, foi o seu oitavo lugar na Amstel Gold Race. Esta vai ser a sua primeira Grande Volta.

Sam Oomen (Team Sunweb) – Principal escudeiro de Tom Dumoulin. As suas melhores prestações nesta temporada foram no Algarve. Tem apenas 17 dias de corrida, sendo que deverá estar fresco para as semanas que se aproximam. Apenas correu no Giro uma vez, em 2018, acabando no nono lugar.

Pavel Sivakov e Tao Hart (Team INEOS) – Foram primeiro e segundo respetivamente no Tour of the Alps, dois jovens ciclistas que têm aqui uma montra única e a oportunidade de brilharem. Na ausência de Froome e de Thomas, que vão defender a equipa no Tour de França, era a vez de Egan Bernal, mas uma queda deitou por terra as aspirações do colombiano. Para termos a noção, Sivakov e Hart apenas participaram numa Grande Volta, foi na Vuelta de 2018! Sivakov nem sequer terminou a prova e Hart acabou na 62ª posição. A equipa encontra-se ainda recheada de jovens talentos, com Iván Sosa, Jonathan Narváez e ainda Eddie Dunbar que podem acabar por se tornar alternativas.

Foto de Capa: Giro d’Italia

André Filipe Antunes

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