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No próximo domingo, dia de Páscoa, irá realizar-se a 119.ª edição do terceiro monumento do ano, o Paris-Roubaix, também denominado de “Inferno do Norte”. Esta prova mítica, com uma extensão de aproximadamente 260 km, inclui no seu traçado 30 setores de paralelo, cuja heroica passagem precede o desejo de glória eterna no velódromo de Roubaix.
São esperadas para este ano melhores condições atmosféricas do que aquelas verificadas em outubro de 2021, numa edição desta prova que foi absolutamente lendária e coroou, ao fim de sensivelmente seis horas de corrida, o italiano Sonny Colbrelli (Bahrain-Victorious), que recentemente teve de interromper a sua temporada devido a um problema cardíaco.
Para esta edição, espera-se, em virtude da provável ausência de precipitação, setores de paralelo mais secos e, por conseguinte, uma corrida mais tática do que no ano passado. Em mais um Paris-Roubaix que se deve assemelhar a um autêntico jogo de xadrez, é de crucial importância entender que “peças” podem ser especialmente perigosas e garantir o “xeque-mate”. Por esse motivo, tem como intuito este artigo o de apresentar alguns ciclistas a ter em conta para a corrida deste domingo.
Foto de Capa: Olympics
Artigo redigido por Miguel Monteiro
1. STEFAN KUNG (GROUPAMA-FDJ)
Küng Küng Küng Stefan Küng Küng Stefan Stefan Küng pic.twitter.com/7brYpmqrPe
— Équipe Cycliste Groupama-FDJ (@GroupamaFDJ) April 1, 2022
O contrarrelogista suíço de 1,93 m tem de ser claramente encarado como um competidor perigosíssimo para os adversários, tendo finalizado no top 10 quatro das últimas cinco corridas nas quais participou. A verdade é que Stefan já se tinha mostrado um corredor de grande valia nas clássicas, nos anos precedentes, mas, na presente temporada, deu claramente um ou dois passos em frente, no que às possibilidades de vitória numa clássica diz respeito. Apesar de não possuir grande pedigree no Paris-Roubaix, vítima também das vicissitudes da corrida, já ficou em 11.º em 2019 e pode beneficiar este ano da força do coletivo da Groupama nestas clássicas do Norte, que tem excedido grandemente as expetativas dos adeptos da modalidade e que tem como principais ativos Valentin Madouas e o próprio Stefan Kung.
2. MAGNUS SHEFFIELD (INEOS GRENADIERS)
💪 𝕊𝕙𝕖𝕗𝕗𝕚𝕖𝕝𝕕 𝕎𝕖𝕕𝕟𝕖𝕤𝕕𝕒𝕪 💪#BP22 @MagnusSheffield pic.twitter.com/6dyQBi0N5m
— INEOS Grenadiers (@INEOSGrenadiers) April 13, 2022
O norte-americano de apenas 19 anos, que perfará 20 dois dias após o Paris-Roubaix, tem vindo a surpreender com as suas exibições primorosas aqueles que o acompanham desde a sua chegada ao primeiro escalão do pelotão internacional, mas não os que o seguem desde a época de 2019, ano em que desempenhou um papel fulcral para que o seu compatriota Quinn Simmons (Trek-Segafredo) se tornasse campeão mundial de juniores em Harrogate. Quem o vê pedalar tem a clara sensação de que este será um grande campeão, pela capacidade física e leitura de corrida que tem vindo a demonstrar. Com uma vitória de etapa na Vuelta a Andalucia e um triunfo notabilíssimo na Brabantse Pijl (há dois dias), aguarda-se com expetativa o que Magnus pode vir a fazer na sua estreia no Paris-Roubaix.
3. FLORIAN VERMEERSCH (LOTTO SOUDAL)
First post-race emotions of hero @FlorianVermeers at the velodrome. @Paris_Roubaix pic.twitter.com/CELV40pjIC
— Lotto Soudal (@Lotto_Soudal) October 3, 2021
No jovem belga natural de Ghent residem, porventura, as maiores esperanças da equipa para obter um lugar no pódio desta edição do Paris- Roubaix. Florian, integrante da estrutura da Lotto desde 2020, saltou para a ribalta em outubro do ano passado quando, depois de já ter integrado a fuga do dia do Paris-Roubaix, conseguiu, com todo o mérito, acompanhar as investidas de Mathieu Van Der Poel (Alpecin-Fenix) nos últimos setores de empedrado da prova para finalizar em segundo lugar no velódromo, apenas atrás de Sonny Colbrelli. Mesmo não tendo, até ao momento, obtido resultados dignos de destaque esta época, a sua qualidade não pode ser menosprezada e pode, eventualmente, “tirar um coelho da cartola” no domingo e intrometer-se na luta pelo pódio, o poderia ser preponderante para uma possível manutenção da Lotto no principal escalão do ciclismo internacional.
4. FILIPPO GANNA (INEOS GRENADIERS)
Filippo Ganna entrena en el velódromo con el seleccionador 🇮🇹 Marco Villa. Hacen intervalos detrás de la 🏍 para simular los esfuerzos de los segmentos de pavé de #ParisRoubaix
Entrena con 60×16 que simula un 54×14 en pavé
Nota @Cyclingnewsfeed
Enlace ⬇️https://t.co/Ho169ru2mB— Goga Ruiz-Sandoval (@BiciGoga) April 12, 2022
A presença do exímio pistard e atual bicampeão mundial de contrarrelógio em título é um dos principais destaques desta edição. Tendo já vencido em 2016 o Paris Roubaix para os atletas sub-23, dispondo de uma portentosa capacidade para gerar watts e estando integrado no bloco de clássicas do Norte mais temível (o da INEOS), será certamente um ciclista temido pelos adversários, que sabem que se o deixarem abrir uma distância de 100 metros, podem nunca mais lhe por os olhos em cima até à linha de chegada. Importa ainda destacar que Filippo tem estado esta semana a fazer um treino específico em pista, o seu habitat natural, numa tentativa de replicar os esforços duros e periódicos que caracterizam o “Inferno do Norte”.
5. ALEXANDER KRISTOFF (INTERMARCHÉ-WANTY-GOBERT MATÉRIAUX)
#SP22 🇧🇪
WHOOHOO!!!
ALEXANDER KRISTOFF WINS @Scheldeprijs AFTER 7 KM SOLO 🏆 pic.twitter.com/rRPErWVdP2
— Intermarché-Wanty-Gobert (@IntermarcheWG) April 6, 2022
O “Viking” norueguês, contratado este ano pela Wanty, é sempre inevitavelmente considerado para a disputa das posições cimeiras da prova, mas será ele capaz de obter a sua tão desejada primeira “pedra” no Velódromo? Depois de algumas épocas mais apagadas, Alexander tem vindo a renascer neste ano de 2022, com já uma série de resultados dignos de registo, sendo o seu último êxito uma vitória “sem espinhas” numa edição chuvosa do Scheldeprijs (no dia 6 de abril), na qual, imagine-se, não venceu a partir de um sprint, mas de uma fuga a solo nos últimos quilómetros, o que mostra uma capacidade notável do ciclista norueguês de se reinventar (nesta fase mais tardia da sua carreira), o que lhe pode ser útil para cortar a linha de meta antes dos adversários no domingo. Atenção a este Kristoff, que está motivado e já vislumbra no horizonte a possibilidade de acrescentar ao seu palmarés um terceiro monumento.
6. GUILLAUME BOIVIN (ISRAEL-PREMIER TECH)
FIGHTERS!@Tomvanasbroeck finishes 8th, @Guillaumeboivin 9th.
What an incredible race by the two fighters!#ParisRoubaix #YallaISN pic.twitter.com/e4KlsUdzJc
— Israel – Premier Tech / Israel Cycling Academy (@IsraelPremTech) October 3, 2021
O canadiano de 32 anos é um daqueles ciclistas que não é verdadeiramente um especialista no empedrado, mas que, num excelente dia, pode subir ao pódio em Roubaix. Guillaume, já três vezes campeão nacional de estrada do Canadá, deseja melhorar o seu nono lugar na corrida de 2021 e, com a ausência do seu sempre azarado colega de equipa Sep Vanmarcke da prova, será provavelmente o líder da equipa. Muito cuidado com este ciclista que, se estiver com as pernas da edição passada, na qual seguiu de forma prodigiosa os ataques assombrosos de Mathieu Van Der Poel e só foi afastado da luta pela vitória já nos últimos setores de empedrado (devido a uma queda), pode ser um sério candidato a fazer pódio.














