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Pré-Tour 2016: Froome e Quintana mais fortes, López surpreende na Suíça

Nuno Raimundo · 9 min

Pré-Tour 2016: Froome e Quintana mais fortes, López surpreende na Suíça

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Como em todos os anos, o Critérium du Dauphiné, o Tour de Suisse e a Route du Sud antecedem o grande Tour de France e aquilo que poderemos vir a ter dos maiores favoritos à vitória final. Este ano não foi exceção e se Froome e Quintana demonstraram a sua superioridade nas duas provas francesas, já Miguel López (que irá estar na Vuelta, em princípio), jovem de 22 anos da Astana, surpreendeu nomes como Izaguirre, Barguil, Van Garderen ou Rui Costa, e conquistou a Volta à Suíça.

Começando pelo Dauphiné, tivemos de início um Alberto Contador mais forte, vencendo o prólogo com mais 6 segundos do que Richie Porte e 13 segundos do que Chris Froome. O espanhol parecia estar bastante forte e a tarefa para Froome não seria nada fácil. A etapa seguinte trouxe uma vitória aguerrida da parte de Bouhanni, mostrando-se pronto para lutar com a concorrência que irá enfrentar no Tour – mais forte da que esteve nesta prova, claramente.

Nas etapas seguintes, tivemos duas excelentes vitórias, mas ambas um pouco inesperadas. Herrada não deu hipótese a outros trepadores e Aru, depois de perdido algum tempo, soube aproveitar uma oportunidade soberana para conseguir vencer uma etapa e tirar uma vitória que parecia “segura” para Kristoff. A etapa 4 terminou igualmente ao sprint e teve a vitória, desta vez, de Boasson Hagen, à frente do “jovem confirmação” (a “sensação” já passou, temos mesmo um corredor espetacular para ficar para os próximos largos anos) Julian Alaphilippe e de Nacer Bouhanni, que por pouco não conseguiu ter a sua segunda vitória.

Antes de chegarmos a uma das etapas mais importantes, é de destacar os segundos que Froome foi recuperando por estar realmente atento a pequenos cortes e aproveitar o posicionamento menos bom de Contador. Qualquer segundo é pode ser decisivo e Froome viveu com esse “lema” à risca nesta prova. Já na Volta à França do ano passado, o britânico aproveitou esses cortes de tempo para conseguir uma boa vantagem que lhe veio a ser extremamente útil para vencer o próprio Tour.

Alaphilippe foi um dos destaques da prova e o vencedor da camisola da juventude Fonte: Getty Images
Alaphilippe foi um dos destaques da prova e o vencedor da camisola da juventude
Fonte: Getty Images

Chegamos, então, às três etapas mais exigentes deste Dauphiné. Na primeira delas, Chris Froome levou a melhor sobre o seu ex-companheiro de equipa Richie Porte (ciclista, agora, da BMC) e demonstrou a toda a concorrência que estava mesmo ali para voltar a vencer a prova por uma histórica terceira vez (chegando ao recorde de vitórias, empatado com outros ciclistas). Em terceiro lugar, na etapa, ficou o também jovem Adam Yates, que promete lutar pela camisola da juventude no Tour deste ano e dar espetáculo nas montanhas.

Tendo em conta o tempo também perdido por Pinot e Bardet, a etapa seguinte serviu como uma forma de se “redimirem” do que havia acontecido. As qualidades dos dois ciclistas são conhecidas e realmente tiraram partido disso. As duas maiores esperanças francesas, provavelmente, para vencer o Tour nos próximos anos disputaram entre si a vitória ao sprint e ela sorriu a Thibaut Pinot, ciclista da FDJ. Froome não deu espaço aos seus adversários e só Daniel Martin lhe ganhou alguns segundos (nesta etapa, o próprio Froome chegou a ter perdida a camisola para Bardet, mas a Sky recuperou muito bem).

Na última etapa, a sensação de que a vitória não escaparia a Froome era quase certa, mas o pódio ainda estava em aberto, por exemplo. Numa típica fuga, Stephen Cummings, um hábito neste tipo de situações, soube controlar a corrida da melhor forma e vencer destacadamente a etapa. O homem da Dimension Data é daquelas que, muitas vezes, escolhe o dia correto para estar em fuga e para vencer nessa mesma fuga. Ou se não é numa fuga, é num ataque já nos últimos quilómetros. Impressionante, sem dúvida.

Tal como tinha dito, o pódio ainda estava em aberto e a verdade é que a “mentalidade agressiva” de Daniel Martin e Romain Bardet compensou e ambos tiraram Richie Porte para fora do pódio da geral individual final. Froome chegou seguro e, curiosamente, com o próprio Porte e com Contador. Para além da vitória de Chris Froome, há que destacar, novamente, os jovens Alaphilippe, Yates e Meintjes, 6.º, 7.º e 9.º classificado da geral, respetivamente. Excelente prova deste trio e a serem 3 bons exemplos de como o futuro está muito bem assegurado na modalidade.

A classificação dos pontos foi para Hagen, sendo que o eritreu Daniel Teklehaimanot voltou a vencer uma classificação das montanhas (um verdadeiro “especialista” nesta vertente) e Alaphilippe, perante a forte e apertada concorrência de Yates e Meintjes, conseguiu mesmo segurar a camisola da juventude. Por fim, a Sky foi a melhor equipa e com um bom avanço de todas.

O pódio final da prova que consagrou, novamente, Froome como vencedor Fonte: Facebook 'Cycling News'
O pódio final da prova que consagrou, novamente, Froome como vencedor
Fonte: Facebook ‘Cycling News’

Antes de voltarmos a solo francês, é preciso salientar o que aconteceu em solo suíço. O Tour de Suisse foi mais uma prova que começou com um contrarrelógio individual e Cancellara, a “jogar em casa”, venceu pela última vez uma etapa em terras suíças. O enorme apoio do público foi notável, principalmente aquando do fim da sua prova e por verem que ele tinha feito mesmo o melhor tempo. Ainda assim, Roelandts e Durbridge ficaram muito perto, a cerca de 1 e 2 segundos, respetivamente, do suíço.

As três etapas seguintes foram “designadas” para os sprinters e Peter Sagan aproveitou para vencer 2 dessas mesmas 3. A ter em atenção alguns cortes de tempo que existiram e que permitiram a alguns ciclistas favoritos ganharem logo uns segundos de vantagem. Quando Sagan se preparava para fazer 3 em 3, Richeze mostrou-se mais rápido (tal como Gaviria, que ficou em 2.º) e bateu o campeão do mundo.

A quinta etapa era para os homens mais fortes da geral e iríamos ter os primeiros “vislumbres” de quem estaria bem e menos bem, não se perspetivando muita perda de tempo, mas, ainda assim, qualquer segundo faz toda a diferença, como se sabe. Darwin Atapuma, ciclista da BMC e um dos principais agitadores do Giro d’Itália deste ano, teve finalmente a vitória merecida em solo suíço depois de frustradas tentativas na prova italiana. Já neste dia, Rui Costa não mostrava más indicações, conseguindo manter-se no top’10 da etapa. Pierre Latour, ciclista de 22 anos da AG2R e mais uma boa promessa francesa para o futuro (lembro-me de o ter mencionado há uns tempos atrás, para termos em atenção a forma como este jovem se irá desenvolver), era o novo camisola amarela.

Cancellara cumpriu e pode ter vencido uma etapa, pela última vez, “em casa” Fonte: pelotonmagazine.com
Cancellara cumpriu e pode ter vencido uma etapa, pela última vez, “em casa”
Fonte: pelotonmagazine.com

Mais uma etapa e mais uma fuga, sendo que, desta vez, o vencedor foi Pieter Weening. O holandês e Jordi Simon eram os melhores trepadores da fuga (Richeze ficou em segundo lugar da etapa, por exemplo) e esperava-se que correspondem a esse nível aquando da subida final. Simon ainda ficou apanhado por alguns homens da geral, mas Weening levou avante a sua corrida e conseguiu vencer nesta Volta à Suíça. Kelderman destacou-se dos demais concorrentes e era o novo camisola amarela da prova.

Nova etapa, novo vencedor e novo dono da camisola amarela. Van Garderen, na etapa anterior, tinha perdido algum tempo e causou uma surpresa na corrida devido a essa “quebra”. Mas a verdade é que correspondeu da melhor forma, no dia seguinte, e “salvou” a sua corrida com uma grande vitória nas montanhas. Barguil e López foram os que estiveram melhor dos homens da geral e o ciclista da Giant ficou, então com a camisola amarela depois desse dia. Rui Costa terminou a etapa num bom 7.º lugar e, assim, conseguiu chegar ao top’10 da geral individual, sendo que o 11.º classificado estava quase a 3 minutos do português, portanto, em princípio, teríamos o ex-campeão do mundo no top’10 final, restando saber em que posição.

Faltava um contrarrelógio montanhoso e ainda a última e decisiva etapa. No CR, esperava-se que Talansky e Izaguirre fossem os “vencedores do dia” e Cancellara mostrasse, novamente, a sua superioridade. A verdade é que todos eles fizeram grandes CR’s, mas Cancellara não venceu a etapa (Izaguirre mostrou uma incrível superioridade, batendo por quase 20 segundos o tempo do suíço), ficando em terceiro, e a maior surpresa do dia foi mesmo o segundo lugar da etapa para o jovem colombiano – mais um…incrível! – com apenas 22 anos e da equipa da Astana, Miguel Ángel López. Superou o tempo de um dos melhores contrarrelogistas de sempre e assumiu a liderança da Volta à Suíça!

O pódio final da prova que consagrou um surpreendente e bastante promissor colombiano  Fonte: velonews.competitor.com
O pódio final da prova que consagrou um surpreendente e bastante promissor colombiano
Fonte: velonews.competitor.com

A última etapa prometia espetáculo e, sem dúvida, ele apareceu. Vários ciclistas foram atacando à sua vez, até que Jarlinson Pantano se movimenta muito bem e, apesar de ainda ter tido ciclistas a chegarem consigo no final (Rui Costa incluído), mostrava ser o mais forte e realmente comprovou isso por fazer um sprint incontestável e ser o último vencedor de uma etapa desta edição (no final, até chorou por esta vitória bastante merecida para mais um talentoso colombiano). Izaguirre, Barguil e o “surpreendente” líder López (que fez questão também de ir atacando, mostrando, sem dúvida, que “a melhor defesa é o ataque”) chegaram uns com os outros, juntamente com Pantano, Chernetckii, Van Garderen e o próprio Rui, como já foi referido.

Feitas todas as contas, Miguel Ángel López, ciclista de 22 anos da Astana e mais uma das grandes promessas do ciclismo mundial, brilhou em terras suíças e venceu a sua primeira grande prova no panorama internacional, batendo vários adversários de “maior craveira”. Ion Izaguirre, ciclista da Movistar e segundo lugar nesta corrida, mostrou que as provas de 1 semana terão de ser a sua especialidade e Warren Barguil, terceiro classificado na geral, comprovou que estará no Tour para competir da melhor forma com todos os seus excelentes adversários pelo top’10 da geral individual. Rui Costa, vezes vencedor da Volta à Suíça, terminou em 7.º lugar na classificação final. O português não se mostrou tão bem quanto noutras edições, mas a verdade é que acabou por fazer, na mesma, uma boa prova e poderemos esperar coisas muito positivas da sua parte quando chegar o Tour.

Em relação aos outros vencedores, Richeze venceu a camisola dos pontos, algo que tem de ser destaque, principalmente quando o maior adversário foi Peter Sagan. Antwan Tolhoek, da Roompot, venceu a camisola da montanha e a Katusha (que teve em Spilak, o vencedor do ano passado desta prova e 9.º classificado nesta edição, pouca inspiração para mudar os acontecimentos, e um Chernetckii em boa forma a fechar o top’10 da geral) venceu o prémio da melhor equipa.

Para terminar, apenas destaque para a Route du Sud, prova francesa, onde o vencedor foi outro colombiano, um dos melhores ciclistas da atualidade, de seu nome Nairo Quintana. O ciclista da Movistar venceu com toda a categoria o CR individual e controlou todos os acontecimentos na “etapa rainha” da prova, ficando em segundo lugar dessa mesma etapa. Apesar da pouca concorrência, Quintana mostra-se preparado e em forma para finalmente conseguir vencer o Tour. Destaque, igualmente, para o 6.º lugar na geral do português Ricardo Vilela e, também, para o 18.º lugar de Frederico Figueiredo, ciclista da Rádio Popular Boavista.

Quintana venceu pela segunda vez consecutiva a prova francesa Route du Sud Fonte sbs.com.au
Quintana venceu pela segunda vez consecutiva a prova francesa Route du Sud
Fonte sbs.com.au

Por fim, fiquem atentos aos próximos dias, que iremos ter uma antevisão do grande Tour de France 2016, que começa já no dia 2 de Julho!

Nota: Tenho de salientar algo que aconteceu durante a Volta à Suíça. O canal em que ela foi transmitida, em Portugal, neste caso, a CMTV, achou que outras situações eram mais importantes do que o que estava a dar na televisão e, não estando com meias medidas, chegaram a dividir o ecrã em dois e a cortar o próprio som de quem estava a comentar a etapa (sendo que estava nos quilómetros mais decisivos e, curiosamente, naquela altura, acho que o Rui Costa tinha atacado). Obviamente que o que estava a acontecer “do outro lado” não teve culpa do sucedido. Mas achei um pouco “falta de respeito” para com todos os adeptos da modalidade e até mesmo para os próprios comentadores. Foi ciclismo, poderia ter sido outra modalidade. A questão aqui é a falta de bom senso, pareceu-me, e uma decisão bastante questionável para os responsáveis do canal em si. Como grande adepto de ciclismo, eu e muitos outros, achei que deveria dizer algo a respeito disto e até pode ser que no futuro não volte a acontecer, mas nunca se sabe…

Foto de capa: cyclingweekly.co.uk

Nuno Raimundo

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