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Quem são os favoritos à vitória na Vuelta?

André Filipe Antunes · 6 min

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Chegou a altura da terceira Grande Volta do ano, a La Vuelta! A prova terá o seu início neste sábado e após 21 etapas, num total de 3.272 quilómetros, terá a sua chegada a Madrid.

Esta será a 74ª edição da Volta a Espanha, num ano que a camisola vermelha fará dez anos de existência! A sua primeira aparição aconteceu em 2010, com o britânico Cavendish a envergá-la pela primeira vez.

Este ano, haverá muitas etapas de montanha, com oito chegadas em alto. Na quinta etapa irá haver diferenças significativas na geral individual, com o final a culminar numa montanha de primeira categoria, com 11,7 quilómetros a 7,5% de inclinação média.

Irão ser feitos dois contrarrelógios este ano. No primeiro dia será feito o contrarrelógio coletivo, com 13,4 quilómetros de extensão e no décimo dia de competição o contrarrelógio individual de 36,2 quilómetros em Pau.

Este ano a Vuelta contará com a presença de três corredores que já venceram a prova: Valverde (Movistar), Aru (Emirates) e Quintana (Movistar). E serão cinco portugueses que irão alinhar à partida da Vuelta: Domingos Gonçalves (Caja Rural), Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin), Nuno Bico e Ricardo Vilela (Burgos BH) e Nélson Oliveira (Movistar).

Uma novidade será a introdução da camisola branca para o melhor jovem da prova, tal como acontece no Giro e no Tour.

Muitas equipas este ano não apostaram na Vuelta, visto que não trazem o seu bloco de corredores mais forte, equipas como a: Team INEOS, Deceuninck ou a Mitchelton são alguns exemplos disso mesmo. No entanto, existem muitos nomes a ter em conta para a geral!

OS FAVORITOS

O esloveno é um dos principais favoritos à vitória final
Fonte: Giro d´Itália

Primoz Roglic (Jumbo-Visma) – O esloveno é um dos principais favoritos à vitória final. Anda bem na alta montanha e é um dos melhores no mundo na categoria do contrarrelógio. A Team Jumbo-Visma irá levar uma das equipas mais fortes para a competição.

Com Steven Kruijswijk que é uma opção válida também para ganhar a geral, com a experiência de Robert Gesink e George Bennett para a alta montanha, Sepp Kuss e Powless a apoiarem na média montanha, pode dizer-se mesmo que é uma equipa de luxo. Roglic este ano ganhou o UAE Tour, Tirreno-Adriático e o Tour da Romandia e está aqui com tudo, com o intuito de levar de vencida mais uma prova.

Miguel Ángel López (Astana) – Depois do Giro, o colombiano apenas correu a Volta a Polónia. Está em Espanha com pretensões a vencer a geral e traz um conjunto forte para a montanha. Com Fuglsang, irmãos Izaguirre, Luis León Sánchez e Omar Fraile a equipa apresenta-se com um dos blocos mais fortes. Este ano, venceu a Volta à Catalunha e a Volta à Colômbia. Agora, na Vuelta assume-se como um dos principais favoritos à vitória final.

Trio Movistar (Valverde, Quintana e Soler) – Parece-me aqui que o cenário vai ser diferente dos últimos anos. A Movistar sabe o que é ser uma equipa flop nesta competição e irá querer melhorar os resultados dos anos anteriores.

Valverde irá concentrar-se em vencer etapas e na camisola verde. Quintana irá tentar defender-se na alta montanha e perder o mínimo de tempo possível no contrarrelógio, mas a grande verdade é que o colombiano não tem estado ao seu melhor nível desde o Giro de 2017.

Provavelmente será aqui que irá aparecer Marc Soler, ele que será um dos principais líderes da equipa em 2020, com a saída de Quintana. O espanhol terá aqui uma oportunidade de ouro para se afirmar na equipa. Carapaz (vencedor do Giro) estava inscrito, mas foi removido devido a lesão.

O holandês fez uma grande Volta a França e agora está em Espanha para dar o seu melhor noutra grande volta
Fonte: Team Jumbo-Visma

Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma) – É um corredor extremamente consistente, conseguindo andar em provas de três semanas sempre com grande performance. Terminou em quarto lugar na edição do ano passado e este ano acabou no terceiro lugar do Tour de França. É um corredor sempre a ter em conta porque anda bem no contrarrelógio e na montanha.

Wout Poels (Team INEOS) – Na ausência de Thomas, Froome e Bernal, será o holandês o homem mais capaz para atingir um bom lugar na geral. A equipa leva Tao Geoghegan Hart e David De La Cruz para a prova, mas Poels dá mais garantias. Vai para a 14ª Grande Volta, tendo já acumulado muita experiência em provas de três semanas. Vai acompanhar certamente os melhores na alta montanha e como bom contrarrelogista que é conseguirá atingir uma boa classificação caso esteja no seu pico de forma.

Esteban Cháves (Mitchelton-Scott) – Na falta dos irmãos Yates, eis que aparece Esteban Chaves. O colombiano que venceu uma etapa no Giro deste ano. Teve um ano de 2018 complicado, mas parece que poderemos ter de volta o Chaves de outros tempos. Ele que andou a um bom nível no Tour da Eslovénia, apresenta-se com um bloco de apoio fraco em comparação com anos anteriores, mas certamente que irá tentar de tudo para alcançar um bom lugar nos melhores dez.

OS OUTSIDERS

Urán é a principal aposta da EF Education First
Fonte: EF Education FIrst

Rigoberto Urán (EF Education) – O colombiano fez um Tour consistente, terminando no sétimo lugar. Já não vence desde 2018, mas tem obtido vários top dez este ano. Urán nunca foi além do sétimo lugar numa Volta a Espanha, será que este ano faz melhor? Ele que vai com uma das melhores equipas para esta prova: Tejay Van Garderen, Dani Martinez, Hugh Carthy e Higuita. Todos eles são homens para acompanhar os melhores na alta montanha e de ajudar o seu colega de equipa.

Rafa Majka (Bora-Hansgrohe) – O líder da Bora-Hansgrohe já fez terceiro na Vuelta de 2015. Este ano leva uma equipa forte com vários ciclistas bons para a média montanha. Em 2017, estreou-se a ganhar uma etapa nesta prova, no alto da Sierra de La Pandera. Este ano, já fez vários top dez, incluindo um sexto lugar no Giro de Itália e um nono lugar no Tour da Polónia.

Sérgio Higuita (EF Education) – Um dos outsiders que deverá dar que falar, visto que tem andado a um nível muito elevado neste ano de 2019. O colombiano começou a época na Fundación Euskadi, acabando por mudar-se para a equipa americana. Está numa formação muito forte, mas com muitos homens a lutarem por si e não em torno de um teórico líder. À partida Urán será o chefe de fila, mas provavelmente será Higuita o melhor da Education First, que irá fazer a sua primeira participação numa Grande Volta.

Formolo (Bora-Hansgrohe) – O campeão italiano está a ter um grande ano a nível pessoal. Na Volta a Polónia, que foi corrida neste mês de Agosto, esteve a um bom nível acabando na sétima posição. Em 2016, terminou a Vuelta na nona posição, resultado que pode perfeitamente obter caso esteja em forma.

Pierre Latour vai ser o líder da equipa francesa, AG2R
Fonte: AG2R La Mondiale

Latour (AG2R)- Tem apenas 26 dias de competição este ano, tendo atingido a sua melhor prestação na Volta à Polónia, acabando na sexta posição. O francês será o líder da AG2R, tendo apenas corrido por uma vez a Vuelta, em 2016, acabando no 28º lugar. Não terá o melhor apoio nas montanhas, mas como bom trepador que é poderá andar com os melhores e quem sabe terminar no top dez.

Kelderman (Team Sunweb) – O holandês fez um bom começo de temporada no UAE Tour, no entanto, acabou por desiludir nas provas seguintes, não tendo mais recuperado a sua forma. A Team Sunweb tem sido um fracasso nesta época e terá aqui em Kelderman as esperanças de tentar salvar o ano de 2019.

Ion Izaguirre (Astana) – O espanhol já é um ciclista experiente em provas como esta. Fez a sua primeira Vuelta no ano passado, terminando no nono lugar. Este ano andou sempre bem no seu país, ganhando a Volta à Comunidade Valenciana e a Volta ao País Basco. Esteve muito perto de ganhar a Volta à Andalucia, tendo perdido apenas para o seu companheiro de equipa, Fuglsang. O seu líder será Ángel López, mas terá sempre margem de manobra para atingir uma boa classificação.

Óscar Rodríguez (Euskadi-Murias) – O basco fez uma grande Volta a Burgos, terminando no segundo lugar. No ano passado, ganhou a etapa 13 da Vuelta e, este ano, estará novamente com “ganas” para obter êxito. Muita atenção a este ciclista que tem apenas 24 anos, mas muita capacidade para seguir com os melhores na alta montanha.

 

Ciclistas a ter em conta para o top dez: Jesús Herrada (Cofidis), Tao Hart e David De la Cruz (Team INEOS), Aru e Pogacar (UAE Emirates), James Knox (Deceuninck-Quick-Step), Tejay Van Garderen e Hugh Carthy (EF Education First), Brambilla (Trek-Segafredo), De La Parte (CCC) e Nieve (Mitchelton-Scott).

Foto de Capa: La Vuelta

artigo revisto por: Ana Ferreira

André Filipe Antunes

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