Publicidade

Rúben: um guerreiro das estradas | Ciclismo

Diogo Rodrigues · 5 min

Foto: EF Pro Cycling

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

No presente artigo e após o brilhante desempenho na 108ª edição do Tour de France, a maior competição velocipédica à escala mundial, daremos destaque ao setubalense Rúben Guerreiro, uma das grandes esperanças da atualidade no Ciclismo luso.

Isto é, dando conta do modo como se iniciou, bem como do seu trajeto e pontos mais altos de uma carreira que ameaça tornar-se bastante gloriosa.

Foto de capa: EF Pro Cycling

O MENINO DE PEGÕES QUE QUER DEIXAR A SUA “PEGA” NA ALTA RODA DO CICLISMO MUNDIAL

Nascido há 27 anos na vila setubalense de Pegões Velhos, Rúben Guerreiro é hoje uma das maiores referências nacionais no escalão World Tour, divisão maior do pelotão a nível internacional.

Mas a relação entre Rúben e a bicicleta principiou bastante tarde para um desportista da sua qualidade.

Seria apenas aos 12 anos que esta paixão ganharia raízes dentro de Rúben, sendo que, de acordo com o mesmo, a bicicleta chegou a funcionar como meio de deslocação até ao seu estabelecimento de ensino.

Contudo, o talento de Rúben desde cedo saltava à vista, como se de um diamante raro por lapidar se tratasse.

O natural de Setúbal conquistou várias competições de elevado reconhecimento entre portas, das quais se destacam: várias etapas na Volta a Portugal do Futuro e o Grande Prémio Joaquim Agostinho, sucessos estes obtidos enquanto Sub23, ao serviço da formação da Liberty Seguros.

É na expectativa de atingir voos bem mais altos, de modo a concretizar o sonho de participar em grandes Voltas, que, em meados de 2014, se vê forçado a sair de Portugal.

De forma a rubricar contrato com a formação norte americana da Hagens Berman Axeon, onde estabelece parelha e amizade com João Almeida, a nossa “pantera cor de rosa”, recentemente 13.º na prova de estrada nos Jogos de Tóquio.

A Axeon apenas tem como meta formar ciclistas de elevada qualidade e lançá-los para o pelotão internacional. Seria no conjunto dirigido pelo filho do grande ciclista belga Eddy Merckx, Axel, que Rúben começaria a mostrar de que massa era feito!

Após duas épocas em que foi, ainda que sem o devido destaque, brilhando bem alto nas competições em que participava ao serviço da Axeon, acaba por despertar a atenção dos maiores “tubarões”.

Dito isto, assinou o seu primeiro contrato enquanto profissional com a equipa Trek-Segafredo, onde começa a gozar de maior reconhecimento e a ser presença assídua nos nossos ecrãs.

É precisamente em 2017, um ano após assinar com a estrutura norte-americana do World Tour, que o atleta de 1.78m, para estupefação do público especializado, consegue não só oferecer grande réplica, como acaba por vencer a nomes bem mais consagrados.

Passando  a ser ainda mais uma  figura de destaque nacional, no que ao Ciclismo diz respeito, apesar da sua tenra idade.

Não se pense que a caminhada ascensional do desportista pararia por aí, visto que a sua afirmação internacional, ainda que com papéis mais secundários, prosseguia, não deixando ninguém alheio a esse facto!

A clássica da Bretanha, prova bastante dura disputada em França, serviria de palco aos primeiros êxitos do atleta enquanto sénior em provas internacionais, tendo conquistado por dois anos consecutivos um sexto e um quinto posto.

Corria o ano de 2019 e Rúben Guerreiro mudava-se de armas e bagagens para a equipa russa da Team Katusha, na qual o ex-praticante José Azevedo era um dos seus principais rostos.

É nesse mesmo ano que  inaugura o seu calendário de participações em grandes Voltas, com tal situação a ser atingida na Vuelta.

Tal participação excederia as expectativas do próprio, fechando na 17.ª posição da geral, arrecadando um segundo posto numa tirada de alta montanha, bem como uma quarta posição numa etapa de média montanha.

Com a estrutura de capital soviético a finalizar a sua atividade, Rúben assina pela EF Education – NIPPO, mais conhecida do público por EF Education First.

Na nova formação, alinha na segunda grande Volta da carreira, neste caso o Giro, em 2020, no qual conquista a camisola de melhor trepador. E como se já não tivesse feito bastante para entrar para a eternidade, juntou-lhe uma vitória em etapa, a primeira e única, aos dias de hoje, numa das três grandes!

A presente temporada já o fez ir do oito ao oitenta.

Tudo porque na volta à Itália, prova que confessa admirar, acaba por, a meio da competição, ser forçado a abandonar devido a uma queda, que teve como principal consequência duas costelas fraturadas e quase a certeza de que a estreia no Tour teria de ser adiada, pelo menos uma temporada.

Mas como o nosso corpo em momentos de adversidade consegue resgatar forças onde muitas vezes não parece ser possível, fruto de uma recuperação altamente afincada, excecional, e na qual foram despendidas várias horas de sacrifício, foi contra todas as expectativas que Rúben Guerreiro fez jus ao nome integrando o pelotão do Tour.

Aí escreveu, mais uma vez, história, e por mais que uma razão.

Primeiramente, porque se tornou apenas no sétimo corredor de terras de Cabral a fechar entre os 20 na prova gaulesa, numa galeria em que também pontificam nomes consagrados.

Entre eles, José Azevedo, Joaquim Agostinho, José Martins, Alves Barbosa, Fernando Mendes e Rui Costa, terminando o evento na 18.ª posição.

Além de ter sido o “braço direito” do seu líder, colombiano Rigoberto Urán, fruto de um mau dia, já dentro da derradeira semana de competição perderia as hipóteses de pódio, concluindo no 10.º posto.

Contudo, ficará sempre a incógnita de como seria se Rúben Guerreiro não tivesse a missão de auxiliar o cafetero!

Como forma de concluir, creio que continuando a evoluir poderemos estar em presença de um “voltista”, sendo que, em conjunto com o caldense João Almeida, promete ser um forte candidato a fechar, num futuro não muito distante, com regularidade entre os melhores em grandes Voltas.

Rúben é um guerreiro na estrada e fora dela, que revela um talento inato e uma margem de crescimento ainda bastante assinalável, podendo, em breve, continuar a escrever mais capítulos de glória para o desporto lusitano.

Artigo revisto por Joana Mendes

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.