Publicidade

Tour de France 2016: De melhor ciclista para um futuro “maratonista”?

Nuno Raimundo · 8 min

Tour de France 2016: De melhor ciclista para um futuro “maratonista”?

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho modalidades

Mais um dia de descanso, mais uma “atualização” sobre o que se tem passado na prova mais mediática do ciclismo mundial.

Chris Froome mantém a camisola amarela, tendo apanhado ainda um grande “susto” na etapa do Mont Ventoux, quando, em circunstâncias normais, provavelmente até teria “fechado” a discussão da camisola amarela nessa etapa. Mas já lá vamos a esse dia.

Além disto, noutros “campeonatos”, Peter Sagan e Mark Cavendish mostraram-se como os nomes mais em foco a seguir ao próprio camisola amarela. Ambos procuram tirar o primeiro lugar a dois históricos ciclistas em duas vertentes importantes. Para quem não estiver a par, mais à frente, perceberão melhor.

O português Rui Costa tem continuado a tentar entrar em fugas e vencer etapas, até mesmo lutar pela camisola da montanha, mas, até agora, tem sido complicado. Ainda assim, é de se esperar que consiga ter uma “história mais feliz” nesta última semana, acredito que sim.

Voltando a fazer um “apanhado geral” pelas etapas, a décima etapa teve, novamente, uma fuga a ser bem-sucedida. Nessa mesma fuga conseguiram entrar nomes como Matthews, Sagan ou Hagen, portanto, sprinters/puncheurs. Tendo em conta a grande subida inicial mas depois o percurso mais “acessível” até ao fim, seria de prever que ciclistas assim pudessem entrar na fuga e vencer a etapa. Também ciclistas como Rui Costa, Mikel Landa ou Vincenzo Nibali conseguiram o “seu lugar” na fuga.

No final, devido a cortes e alguns ataques, os homens mais rápidos superiorizaram-se aos homens mais de montanha e discutiram a etapa entre si. Michael Matthews deu a vitória à Orica e bateu Sagan, Hagen, Avermaet e Samuel Dumoulin. Os seus colegas na fuga, Impey e Durbridge, fizeram um grande trabalho e tiveram a merecida recompensa. O australiano, graças a esta vitória, entrou para um “clube restrito” de ciclistas que já venceram etapas nas três Grandes Voltas.

Na etapa seguinte, onde se previa um sprint em pelotão compacto, houve “golpe de teatro” por parte de… Sagan e Froome, nem mais. Dois dos três ciclistas em maior foco deste Tour (a par de Cavendish) e dois dos meus três ciclistas preferidos (a par de Rui Costa, claro). Ambos, juntamente com um companheiro de equipa (Bodnar e Thomas), aproveitaram um corte no pelotão para se escaparem e ganharem uns bons segundos à concorrência, algo mais importante para o britânico, já que o eslovaco estava mais “preocupado” com a classificação por pontos e a vitória na etapa, que acabou mesmo por conseguir. Mas o mais “engraçado” foi mesmo ver o camisola verde e o camisola amarela a fazerem uma disputa ao sprint pela etapa.

Para mim, são estes pormenores que também explicam o porquê destes dois ciclistas estarem no lote dos melhores do mundo da atualidade. E, curiosamente, até então, Chris Froome ganhou tempo à concorrência…numa descida e numa etapa “plana”. Um ciclista verdadeiramente completo (tal como Sagan).

Chegamos, então, à etapa mais controversa, incrível e algo estranha deste Tour de France 2016 e que ficará para a história, sem dúvida alguma! Antes de ir aos “atores principais”, há que destacar mais uma vitória para uma fuga e a discussão da etapa entre Navarro, Pauwels e De Gendt. Este último, o ciclista belga da Lotto, venceu na raça, mesmo chegando quase a perder, a dada altura, as esperanças de tal possibilidade, conseguindo reerguer-se e lutar por esta vitória. Mal sabia ele que a sua vitória acabaria por passar um pouco para “segundo plano” depois do que iria acontecer uns instantes a seguir.

Froome e Porte conseguiram destacar-se do grupo dos favoritos, sendo que, uns minutos mais tarde, Mollema juntou-se a eles. Nairo Quintana quebrou e não conseguiu responder. Numa altura em que os 3 estavam a ganhar mais um bom tempo a toda a concorrência (com Froome e Mollema a destacarem-se no pódio e Porte a recuperar um lugar sólido no top’10) e ainda parecia que iriam ganhar mais, o inédito acontece…!

De repente, caem os 3 e tudo muda. Os “culpados”? Vários. Primeiro, um público, na sua generalidade, que não se soube comportar como deveria. Alguns estão lá mais para aparecerem na televisão do que para apreciarem um desporto como o ciclismo. Depois, o excesso e a proximidade das motos, que acabaram por também “ajudar” naquela situação, visto que Richie Porte foi o primeiro a bater numa das motos, porque ela teve de parar de repente para não atropelar nenhuma pessoa. Por fim, também tenho de atribuir algumas “culpas” à organização pela falta de segurança nos quilómetros finais. Barreiras exigiam-se. Só assim se poderia controlar melhor aquele imenso público. Esperemos que tenham aprendido a lição.

Chris Froome protagonizou um dos momentos mais caricatos do Tour Fonte: Le Tour de France
Chris Froome protagonizou um dos momentos mais caricatos do Tour
Fonte: Le Tour de France

Com esta situação toda, Mollema foi o menos azarado dos 3, levantou-se algo rápido, sem grandes estragos na sua bicicleta e continuou por ali afora isolado. Richie Porte teve de arranjar rapidamente a sua bicicleta, mas pouco depois já estava a pedalar. Mesmo assim, foi apanhado pelo grupo onde estava Quintana. E, para terminar, eu (e todos os que viram as imagens, fosse ou não em direto) vi o camisola amarela correr Mont Ventoux acima! Ninguém vai poder “tirar” essas imagens “épicas” e será algo para recordar para sempre (isto numa etapa onde André Greipel esteve destacado na fuga e até foi o primeiro a “atacar” já quase a chegarem ao Mont Ventoux…tem havido com cada coisa neste Tour, incrível!), sem qualquer tipo de dúvida.

Froome ficou com problemas na bicicleta, teve de trocá-la, o carro da Sky nunca mais chegava e, primeiramente, foi o apoio neutro a dar-lhe uma bicicleta, mas que não lhe servia. Finalmente lá chegou o carro da equipa e, com a ajuda de Henao, o britânico chegou à meta. Um dia, até àquela altura, que poderia ter logo terminado com as hipóteses de alguém conseguir chegar à amarela (porque, da forma como eles iam, acredito que fossem ganhar ainda mais tempo a toda a concorrência), acaba num verdadeiro pesadelo para Chris Froome – o ato que teve, depois de ficar sem bicicleta, é completamente compreensível se formos a ver todas as circunstâncias naquela altura e mostrou o quão grande é Froome, mas não deixa de ser uma reação bastante interessante para quem viu aquelas imagens, principalmente se as tiverem visto como eu, neste caso, em direto.

Mas, obviamente, que a polémica não iria ficar por aqui. Tinham de ser tomadas decisões sérias por parte da organização. Toda esta foi uma situação bastante peculiar e qualquer que fosse a decisão final não iria ser bem aceite por todos. Até ser decidido algo, demorou ainda algum tempo. Mas lá chegou a decisão final: Chris Froome continuaria de amarelo! Uma das razões principais para tal conclusão foi o facto de terem encurtado a subida, logo, as pessoas que deveriam estar num sítio tiveram de ir para outro e acabou por haver menos espaço para todos. Por isso, tendo em conta o sucedido e a forma como ocorreu, a organização optou por dar a Froome e Porte o mesmo tempo com que Mollema terminou a etapa.

Depois de todo esse inacreditável dia, chegou a altura para um contrarrelógio, que “começou” com a desistência de Thibaut Pinot, uma perda bastante significativa para o que resta da prova. Tom Dumoulin era o favorito, à partida, para esta etapa e não desiludiu, vencendo com mais de 1 minuto de avanço para o segundo classificado, o líder da Sky. Chris Froome aumentou ainda mais a vantagem que tinha para toda a maior concorrência na luta pela geral (em tom de curiosidade, se a organização tivesse optado por manter os tempos, o britânico, neste dia, voltaria a ser o líder da Volta à França) e Nelson Oliveira fez um excelente terceiro lugar e que mostra que o português está pronto para tentar dar uma medalha a Portugal nos Jogos Olímpicos, na especialidade de CR!

No dia seguinte, na teoria, a última discussão ao sprint em pelotão compacto antes da chegada aos Campos Elísios. Vitória para o homem que “renasceu” desde que foi para a Dimension Data, estou a falar, claro, de Mark Cavendish! Aquilo que parecia praticamente impossível está só a 4 vitórias de acontecer. O britânico fez um “póquer” neste Tour, conseguiu a sua 30.ª vitória na Volta à França e ficou apenas a 4 do lendário Eddy Merck. A continuação desta “história” terá de ficar para a próxima edição, visto que, hoje, o segundo ciclista com mais vitórias em etapas de sempre no Tour, decidiu não continuar em prova e recuperar para os Jogos Olímpicos que estão quase a chegar.

Mais uma etapa, mais uma vitória de uma fuga. Na chegada a Culoz, Jarlinson Pantano e Rafal Majka discutiram ao sprint a vitória. Majka teve de se contentar com todos os pontos que amealhou para a camisola da montanha, visto que o ciclista colombiano da IAM não deu hipóteses ao homem da Tinkoff.

Por fim, na etapa 16, tivemos Rui Costa, novamente, a tentar a sua sorte numa fuga que terminou para ele apenas a 4 escassos quilómetros do fim. Mas continuo a acreditar que o momento do Rui neste Tour ainda está para chegar. Os Alpes poderão ser o local ideal para o português brilhar! Em relação ao final da etapa, foi mais uma discutida ao sprint e com a vitória para…Peter Sagan, lá está. Alexander Kristoff ainda festejou, mas o photo-finish ditou que seria o eslovaco a fazer um “hattrick” neste Tour e a carimbar mais uma vitória e, mais do que provável, mais uma camisola verde “para a coleção”.

Sagan caminha a passos largos para conquistar a sua 5.ª camisola verde consecutiva (!) e ficará apenas a mais uma de empatar com o alemão Erik Zabel, vencedor de 6 camisolas verdes consecutivas no Tour entre 1996 e 2001, sendo que o eslovaco da Tinkoff, ao vencer a verde desta edição, ultrapassa, então, Sean Kelly, que conseguiu 4 camisolas verdes no Tour. E atenção: o campeão do mundo só tem 26 anos…! Um verdadeiro fenómeno, este Peter Sagan!

Peter Sagan com a camisola verde Fonte: Le Tour de France
Peter Sagan com a camisola verde
Fonte: Le Tour de France

Para terminar, em relação à geral individual, por agora, Bauke Mollema e o jovem Adam Yates (que também tem bastante segura a camisola branca da juventude) a mostrarem que estão numa forma muito boa e que são, neste momento, os mais diretos “perseguidores” do homem da Sky (equipa que tem igualmente feito um excelente trabalho, novamente) na classificação geral. O colombiano Nairo Quintana terá de dar espetáculo nestas próximas etapas se quiser ainda “virar as coisas do avesso” neste Tour. A luta pelo top’5/top’10 também irá ser equilibrada, parece-me. As camisolas é que dão a indicação de já estarem quase “fechadas”, pelo menos para quem poderá ser o vencedor.

Mas esperemos pelas últimas etapas deste Tour de France 2016. Com certeza, teremos mais espetáculo, emoção e alguma indecisão até ao fim da prova. Nada está completamente terminado e ainda poderemos ter algumas reviravoltas interessantes em relação a certos aspetos. É esperar para ver… Portanto, continuem por aí e voltaremos no fim desta Volta à França (provavelmente, com mais um podcast, esperemos). Aproveitem o que a última parte da melhor prova de ciclismo do mundo tem para dar!

 

Nuno Raimundo

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.