Outro ciclista que merece destaque depois da prova que fez dá-se pelo nome de Daniel Martin. O irlandês da Quick-Step foi dos que mais tentou atacar e mesmo após a infelicidade que teve na tal queda que tirou Porte deste Tour ainda conseguiu chegar a um excelente lugar na classificação geral individual. Foi 9.º no ano passado e 6.º neste ano, em que até teve uma queda que o podia ter tirado da discussão pela geral. Mas a verdade é que continuou a ser aquele que, do lote de ciclistas favoritos, tentou sempre fazer algo, quando podia, e mesmo sabendo das suas limitações nos contrarrelógios, conseguiu segurar um grande lugar na geral.

Há que recordar aos mais distraídos que Marcel Kittel, apesar de não ter terminado, ganhou 5 etapas e vestiu de verde durante vários dias, sendo, então, depois obrigado a abandonar devido a uma queda. Mas o prémio de melhor sprinter ninguém lhe tira e as vitórias que teve provam isso – tivesse chegado a Paris e provavelmente teria uma camisola e mais 1 ou 2 etapas consigo, apesar da grande concorrência de Michael Matthews.

O australiano, após a polémica saída de Sagan, passou a acreditar muito mais na possibilidade em conquistar a camisola verde e à medida que as etapas iam passando ia-se aproximando de Kittel. Ainda assim, com pelo menos mais 2 etapas ao estilo do alemão, não seria nada fácil para o ciclista da Sunweb tirar-lhe a camisola. Mas eis que uma queda muda tudo e Matthews não mais largou a camisola verde, conseguindo ser ele a quebrar a sequência de camisolas verdes do campeão do mundo.

Sky
Fonte: Sky

Curiosamente, a própria equipa do camisola verde também merece um grande destaque. A par da equipa da Sky, a Team Sunweb foi a melhor equipa deste Tour e levam para casa quatro vitórias em etapas e a classificação dos pontos e da montanha (através de Barguil). Após um ano de 2016 para esquecer, a verdade é que, neste caso, “depois da tempestade veio a bonança” e depois da vitória do Giro conseguem mais uma excelente prestação numa Grande Volta.

Infelizmente, a organização não reconheceu devidamente o enorme trabalho de um dado ciclista, mas aqui podemos fazer um pouco jus ao que foi a prova de Thomas De Gendt. Até o próprio público elegeu o belga como o mais combativo do Tour, mas nem assim o júri (maioritariamente de nacionalidade francesa…) foi ao encontro das expetativas da maioria do público e acabou por eleger Warren Barguil, que para mim até seria o segundo mais combativo, em vez do ciclista da Lotto Soudal, que bateu os recordes de quilómetros em fuga, com mais de 1000 km’s em situações assim.

Uma dupla de jovens merece igualmente um destaque. Simon Yates e Louis Meintjes lutaram pela camisola da juventude até ao fim, mas Yates sempre pareceu ter a situação controlada e após a vitória do seu irmão Adam, a camisola mantém-se na mesma família, sendo que Meintjes volta a ficar em segundo lugar. Ambos mostraram que poderão ser candidatos ao pódio no futuro da prova e que mereceram completamente um lugar no top’10 desta edição.

Por fim, uma situação que passa despercebida e é pouco destacada, mas a verdade é que neste ano as condições meteorológicas foram mais “amigáveis” para com todos os intervenientes deste espetáculo e ajudaram para que existissem melhores condições de corrida para todos os ciclistas, algo bastante importante.

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