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Wrestlemania Backlash: De desforra em desforra, faz-se um bom espetáculo!

Diogo Valente Vieira · 7 min

Foto: WWE

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O Wrestlemania Backlash teve lugar este último domingo no Dunkin Donuts Center, na cidade de Providence, em Rhode Island, e melhorou muito daquilo que nos foi apresentado na WrestleMania 38. O evento, apropriadamente denominado por este nome, contou com quatro desforras do espetáculo que ocorreu em abril e, em certa medida, superou a qualidade dos primeiros combates dos superstars.

Embora, à partida, o Pay-Per-View em si não parecesse excecionalmente emocionante, os fãs da modalidade tiveram o privilégio de assistir a uma das melhores lutas do ano até ao momento – entre Cody Rhodes e Seth Rollins. Houve também uma intrigante luta pelo Título Feminino do Smackdown entre Charlotte Flair e Ronda Rousey, num combate “I Quit”, o que significa que foi um pouco mais violento do que os confrontos tradicionais.

Enquanto que a Wrestlemania focou-se sobretudo nas disputas pelos principais títulos da WWE, o Backlash proporcionou um destaque especial para algumas revanches, pelo que poucas lutas no card com títulos em jogo. Por exemplo, AJ Styles teve uma segunda chance contra Edge, mas desta vez, Damian Priest foi impedido de prestar apio ao “Rated R Superstar” (e não, ainda não foi uma luta justa).

Por fim, o main event do Backlash foi a fase mais recente de uma rivalidade intensa, na qual a Bloodline (Roman Reigns, Jey Uso e Jimmy Uso) enfrentou Drew McIntyre e RK-Bro (Randy Orton e Riddle).

Foto de Capa: WWE

Artigo redigido por Diogo Vieira

CODY RHODES CORRESPONDE ÀS EXPECTATIVAS E VOLTA A VENCER SETH ROLLINS

Não há muito a dizer aqui para além de que estes dois arrasaram mais uma vez. Parece que todos os house shows em que trabalharam juntos fizeram maravilhas para desenvolver a sua ligação no ringue, porque este combate teve um ritmo praticamente impecável.

As transições de momentos de descanso para outras sequências de manobras mais acelaradas foram perfeitas e os contra-ataques no final do combate exigiram uma técnica muito acima da média. Se existir alguma lacuna que possa parcialmente condicionar a qualidade desta luta, seria o non-selling da manobra finalizadora  «Cross Rhodes», por parte de Seth Rollins, já no final da disputa.

Na WrestleMania, o que tornou o final memorável foi o facto de que foram necessários 3 «Cross Rhodes» consecutivos para o “American Nightmare” acabar com as aspirações do “Visionary”. Aqui, Seth sofreu um finisher na sua totalidade, apenas para no imediato regressar à ofensiva, sem mostrar quaisquer efeitos daquela que é a principal arma no arsenal do seu adversário.

Não obstante, esta foi uma abertura excelente que deixou o público empolgado. Provavelmente encontra-se um nível abaixo da sua exibição na WrestleMania, mas esse ato era difícil de igualar, devido ao retorno triunfante de Cody.   Independentemente disso, foi, sem sombra de dúvidas, o melhor combate da noite

Classificação: 9/10

NO DUELO ENTRE TITÃS, MVP FOI FATOR-CHAVE

Este foi um esforço muito melhor e com um ritmo mais fluído do que o comabte insípido na WrestleMania, em grande parte devido à veterania de Bobby Lashley que permitiu controlar relativamente bem os diferentes momentos do combate.

Ainda assim, claramente Omos ainda precisa de bastante tempo para desenvolver as suas capacidades enquanto lutador profissional. A sua técnica é deficiente e a rapidez de movimentos é quase inexistente, aspetos que infelizmente que não compensados pela sua enorme estatura física.

As suas manobras, inclusive, não aparentam ter o impacto essencial para dar a ilusão de um poderio e atleticismo ao mais elevado patamar. Para piorar, foi a intervenção de MVP que permitiu a vitória de Omos, um aspeto comprometedor na apresentação de uma personagem que, supostamente, deveria transmitir uma sensação de domínio constante, sem fraquezas, e que não precisaria de ajudas exteriores para garantir as suas conquistas.

Lashley fez de tudo para se certificar que este seria um combate no mínimo decente, mas nem o “Almighty” é capaz de fazer milagres assim tão grandes. Uma pena, especialmente tendo em conta que o antigo Campeão da WWE merece estar envolvido em rivalidades de maior prestígio e mediatismo.

Classificação: 3.5/10

O “JUDGEMENT DAY” DE AJ STYLES

Esta luta foi sólida, mas, mais uma vez, sofreu um pouco do mesmo problema que contaminou o combate destes dois atletas na WrestleMania: o ritmo é muito metódico para o gosto do público.

Edge afirmou no passado que nesta sua última passagem pela WWE quer concentrar-se mais nas narrativas mais detalhadas em torno dos combates, aspeto este com presença assídua nas suas últimas lutas. Claramente, o “Rated R Superstar” queria que o foco do embate fosse em tirar proveito da lesão em um dos ombros de AJ Styles, um trabalho que foi possibilitado graças ao ótimo selling por parte do “Phenomenal One” mas que pode diminuir o interesse de fãs à procura especificamente de ação sem interrupções.

Por outro lado, esta é uma luta interessante para outros amantes do desporto porque foi tão old school quanto possível, um estilo diferente ao que estamos habituado na era moderno do wrestling profissional, com cada lutador a procurar desgastar certas partes do corpo, alternando manobras de submissão, etc. Edge e AJ trouxeram uma intensidade própria de um combate dos tempos clássicos da modalidade, uma luta assumidamente técnica e cativante, mesmo que não esteja no mesmo nível de Seth vs. Cody.

No fim, foi mais uma vitória para Edge e um rumor confirmado. A apresentação de Rhea Ripley como o mais recente membro do grupo liderado por Edge foi um acontecimento relativamente previsível, mas bastante positivo. Rhea é oficialmente heel agora, tem um carisma e imagem distintas e pode olhar para a oportunidade de trabalhar com um dos melhores lutadores de todos os tempos como uma forma de revitalização da sua carreira.

Classificação: 7/10

ROUSEY DESTRONA FLAIR

Esta foi uma exibição muito melhor do que a luta na WrestleMania e a estipulação certamente ajudou. Normalmente, combates «I Quit», pelo menos na sua encarnação moderna delas, não têm tido o impacto que deviam produzir, uma vez que o ritmo é muitas vezes terrível de gerir.

Em muitas ocasiões, este tipo de lutas sofre com as ações dos árbitros, que abrandam a velocidade de um confronto supostamente mais barbárico e violento a cada soco ou suplex. Felizmente, houve desta feita mais paciência e o árbitro esperou até que as manobras altamente impactantes fossem completadas ou que as técnicas de submissão estivessem totalmente aplicadas para intervir no espetáculo.

A luta foi física, contou com a utilização de muitas objetos de adereço, teve drama externo e contou com grandes sequências de finalização típicas das duas lutadoras. Foi uma verdadeira rixa, no sentido tradicional do termo.

Em última análise, a pessoa certa acabou por sair vitoriosa e o embate entre as duas maiores figuras da divisão feminina do SmackDown foi realmente ótimo – facilmente o segundo melhor combate da noite.

Classificação: 8.5/10

HAPPY MADCAP MOSS, SAD CORBIN

O resultado foi bastante óbvio, naquele que foi um mero aperitivo antes da passagem para o evento principal da noite. Esta foi uma luta que poderia facilmente ter acontecido no SmackDown ao invés de retirar tempo de antena a atletas com rivalidades bem mais desenvolvidos atualmente, então é tudo o que tenho a dizer sobre isso.

Madcap sai com a imagem fortalecida. Corbin permanece sem mudanças significativas. Em suma, nada de especial, é o que é.

Classificação: 5/10

WE THE ONES!

Este foi um grande evento principal, que superou muitas expectativas. Esperava-se algo ao nível de um combate habitual de house show, um onde os Usos fazem a maior parte do trabalho apenas para Roman ficar à margem durante a maior parte do tempo, entrar no final e acertar os seus melhores golpes.

Mas esta foi uma luta fantástica que contou com grandes contribuições de todos os seis atletas envolvidos: RKO de Randy em Reigns; Claymores de McIntyre por toda a parte;. um cardápio interminável de superkicks dos Usos e um RKO de Riddle da corda superior do ringue.

Honestamente,foram demasiados os momentos para descrever ao detalhe. Foi um excelente ritmo e ação crescente ao longo de toda a luta, que gradualmente se intensificou à medida que progrediu e que terminou com mais um triunfo da Bloodline (Reigns e Usos).

Não há dúvida de que Drew e Roman estão a ser preparados, provavelmente, para um grande evento no verão, no qual vão disoutar entre si o Título de Campeão Mundial da WWE. A grande questão é quem desafiará os Usos, porque fora dos RK-Bro, não há literalmente ninguém que esteja pronto enfrentar os Campeões de Tag Team do SmackDown. Independentemente disso, tivemos um combate que encerrou este pay-per-view da melhor forma.

Classificação: 8/10

Diogo Valente Vieira

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