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A WWE regressou à Arábia Saudita para o terceiro evento na parceria de 10 anos com o país. Intitulado Super ShowDown, o cartaz reuniu nomes fortes da companhia que voltaram à ação para mais um combate nas suas longas e conceituadas carreiras. No fundo, foi tudo um pretexto para satisfazer os sauditas, que nesta altura assumem o controlo da companhia, ao dizer o que querem e como o devem fazer. Caso contrário, há problemas e a empresa sabe que os tem de evitar ao máximo.
Uma vez mais, o espetáculo foi envolto em polémica, pelos motivos já habituais: por um lado, a elevada quantia que os lutadores que recebem e que constituem o mote principal para estarem presentes e, por outro, o facto das lutadoras femininas estarem completamente banidas do evento, a não ser que estejam completamente cobertas ou que o reino autorize a sua presença, algo que era para acontecer este ano, com Alexa Bliss e Natalya, mas não foi o caso, uma vez mais.
Sem grandes rodeios, o Super ShowDown, nome reciclado do evento realizado na Austrália em 2018, foi um espetáculo dececionante. Com exceção de três combates, que já perceberão quais, o cartaz ficou muito abaixo do que poderia entregar, com maior destaque para o péssimo main event, entre duas lendas da indústria, que deviam pensar duas vezes antes de entrar num ringue nesta fase da carreira, em que a reforma definitiva é a única opção.
Nota do evento: 3/10
Kickoff: The Usos (Jimmy e Jey Uso) derrotaram The Revival (Dash Wilder e Scott Dawson)

Fonte: WWE
Combate de equipas muito básico e estruturado a um ritmo veloz, com bastantes kickouts num curto espaço de tempo. A vitória dos irmãos era a aposta certa e foi o que aconteceu, como forma de animar os sauditas presentes para o início do main card.
Nota: 3/10
Seth Rollins © derrotou Baron Corbin (WWE Universal Championship)/ Brock Lesnar tentou o cash-in, mas não foi bem sucedido

Fonte: WWE
Bom combate para abrir o evento, mas que se situou apenas num patamar satisfatório. A história foi bastante simples: Corbin castigou o lesionado Rollins por um bom bocado, mas o campeão recuperou o ímpeto a seu favor. Após demasiados protestos com o árbitro, o “Lone Wolf” sofreu um roll up de Rollins para reter o título. Depois disso, o candidato voltou ao ringue e atacou o “Architect”, deixando-o à mercê de Brock Lesnar, que apareceu de seguida para o cash-in, com uma cadeira na mão e devidamente acompanhado por Paul Heyman. No entanto, a investida correu mal. Heyman, que carregava a mala, tropeçou à entrada do ringue, e distraiu Lesnar sem intenção. Rollins conseguiu dar a volta com um low blow que deixou a Besta estendida, apoderou-se da cadeira e aplicou vários chair shots, seguido de um Curb Stomp para terminar o segmento.
Nota: 6/10
Finn Bálor © derrotou Andrade (WWE Intercontinental Championship)

Fonte: WWE
O segundo de três combates por títulos colocou frente a frente Andrade e o “Demon” e também campeão Finn Bálor. Nesta fase, a fasquia estava alta e os dois atletas não desiludiram. Foi, sem dúvida, a melhor exibição e deixou a prometer mais um ou dois combates semelhantes, com o mesmo entusiasmo e emoção que apresentaram. A vitória de Bálor, enquanto “Demon” era esperada, embora uma troca de título não fosse de todo descabida. Quem sabe, no futuro!
Nota: 8/10
Shane McMahon derrotou Roman Reigns

Fonte: WWE
A batalha entre Roman Reigns e Shane McMahon foi simples, curta e concisa, no sentido em que foi exatamente aquilo que se estava à espera. Shane contou com a presença de Drew McIntyre no canto e foi o escocês que decidiu o resultado, ao aproveitar uma distração do árbitro para aplicar o Claymore Kick em Reigns e dar a vitória a Shane McMahon.
Nota: 5/10
Lars Sullivan derrotou Lucha House Party (Kalisto, Gran Metalik e Lince Dorado) por desqualificação (Handicap Match)

Fonte: WWE
O Super ShowDown também foi o palco reservado para a estreia de Lars Sullivan, que defrontou os Lucha House Party num Handicap Match. À semelhança do anterior combate, também este foi exatamente o que se estava à espera, com um pormenor da vitória do “Freak” ter sido por desqualificação. O trio mexicano tentou de tudo, mas o monstro mostrava sempre o seu domínio. Através de um ataque conjunto dos adversários, a vitória sorriu a Sullivan, que não iria ficar por aqui, pois ficou por cima no segmento ao atacar os Lucha House Party no final do combate.
Nota: 2/10
Randy Orton derrotou Triple H

Fonte: WWE
Uma vitória completamente do nada, com Randy Orton a triunfar após aplicar o RKO pela segunda vez. Bom e longo combate, entre duas lendas do business, que deram tudo e contaram com respeito mútuo do público presente.
Nota: 7/10
Braun Strowman derrotou Bobby Lashley

Fonte: WWE
Mais um combate básico entre dois gigantes da WWE, onde se assistiram a vários golpes de grande força, onde Strowman foi mais forte e somou uma vitória importante e entusiasmante para o povo saudita.
Nota: 4/10
Kofi Kingston © derrotou Dolph Ziggler (WWE Championship)

Fonte: WWE
Foi uma exibição interessante, mas acredito que tanto Kofi como Ziggler podiam fazer melhor. Aliás, já o fizeram no passado, nas 27 vezes em que se defrontaram. Por isso, ficou um sabor agridoce na boca. Kofi venceu com interferência de Xavier Woods, após distração do árbitro, e Ziggler veio pedir uma desforra, que vai acontecer no Stomping Grounds, o próximo evento da WWE, dentro de uma Steel Cage, sem quaisquer interferências e com o foco apenas nos dois lutadores.
Nota: 6/10
Mansoor venceu a 50 Man Battle Royal

Fonte: WWE
Como estes eventos são feitos para agradar os sauditas, tinha de ser um atleta local, “do NXT” dizem eles, a vencer a maior Battle Royal da história da WWE. Nós a pensar em nomes como Cesaro, The Miz, Samoa Joe, Ricochet, Shinsuke Nakamura ou Elias, afinal a escolha foi mais óbvia que isso e, a meu ver, uma ofensa para todo este talento envolvido. Esquecemo-nos também da existência deste senhor, que é um fator importante. Enfim, é o que temos! Foi mais uma Battle Royal engraçada, algo confusa, mas também não é todos os dias que estão 50 homens condensados num só ringue, o que não ajuda de todo.
Nota: 4/10
The Undertaker derrotou Goldberg

Fonte: WWE
Percebo o hype pelos lutadores em questão, mas não entendo o porquê de continuarem a insistir em colocar Hall of Famers fora de forma a lutar nesta situação. O combate foi terrível, valeu pela expetativa, mas não o salvou de ser o pior combate do evento e, possivelmente, do ano de 2019. Para quem viu, entende a indignação. Undertaker estava ligeiramente melhor que Goldberg, mas nem assim. Pleno de botches e alguns com proporções extremas, a vitória de Taker aconteceu numa altura em que não estava prevista. A própria reação do “Phenom” fala por si!
Nos próximos eventos na Arábita Saudita, façam-nos um favor: não convoquem estas lendas para combater, porque o resultado vai ser desastroso. Não me oponho a uma aparição num segmento, só para marcar presença, mas utilizá-los em combates sem lógica e mal estruturados não é o caminho certo. Está na altura de, tanto Undertaker como Goldberg, pensarem na reforma definitiva.
Nota: 2/10
Foto de Capa: WWE









