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Com a Taça do Mundo de Saltos de Esqui a entrar, por algumas semanas, em modo pausa eis que o momento do ano nos desportos de inverno e nos saltos em particular está mesmo aí! A ação em Pequim 2022 principiava com a disputa em trampolim normal a realizar-se na cidade de Zhangjiakou a cerca de 180km da capital chinesa. Refira-se que este tipo de estruturas já se encontram em vias de extinção no campeonato, sendo as mesmas apenas usadas em grandes competições como Mundiais ou Olimpíadas.
Por esse mesmo facto não se poderia afirmar que qualquer um dos atletas partiria em vantagem face aos demais num trampolim de 106m cujo K-Point estava localizado nos 95m. Algo era já certo, o detentor do título não o conseguiria revalidar uma vez que Wellinger não era tão pouco escolha germânica para os Jogos. A acrescer a tudo isto tínhamos o facto de, e ao contrário do habitual em ano pré-olímpico, os atletas não terem passado pela estrutura por forma a tomarem contacto com a mesma e com as suas especificidades, algo fulcral num trampolim em que a questão técnica poderia ser fator decisivo, isto por conta da situação pandémica.
Foto de capa: Olympics
NORUEGUESES DAVAM MOSTRAS DE SUPERIORIDADE
A primeira aparição dos homens “pássaro” seria concretizada com a realização de uma ronda de qualificação, onde apenas três dos 53 atletas em representação de 25 nações ficariam de fora da “luta”. Posto isto quem parecia chegar aos Jogos com vontade de dar sequência ao bom momento vivido, mostrando-o de pronto , era Lindvik que ao assinar uma marca de 100.5m conquistaria o apronto e consequentemente um cheque de 3.000 euros, contudo o “show viking” não se ficava por aqui!
Apparently I have a Norwegian cousin who is competing in the Beijing Olympics for Ski Jump.
Meet “The Flying Mustache!” Aka #robertjohansson and watch for him in Beijing. https://t.co/SZcJyZoRId pic.twitter.com/XNq8a4HGTT
— Kate Parsons (@kateparsonstv) February 4, 2022
Robert Johansson, voando mais dois metros e meio que o jovem compatriota seria segundo enquanto que defendendo a honra polaca, Zyla, assegurava o terceiro registo a meio metro do ex bigode viking. Um dos grandes candidatos a medalhas, quer em trampolim normal quer em trampolim grande, Ryoyu ficando-se apenas pelos 99m seria quarto seguido de Kraft que procuraria finalmente o ouro olímpico, único título que ainda não consta do seu palmarés, com o baixinho a superar o nipónico em um metro. Dentro dos dez mais: Deschwanden, Geiger, Fettner, Yukiya Sato e o surpreendente finlandês Alto, pareciam estar também em excelente posição de ataque a medalhas. Fazendo um paralelismo com a F1, os cinco primeiros estavam na primeira linha enquanto que os outros membros do Top dez partiam logo da segunda!
O mais veterano saltador em prova, Simon Ammann, seguia com o 12º melhor registo ele que era tetracampeão olímpico. Diga-se que o helvético , não obstante estar já no ocaso da carreira, batia nomes como Lanisek, Eisenbichler e Granerud, todos bem abaixo do exigido, a necessitarem subir uns bons furos até ao dia seguinte tal como Stoch, Kos e Hoerl que começavam a desenhar um “quadro” que pretendiam colorir de forma diferente .
UM VENTO QUE TRAZIA FORTE SABOR A OLIMPÍADAS
It’s no surprise that Olympians are incredible athletes, but this training video posted by Ski Jumping Gold Medalist Ryoyu Kobayashi is as impressive as it gets!#Olympics #BeijingOlympics pic.twitter.com/R5C8wBoYIA
— SportsRecruits (@Sports_Recruits) February 6, 2022
Ao contrário do cenário da ronda qualificativa, o vento ia estando bastante forte, sendo que inicialmente se assistiu a uma grande qualidade nas marcas apresentadas, algo que não seria de prognosticar até porque supostamente os primeiros saltos pertenceriam aos atletas menos fortes do elenco, mas assim foi até á entrada em cena dos grandes favoritos aos metais! Por esse momento estas alterar-se-iam, com o vento a tomar outra direção, o que fez com que alguns desses teóricos candidatos perdessem de imediato todas e quaisquer chances de medalhas.
Quem parecia estar numa missão era o asiático Kobayashi que saltando 104.5m parecia bem “embalado” para tocar o Olimpo! Com um déficit de 6.2 pontos face ao nipónico tínhamos o esloveno, Peter Prevc, ele que se estava claramente a superar após efetuar marca inferior em um metro e meio à do líder. Em terceiro, qual Fénix renascida das cinzas, encontrava-mos Stoch com 101.5m, enquanto que em quarto seguia o surpreendente soviético Klimov que rubricava 104m, mais metro e meio que Fettner, com o surfista a ser contra todas as previsões o melhor posicionado dos austríacos. Estes e Schmid, Sadreev, Kubacki, Lanisek e Alto, dada a curta distância entre si , eram ainda nomes a não serem postos de parte no que diz respeito à obtenção de um metal.
Já mais distantes desse objetivo, finalizada a ronda inicial estavam nomes como: Kraft, Hoerl, Lindvik e Johansson, sendo que se estes teriam escassas possibilidades de obterem um pódio que dizer de Granerud, Geiger e Kos para lá dos vinte melhores! Se , melhor ou pior os referidos se mantinham em competição tendo como prémio efetuarem novo salto, já: Eisenbichler, Yukiya Sato e Peier não o voltariam a fazer, com o bávaro a ser mesmo a maior deceção.
ABRAM ALAS PARA O IMPERADOR RYOYU
Flying like an eagle!
Kobayashi Ryoyu (Japan) soars to earn the #Gold medal in #SkiJumping Men’s Normal Hill Individual!#Beijing2022 | #StrongerTogether | @Japan_Olympic | @RyoKoba8118 pic.twitter.com/ksrXGsItvd
— Olympics (@Olympics) February 6, 2022
Com o vento já bem mais fraco, teria lugar a ronda de todas as decisões! A mesma abria com a desclassificação de Granerud por irregularidades com o fato, contudo seria outro saltador da nação nórdica quem tentaria um derradeiro esforço dando o tudo por tudo, mas como previra seria já demasiado tarde. Lindvik que ao saltar, a excelente distância, 102.5m não seria suficiente para recuperar do atraso causado pelo salto de estreia, terminando em sétimo.
O viking falhava o “assalto” ao pódio à semelhança do líder da temporada regular, Geiger, que fechava um dia para esquecer afundado na 15ª posição. Também os dois mais jovens eslovenos: Kos 28º e Lanisek 13º posicionados ficariam aquém das minhas previsões. Kraft ao terminar em décimo via o sonho de medalha ficar adiado para a prova em trampolim grande.
Quanto aos postos por todos mais desejados: o bronze ficou para Kubacki que o mereceu por inteiro após assinalar 103m. A prata seria para aquele que no começo da prova era o elo mais fraco dos austríacos, mas que virara mais forte, Fettner, que a garantiu após 104m. Já o ouro, apenas o segundo do país depois dos Jogos que organizaram em Sapporo 1972 e onde conseguiram uma tripla nos saltos, seria conquistado por Ryoyu depois de voar 99m. De realçar ainda que Stoch fechou em sexto, com Klimov a ser quinto e Peter Prevc quarto. Isto num dia em que Sadreev e Zajc fechavam os dez mais.
TUDO VIRADO DO AVESSO DEVIDO AOS FATOS
O dia seguinte marcaria uma estreia nos Jogos, pois pela primeira vez teria lugar uma competição por equipas mista a ser constituída por duas rondas de quatro mangas cada e em que as oito melhores de dez nações participantes seguiriam para a ronda das decisões. De reforçar que as mangas eram alternadamente compostas por saltos da vertente masculina e feminina, sendo que os maiores favoritos às medalhas eram: eslovenos, nipónicos, noruegueses e alemães.
Com o trampolim normal, que contava com uma arquitetura bem identitária dos traços da cultura chinesa, o desenrolar do evento revelar-se-ia capaz de deixar os amantes da modalidade de olhos em bico!
Na frente, parecendo caminhar imparáveis rumo ao ouro seguia o fortíssimo quarteto da Eslovénia: Peter Prevc, Zajc, Kriznar e Bogataj, com as meninas a serem bronze e ouro respetivamente na competição individual, com o voo mais distante de toda a prova e novo record da estrutura a ser fixado por Bogataj ao saltar 106m.Bem distantes em posição de prata “rodavam” os defensores da bandeira norueguesa: Lindvik, Johansson, Stroem e Opseth.
A grande surpresa iam sendo os soviéticos: Klimov, Sadreev, Makhinia e Avvakumova, que aproveitavam os azares alheios para se colocarem em posição de bronze. Isto visto que Takanashi, japonesa que se fazia acompanhar por: Ito, Yukiya Sato e pelo campeão olímpico, juntamente com a austríaca Iraschko-Stolz e a medalhada de prata destes jogos, a germânica Althaus, terem sido todas desclassificadas por irregularidades com o fato, algo já mais visto neste tipo de eventos! De resto a equipa bávara seria mesmo afastada não passando à ronda final à semelhança da nação anfitriã, mas essa certamente já o esperava.
Quem também seguia para a fase derradeira da prova eram: canadianos, checos, polacos, nipónicos e austríacos, embora apenas o Canadá e o Japão, mesmo comum elemento fora da equação, pareciam poder ainda discutir verdadeiramente um lugar medalhável.
SÓ A ESLOVÉNIA ESCAPOU À ANORMALIDADE
Com as condições a manterem-se bastante estáveis e inalteradas à entrada da ronda final, a instabilidade mantinha-se e novamente devido aos fatos! Numa altura em que a Noruega parecia seguir, com alguma facilidade rumo à prata, eis que Stroem seria a vítima seguinte relegando a nação para o oitavo posto. Imunes a tudo isto, escapando por entre os flocos de neve, que caíam em abundância, a Eslovénia tornar-se-ia a primeira campeã olímpica nesta nova competição. A prata, impensável no começo do apronto ficava mesmo entregue ao quarteto da Rússia.
As surpresas de monta não ficariam por aqui, pois a inexperiente, pouco rotinada e “verdinha” equipa canadiana: Soukup, Boyd-Clowes, Loutitt e Stratet arrebatavam um para lá de inesperado bronze que mais sabia a título olímpico para um país que só para se ter ideia nem sequer tem orçamento para se financiar a si próprio nesta modalidade tendo de dividir custos com os EUA que padecem de igual situação.
De tantas competições de desportos de inverno a que assisti, jamais tinha contemplado um evento tão: confuso, surpreendente , excitante e tão incerto.














