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Lindvik voa para a eternidade | Voos de Esqui

Diogo Rodrigues · 6 min

Lindvik
Foto: FIS Ski Jumping

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Depois do Raw Air, e antes da reta final da Taça do Mundo de Saltos de Esqui, os destemidos homens “pássaro” rumavam a um dos mais imponentes trampolins de voos de Esqui do Mundo. Localizado na Noruega, o “monstro” dava pelo nome de Vikersundbakken com 240m, um K-Point localizado aos 200, contava com um recorde, distância já mais voada por alguém fixada por Stephan Kraft em 2017 nos 253.5m.

De referir que este fim-de-semana seria de interregno na Taça do Mundo, abrindo lugar à disputa dos Mundiais de voos de Esqui, uma especialidade que não é para todos, pois, existem atletas talhados para este tipo de estruturas que não atingem a mesma qualidade em trampolins de menor envergadura.

Destacar ainda que o evento seria composto por quatro rondas de saltos, duas em cada dia, contando com 40 atletas nas duas primeiras, sendo que para o dia das decisões apurar-se-iam os melhores 30, após os dois primeiros saltos.

KRAFT MANTINHA A EMBALAGEM

Com apenas 45 atletas a tentarem carimbar lugar na disputa pelo céptro de campeão do Mundo, quem entrava como terminara era Kraft. Este mantinha a boa forma após a vitória no Raw Air e com 230m colocava a concorrência em sentido! Com a segunda melhor marca aparecia Hayboeck, que apesar das poucas provas entre a elite no decorrer da temporada, era sempre um nome a ter em conta e averbando mais três metros que o compatriota, mas mais penalizados tecnicamente, ia prometendo uma gracinha!

Lanisek anotando 221m, confirmava a apetência eslovena para os voos de Esqui ocupando o terceiro posto. Ainda dentro dos cinco mais, anotando respetivamente 225.5m e 228m tínhamos Domen Prevc e Lindvik. De destacar também os 221.5 rubricados por Geiger, sexta melhor marca, assim como os 213m da autoria de Kubayashi, nono registo.

Isto num dia em que nomes como: Stoch, Eisenbichler, Tand e Huber iam demonstrando não atinar com a estrutura, necessitando melhorar muitíssimo por forma a discutir medalhas.

FAVORITOS DESCOLAM PREMATURAMENTE

Com a presença de vento a concretizar-se e de que forma, diga-se algo mais que normal em trampolins desta grandeza, quem ia liderando concluída a primeira etapa era Lindvik, somando 232.5m, mais dois metros e meio que Lanisek.

No terceiro posto e voando uma dezena de metros mais, mas executados de um portão bem mais alto, víamos Zajc, com a ronda inicial a confirmar que as nações especialistas iam estando bem representadas na frente. Johansson e o mais velho dos Prevc, Peter, também se exibiam a  um nível que os mantinha a sonhar de perto com as medalhas, tal como Kraft em sexto.

Quanto aos dois melhores da geral da Taça do Mundo, estavam longe de impressionar, com a distância para o topo a ser já significativa: o nipónico não fazia melhor que a 14.ª posição, enquanto que o germânico o superava em três postos. Bem pior e já arredado de qualquer possibilidade de êxito ficava Eisenbichler, 24.º registando uns míseros 185m.

KRAFT VOLTAVA A ACREDITAR

Com a noite a cair, sem sol e por conseguinte com o vento a ficar subitamente mais forte, quem perante este estado de coisas mantinha a liderança no fim do Dia 1 era Lindvik, totalizando 226m na segunda tentativa. Kraft recuperando do atraso inicial, registava agora 230m, ascendendo a segundo. O especialista Domen era terceiro após 222m.

De resto, os eslovenos metiam mais dois elementos nos cinco melhores, Zajc e Lanisek. Kobayashi partiria em décimo para o dia de atribuição dos metais, ao passo que Geiger fruto de 199m era 13.º. Já Tand, Eisenbichler e Stoch, seriam atletas que apenas marcariam presença, pois eram já nomes a descartar.

LINDVIK EM MODO GESTÃO

Com o vento menos intenso que na véspera, Lindvik mantinha grande superioridade face aos rivais e com um salto de 230m encaminhava o ouro cada vez mais para o seu lado. Kraft voando menos três metros, também sabia que lhe bastaria manter o nível para concretizar a subida ao pódio.

Quanto ao bronze pareciam haver três fortes candidatos: Peter Prevc que fizera na terceira aparição 237m, o mano Domen e Zajc. Lanisek mantinha ainda uma réstia de esperança. Geiger parecia recuperar ligeiramente, pois seria quinto nesta ronda. Já Kobayashi, Eisenbichler e Stoch afundavam-se irremediavelmente, ficando à margem das decisões!

A CONSAGRAÇÃO DE LINDVIK, O VOADOR

Com a derradeira ronda a não conferir grandes alterações, Lindvik conseguia o “caneco” após uns bem descontraídos 224m. Zajc venceria a corrida pela prata , enquanto Kraft seria bronze. Peter Prevc e o jovem compatriota Lanisek ficariam fora dos metais por uma nesga! Já Geiger fecharia em oitavo, Kobayashi em 13º, Eisenbichler cinco postos atrás do nipónico e cinco adiante de Stoch.

ESLOVENOS IGUAIS A SI PRÓPRIOS

Resolvidas as contas individualmente, havia agora que atribuir o título coletivo. Numa primeira linha de candidatos tínhamos: eslovenos, detentores da coroa desde 2019, germânicos, austríacos e caseiros. Num evento que viu apenas sete nações à partida, garantindo que nenhuma ficaria excluída da ronda final, quem liderava ultrapassada a primeira metade de disputa era o exército esloveno: Peter e Domen Prevc, Zajc e Lanisek.

A cerca de meia dúzia de pontos seguiam os bávaros: Geiger, Eisenbichler, Freund e Wellinger, a surpresa nas escolhas! A não muita distância, os vizinhos e rivais austríacos: Kraft, Fettner, Wohlgenannt e Hayboeck, policiados de muito perto pelos anfitriões:  Granerud, Lindvik, Tand e Forfang, seguidos pelos polacos: Zyla, Kubacki, Stoch e o “delfim” Wolny. Todos ainda com chances de alcançar o pódio.

Já arredados de tamanhas ambições e competindo somente pelo prestígio, rodando em sexto estavam os samurais: Yukiya Sato, Nakamura e o clã Kobayashi, enquanto que a lanterna vermelha e como se previra estava na posse dos finlandeses: Aalto, Nousiainen, Kytosaho e Heikkinen.

UMA FUGA PARA A VITÓRIA

Com o vento a obrigar a mexidas sucessivas no portão, quem melhor lidou com as aliciantes condições foram mesmo os detentores em título que acabaram por o revalidar. Os alemães finalizavam na prata, com os vikings a serem bronze. A Áustria ficando fora das medalhas desapontaria. Polónia, Japão e Finlândia, por esta ordem fechariam a 25.ª edição dos Mundiais de voos de Esqui. Agora, a Taça do Mundo de Saltos de esqui regressa já na próxima semana com mais voos agendados para Oberstdorf.

A FIGURA

 

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Marius Lindvik – Depois de retocar a imagem no segundo dia de competição em Oslo, o campeão olímpico voltou a exibir-se a alto nível e demonstrando superior autoridade liderou de fio a pavio a competição. Embora o grande globo seja já algo inalcançável e depois da estupenda demonstração de força, o nórdico é, salvo melhor opinião, o principal favorito para arrecadar o globo de voos de esqui, tendo oportunidade para conquistar mais um par de triunfos.

A DESILUSÃO

Ryoyu Kobayashi – Numa fase em que se esperava e exigia demonstrasse igual aptidão para grandes voos, foi nestes mundiais, porventura que viveu a semana mais negativa da época. Revelando sempre incapacidade para ombrear com noruegueses e eslovenos, Ryoyu terá de erguer a cabeça, respondendo a grande altura já na próxima etapa. O nipónico de 25 anos não poderá dar-se ao luxo de quebrar, pois germânicos e  noruegueses podem evitar a conquista do globo de cristal por parte do samurai. Será Ryoyu capaz de deixar os oponentes de olhos em bico?

Agora, até aos saltos em Oberstdorf! E já sabe, fique bem,
fique na companhia do Bola na Rede.

Diogo Rodrigues

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