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Com quatro títulos ainda por atribuir (grande globo de cristal, globo de voos de esqui, Planica 7 e globo de nações), o palco de todas as decisões seria o mítico Letalnica Bratov Gorisek de Planica. Uma estrutura de 240m, cujo K-Point se situa aos 200 e que via um record datar de 2019, 252m, da autoria do mais forte candidato a erguer o grande globo, Ryoyu Kobayashi.
Destaque para o público que enchia por completo as bancadas do complexo, criando uma atmosfera incrível, semelhante à de um grande encontro de futebol. Realçar ainda que a tradição voltar-se-ia a cumprir, visto que, por cada voo acima dos 230m, os atletas teriam a honra de escutar um pequeno trecho do emblemático hino de Planica.
Time to fly in #Planica! The training starts in about 30 minutes, the qualification follows at 11 am CET.#skijumping #skiflying #FISskijumping pic.twitter.com/0ODxAT9J4O
— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) March 24, 2022
Foto de Capa: FIS Ski Jumping
ESLOVENOS A DITAR LEIS
O princípio do tramo final do campeonato começava com a realização de uma qualificação, na qual eram 66 os participantes, com esta a sofrer um pequeno atraso da manhã para a tarde, devido à pouca consistência de neve resultante das altas temperaturas. Apesar desse ligeiro contratempo, nada afetados, os caseiros mostravam desde cedo quem mandava. Com 233m, eis que Lanisek conquistava o sempre revitalizante cheque, com Zajc a ser segundo ao efetuar mais dois metros e meio. Averbando o terceiro registo, Forfang totalizava 225.5m. Ainda dentro dos cinco ‘mais’, figuravam dois compatriotas: Stoch era quarto, somando 228.5m, mais um que Kubacki, quinto. Kraft assegurava a nona marca, com 223.5m.
Já no duelo direto entre Ryoyu e Geiger, era o líder da temporada que parecia estar mais “afinado”, ficabdo em 11º, seis melhor que o aspirante ao trono, com Granerud, o terceiro à partida para as duas derradeiras competições, a militar em 14º. Num dia em que nenhum dos grandes falhara rotundamente, as maiores ausências seriam: Peier, Wohlgenannt e Leyhe.
ERA DIFÍCIL PEDIR MAIS!
Com ótimas condições e com um sol radiante, eis que tinha início uma ronda marcada pelo total e esmagador domínio dos anfitriões, colocando cinco saltadores nos cinco primeiros lugares. A liderar, executando 228m, tínhamos Zajc, seguido de perto por Gelar, que voava mais quatro metros. Em terceiro, rodava Domen Prevc após 234.5m.
A fechar esta ronda épica para os eslovenos, e com o pódio em ponto de mira, víamos Lanisek e Peter Prevc, assinando, respetivamente, 226 e 230m. Kraft e Kobayashi estavam já com ambições condicionadas, ainda que dentro dos dez ‘mais’, lote ao qual não pertenciam os candidatos ao terceiro posto da geral: Lindvik e Granerud, ainda que o mais velho levasse ligeira vantagem. Geiger, apenas 19º, escancarava a porta para que Ryoyu “matasse” já ali as contas da geral. Isto num apronto em que os germânicos sofriam uma impressionante razia: Schmid, Freund e Eisenbichler falhavam o acesso à ronda final.
VOAR É COM ELES!
Winning jump: Ziga Jelar / #Planica, March 25, 2022#skijumping #skiflying #FISskijumping pic.twitter.com/MWSMTdy7vr
— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) March 25, 2022
Com um vento de cauda, foi para surpresa minha que os atletas, apesar das difíceis condições, revelaram capacidade de subir o nível. Wellinger, 19º, conseguiria, contudo, o voo mais distante do dia, com 241.5m. Geiger, 12º, entregava quase por inteiro o globo ao rival nipónico, quinto, um posto melhor que Kraft.
Desperdiçando a vantagem de 1.6 pontos trazida do primeiro salto, descaindo para os 224m, Zajc seria apenas quarto, algo que não impediu o triplete caseiro. Jelar conseguiria a primeira da carreira, depois de arrancar 239m, mais dois que Peter Prevc, com Lanisek a garantir o bronze após superar em meio metro os 230. De realçar que a prova ficaria ainda marcada pelo adeus aos trampolins do esloveno Semenic, que com 28 anos, pôs fim a uma carreira que teve como ponto alto o triunfo em Zakopane 2018.
ESLOVENOS E NORUEGUESES NOUTRA DIMENSÃO
O sábado seria dia de decidir qual a nação mais forte do campeonato, com a derradeira prova coletiva da temporada a ser uma realidade. Com oito conjuntos à partida, todos efetuando ambas as rondas: eslovenos, noruegueses e austríacos recolhiam maior dose de favoritismo, com os caseiros a parecer estarem um degrau acima dos rivais.
Com os saltos mais distantes a pertenceram a Granerud, Lindvik e Zajc, quem liderava, com uma dilatada margem, eram mesmo os organizadores: Peter e Domen Prevc, Zajc e Lanisek. Apesar das boas prestações de dois elementos, os viquingues Lindvik, Granerud, Forfang e a grande surpresa Bendik iam-se conformando com a prata, ao passo que Kraft, Fettner, Tschofenig e Hayboeck, com um avanço ínfimo de três pontos para os polacos Stoch, Kubacki, Zyla e Wolny, militavam em posição de bronze. Já os bávaros Geiger, Eisenbichler, Wellinger e Schmid iam denotando uma péssima forma, afundando-se decisivamente na quinta posição. Sem surpresas, Japão, Finlândia e Suíça eram os ocupantes da parte baixa da tabela.
ESLOVENOS AO COMANDO – PARTE 3
Com Lindvik e Zajc a voarem para lá do tamanho da estrutura, e com Jelar, à semelhança da ronda 1, a dar a possibilidade de liderança por uma manga aos viquingues, seriam, contudo, os da casa sempre mais fortes, regulares e consistentes, a levarem o triunfo, bem como o globo de nações. Os nórdicos seriam segundos, sendo que os do país do esqui levavam a melhor na luta pela terceira posição face à Polónia. Germânicos, quintos, adiante dos samurais, que viram Ito colocar um ponto final numa carreira de mais de duas décadas entre a elite, nas quais averbou quatro triunfos e um quarto posto à geral em 2013. Escandinavos e helvéticos seriam, por esta ordem, os conjuntos menos em foco.
RYOYU CADA VEZ MAIS PERTO DO GLOBO
Numa jornada em que Geiger e Kobayashi entravam separados por 89 pontos, com vantagem para o japonês, ia a cabo a derradeira competição, reservada apenas aos 30 melhores da disciplina de voos de esqui, na qual Ryoyu necessitava apenas terminar entre os 20 primeiros.
Com todos a atuarem por duas ocasiões e com Freund a pendurar os esquis após uma gloriosa carreira, que culminou com a conquista do grande globo aqui mesmo em 2015, quem liderava, assinalando 241.5m, era Lindvik, voando dois metros e meio mais que Jelar, que, por sua vez, suplantava em metro e meio a marca de Zila. Yukiya Sato e Peter Prevc, quarto e quinto respetivamente, mantinham ainda bem acesa a chama de um pódio. Kobayashi era oitavo, bem melhor que Geiger, 14º. Quanto a Granerud, via escapar-se-lhe o terceiro posto, pois era apenas 16º.
ESLOVENOS FESTEJAM NO ARRAIAL DE RYOYU
Congratulations to the world’s best ski jumper 2021/22, Ryoyu Kobayashi!#skijumping #FISskijumping pic.twitter.com/Jvj5MwSNVJ
— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) March 27, 2022
Com a segunda parte do evento a oferecer-nos as marcas mais distantes do fim de semana, quem festejava pela quinta vez na temporada, e oitava na carreira, era Lindvik, que ganhava a corrida ao terceiro posto, a Granerud, após rubricar 245.5m. Neste pódio, teria a companhia de Yukiya Sato e de Peter Prevc. O oitavo posto de Kobayashi era mais que suficiente para o asiático celebrar, pois Geiger seria 16º.
Quanto aos globos que faltavam entregar, Zajc sucedia a Stoch, Geiger e Kobayashi na galeria de vencedores do Planica 7, enquanto que o impensável aconteceria: Jelar carimbava o sucesso no globo de voos de esqui.
Findada a temporada, é tempo agora de recarregar baterias, com a competição a voltar em finais de Novembro.
Até lá já sabe, fique na melhor companhia : a nossa.
A FIGURA
FIS World Cup in #Planica; Team:
1. Slovenia 🇸🇮
2. Norway 🇳🇴
3. Austria 🇦🇹https://t.co/1mjlDDOWyz#skijumping #skiflying #FISskijumping— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) March 26, 2022
Coletivo esloveno – A jogar em casa, sempre capazes de oferecer grande espetáculo, aglutinaram experiência, juventude, irreverência e muita, muita qualidade. Continuando este processo de desenvolvimento e afirmação, podem, talvez já na próxima temporada, construir um conjunto de novos valores, quem sabe podendo lutar seriamente pelo grande globo.
A DESILUSÃO
With only 2 individual competitions left this winter, there’s still one big title up for grabs!
Who will get to take home the crystal globe for the overall World Cup winner on Sunday in #Planica?#skijumping #skiflying #FISskijumping pic.twitter.com/N68LDoZ40i— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) March 22, 2022
Karl Geiger – Numa fase vital para alcançar o possível grande título da carreira, talvez fruto do cansaço competitivo, o germânico nunca foi capaz de colocar a dúvida na cabeça de Ryoyu, adotando uma postura que não me agradou, quase como que se conformando com a derrota, parecendo abdicar de lutar por algo mais. Já entrado nos 30, esta poderá ter sido a última ocasião de ver o seu nome associado para sempre a este desporto. Será ele capaz de regressar ainda mais forte?
Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos











