Publicidade

Um segundo «prato» assente na regularidade | Saltos de Esqui

Diogo Rodrigues · 8 min

Foto: FIS Ski Jumping

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Com o campeonato a entrar na fase final, era tempo dos incríveis homens “pássaro” regressarem a solo norueguês para aí cumprirem a quinta edição do mini torneio inserido na Taça do Mundo de Saltos de Esqui, o Raw Air, uma espécie de quatro trampolins,  mas em que apenas dois, Lillehammer e Oslo, são visitados, ambos na noruega.

A defender o título de 2019, pretérita ocasião em que se realizara o certame estava Stoch, ele que já embolsara por duas vezes o mítico prato gigante, diga-se bem, bonito. Para além do polaco também Ryoyu e Kraft haviam arrecadado o troféu numa competição em que todos os saltos incluindo os das rondas qualificativas contam para erguer o galardão.

A cidade sede dos Jogos de Inverno de 1994, Lillehammer dava o pontapé de saída com os atletas a serem acolhidos pelo Liysgardsbakken um trampolim de 140m, que vê o K-Point estar localizado aos 123m com o record fixado nos 146m  assinado por Simon Ammann desde 2009.

Foto de Capa: FIS Ski Jumping

UM PRIMEIRO LÍDER BEM INESPERADO

Com a qualificação a contar 67 participantes em defesa de 17 nações, entre os quais não figurava o nome de Peter Prevc infetado com Covid 19 e por isso ausente do certame, quem se imporia para surpresa dos especialistas rubricando 137m seria Forfang. A seis metros do vencedor do apronto em segundo víamos Kraft, enquanto assinando menos um metro que o caseiro encontrávamos Fettner. O detentor do céptro seria quarto com recurso a 133.5m, mais dois que os conseguidos pelo super inconsistente Schmid. Ainda dentro dos dez mais, lugar para: Kubacki, Huber, Granerud , Cene Prevc e Jelar.

Curiosamente nenhum dos principais favoritos ao torneio, Kobayashi e Geiger, pareciam entusiasmar, pois, seriam respetivamente 12º e 14º , sendo que o regressado Lanisek ia estando ensanduichado entre ambos. Isto num dia em que dececionando enormemente, comprometendo já as possibilidades de lutar pelo troféu estavam Lindvik e Eisenbichler. Quanto ao apagadíssimo Wellinger conseguiria qualificar-se resvés , a mesma sorte não teve o “alfaiate” Hula!

KRAFT E O PRIMEIRO PASSO PARA O SUCESSO

Era com o vento praticamente sem se fazer notar e com condições ideais para a prática da modalidade que com toda a naturalidade o anterior líder da competição se despediria de tal posição ao falhar o acesso à ronda final, quedando-se pelos 116.5m, abrindo assim lugar para os favoritos poderem assumi-la. Quem passaria a fazê-lo ainda que provisoriamente era Kraft, com o baixinho a deter 135m, o segundo melhor voo que lhe valia tal desígnio! Embora estivesse a três décimas de Ryoyu que comandava anotando 136m! A três pontos da dianteira Geiger igualava a distância do austríaco.

Cene Prevc e Hoerl iam estando à espreita de algum, eventual, deslize. Stoch, Granerud, Zyla, Eisenbichler e Tand recheavam o restante  Top dez, com Lindvik e Lanisek  bem distantes da frente, com o nórdico a não colocar fim à serie de desaires. Já Wellinger voltava a falhar a ronda final, e por muito!

UMA FESTA EM TERRENO HOSTIL

Com as condições  inalteradas, a ronda final brindar-nos-ia com grandes marcas de Eisenbichler, Fettner e Hoerl, respetivamente 139.5, 140 e 142m. Quem acabaria por festejar seria Kraft adquirindo 137m que demonstravam superior autoridade. Em segundo, tanto na prova como no torneio, ficava Kobayashi ao registar 134.5m, cifra igualmente obtida por Geiger, terceiro em ambos os tabuleiros. Granerud e Hoerl preenchiam o restante do Top cinco, enquanto Lindvik não melhorando substancialmente o resultado da primeira ronda via não findar a série negra no pós Pequim.

STOCH VOLTA A SER PROTAGONISTA

Era com Kraft na liderança que o Raw Air entrava na fase final, com dois dias de intensa ação numa das estruturas mais emblemáticas do calendário, o Holmenkollen de Oslo com 134m, cujo K-Point se fixava nos 120m e que via o record de 144m durar desde 2019, obtido por Robert Johansson. Levada a ronda de qualificação que contara com 67 participantes que lutaram ferozmente por 50 vagas e relembrando tempos de glória como ainda não vivera na presente época, quem se impunha era Stoch averbando 129.5m.

A segunda posição caberia a Lindvik que ficava a meio metro de conseguir o suculento cheque, enquanto o líder da competição registando dois metros menos que o discípulo de Adam Malysz seria terceiro. Johansson e Huber com 126.5m fechavam o Top cinco, sendo que na segunda metade dos dez melhores encontravamos Koba, Eisi, os manos Prevc com Domen a cumprir a primeira prova da temporada na divisão maior e Aigner.

Granerud e Geiger na cauda dos 20 mais não davam ideias de poder almejar a desempenhos meritórios, atrasando-se cada vez mais na corrida ao prato dourado. Forfang , voltava a desiludir mostrando que o brilhante início de torneio havia sido um  oásis num deserto de resultados que tem sido a temporada, tal como Kos que perdia destaque depois de impressionar na fase preambular do campeonato.

EISENBICHLER MAIS PERTO DE ERGUER OS BRAÇOS

Com a primeira ronda a desenrolar-se sob um vento frontal que ajudava à qualidade do apronto, quem levados 50 saltos liderava era Eisenbichler que faturando 130m estava a uma marca de arrecadar a primeira da temporada. Bem perto do bávaro seguia Tand, que após voar 130.5m parecia voltar a estar na iminência de fazer algo que havia alcançado pela pretérita vez em 2019. Já em terceiro “rodava” Lindvik angariando 129m.

Kubacki com 130m e Kraft voando menos metro e meio seguiam na peugada, todos  ainda com legítimas ambições à conquista da 30.ª prova da época. Já mais longe do objetivo Kobayashi, Fettner, Granerud, Huber e Johansson completavam os dez melhores. Geiger com 126.5m e “navegando” na 14ª posição hipotecava  as possibilidades de vencer o certame, bem como Stoch que voltava ao marasmo vivenciado. Isto num dia em que o estreante entre a elite, Bendik sabia que fosse qual fosse o desfecho da ronda final somaria os primeiros pontos da carreira entre a nata!

NADA MELHOR DO QUE AFASTAR OS “FANTASMAS” EM CASA

Numa segunda ronda iniciada sob uma toada deveras morna, quem quebrava a monotonia era Geiger que com 132m ascendia a um sétimo posto, contudo insuficiente para se manter à tona na luta pelo título, mas mais importante via a diferença para Koba aumentar ligeiramente, visto que o nipónico fecharia em sexto, dois postos adiante de Kraft que fazia serviços mínimos  na defesa do comando da competição. Cene Prevc e Tande ocupando a base do Top cinco atuavam a excelente nível, com o anfitrião a registar o melhor desempenho do ano.

Quanto ao pódio contava com Johansson, uma estreia na vigente temporada, Eisenbichler e Lindvik que exorcizava os fantasmas no pós título olímpico voando 131m. Já Kubacki capitulava com estrondo, caindo para o 18.º posto após desperdiçar o ensejo, ficando-se pelos 119m. Numa jornada em que também Villumstad fixava um novo máximo de carreira, a nona posição. Assim sendo quem à entrada da derradeira jornada liderava era Kraft, detendo 16 pontos de vantagem para o líder na corrida ao grande globo.

GEIGER DECIDE DAR UM MURRO NA MESA

A abrir o derradeiro dia de ação na capital norueguesa, uma qualificação na qual estavam presentes 59 atletas. Afirmando-se, como que não se rendendo às evidências, Geiger o melhor da qualificação assinando 130m, relegava Kraft e Aigner, a grande surpresa do lote para os demais lugares do pódio. Granerud e Huber faziam resultados de qualidade, enquanto Kobayashi, Lindvik, Deschwanden, Zyla e Kos eram igualmente membros dos dez mais. De realçar a marca de Eisenbichler, apenas 34.º, bem como enfatizar  as extremas dificuldades denotadas por Stoch em qualificar-se, algo totalmente falhado por Forfang!

UMA LUTA A CINCO NO FECHO DE CONTAS

Com ventos traiçoeiros , principalmente à saída da rampa do trampolim, quem prevalecia finalizados os primeiros 50 registos era Stoch, que voltava a ser exuberante no capítulo técnico e com 129m segurava a liderança com um salto  alvo de nota 20,sinónimo de perfeição para um dos juízes. Kraft angariando 131.5m estava lançadíssimo para reconquistar o troféu, com Ryoyu a ser terceiro registando meio metro mais. Geiger e Tande ainda dentro dos melhores cinco mantinham a candidatura ao triunfo bem viva. Wohlgenannt , Lanisek, Deschwanden, Granerud e Johansson formavam a fatia inferior do Top dez. Isto numa fase em que Eisenbichler e Lindvik assinavam exibições bastante pálidas necessitando de um segundo voo gigante! Fora da derradeira ronda estavam nomes como Kubacki e Kos.

TANDE CELEBRA NA CONSAGRAÇÃO DE KRAFT

Com vento frontal, soprando bem mais forte,  assistia-se a uma melhoria substancial das marcas das quais destaco os 132.5m de Fettner, os 133 de Zajc e os 135 de Eisenbichler. Quem acabaria por festejar, depois de uma queda assustadora em Planica que o colocaria em coma durante quatro dias fruto de  fratura de clavícula, levando as bancadas ao rubro seria Tande que voltava aos sucessos anotando 133.5m, mais dois que Lanisek segundo e mais três que Kraft que selava o segundo prato dourado da carreira. Já na luta pela Taça do Mundo, Geiger ficaria adiante de Kobayashi sendo quinto e o nipónico sétimo.

Nas contas do evento, Kraft via Koba e Geiger ocuparem respetivamente os restantes postos de pódio. Já na corrida ao grande globo eis que Ryoyu lidera somando 1478 pontos com Geiger a 58. Quanto a Granerud é terceiro contabilizando 1076 pontos.

Na próxima semana acompanharemos os Mundiais de voos de esqui. Até lá fique bem, na companhia do seu BNR: desporto em estado puro!

A FIGURA

Stefan Kraft – Um dos nomes em evidência nesta fase do ano, o austríaco com superior mestria e gerindo de modo exímio os seus recursos conseguiu suplantar aqueles que se perfilavam como cabeças-de-série principais ao Raw Air mostrando que ainda está aí para as curvas! Com o restante da temporada a centrar-se em eventos de voos de esqui, este é um nome bastante relevante, salvo melhor opinião, o candidato número um ao céptro de Campeão Mundial da especialidade.

A DESILUSÃO

Karl Geiger – Num conjunto de eventos em que ninguém esteve particularmente mal, a minha escolha incide sobre o germânico, dado ser sempre altamente inconsistente. Misturando resultados de ir às nuvens com outros de qualidade bem inferior ao desejável nunca foi homogéneo ao ponto de estar na luta pela competição. Caso o principal  rival na luta pelo grande globo estivesse ao mais alto nível, creio que a geral poderia ser já uma miragem. Será ele capaz de voltar a apresentar a regularidade que todos sabemos ser capaz?

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.