Antevisão GP da Bélgica: Che disgrazia, Ferrari!

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A ANTEVISÃO: PIM, PAM, PUM, O TRIO DA FRENTE É APENAS UM

Já cá estamos no Grande Prémio da Bélgica, possivelmente o melhor circuito do calendário, cheio de mil e uma histórias de conduções heróicas, perante a meteorologia quase esquizofrénica da floresta das Ardenas.

Começamos com o óbvio e para evitar repetição: O Mercedes de Lewis Hamilton, após uma volta fenomenal que parecia realizada sobre carris, conseguiu a pole position, seguido do colega de equipa Valtteri Bottas (a meio segundo de distância), com Max Verstappen (Red Bull) perto do segundo lugar, a apenas um centésimo de segundo de Bottas.

Um trio frontal expectável, porque são os únicos com um ritmo capaz de vencer uma corrida. Não me vou alongar mais, porque sinto que já escrevi isto durante outras antevisões e rescaldos durante esta temporada.

Finalmente, uma pequena surpresa (a não ser que sejam daqueles que, como eu, prestaram atenção aos Speed Traps nas anteriores corridas). A Renault tem um motor bem jeitoso, com um bom nível de potência, e um carro com uma aerodinâmica bastante esguia para cortar o vento. Graças a isso, colocou os dois pilotos na Q3, com Daniel Ricciardo num excelente quarto lugar ao lado de Verstappen, pelos bons velhos tempos.

O francês Esteban Ocon não acompanhou o ritmo de Ricciardo, ficando, ainda assim, com um bom sexto lugar na grelha. Os Renault mostraram um excelente ritmo durante todas as sessões de treino, e os resultados na qualificação demonstram isso. Pequena curiosidade: apesar de já vencer em Spa na corrida de 2014, esta é a melhor qualificação de sempre de Daniel Ricciardo na pista belga.

Alexander Albon (Red Bull) aparenta estar um pouco mais à vontade no seu monolugar, começando de sexto na grelha – ainda assim a meio segundo de Max Verstappen – para observar se o ritmo de corrida trará algo mais, agora que não tem tanta gente para ultrapassar.

Os McLaren continuam a mostrar ser o carro mais equilibrado do pelotão, conseguindo resultados semelhantes em quase todo o tipo de circuito. O espanhol Carlos Sainz, após um início de temporada tremido, começa a mostrar o porquê de ter sido chamado para a Ferrari, colocando-se em sétimo lugar, com Lando Norris a desapontar um pouco, não passando de 10º.

Uma pequena surpresa foi o ritmo da Racing Point (ou falta dele). Não que tenha sido mau, longe disso, mas esperava-se que lutassem com Max Verstappen pelo terceiro lugar da grelha, e durante os treinos e na qualificação não se aproximaram sequer. Começa Sergio Perez em oitavo e Lance Stroll em nono, após estranhamente realizarem apenas uma rodagem na Qualificação 3.

Os Alpha Tauri portaram-se bastante bem. A certo ponto, parecia até que Pierre Gasly entraria no clube VIP do Top 10. Mas, mesmo no final da Q2, não só foi deixado de fora, como ainda foi ultrapassado pelo colega de equipa, Daniil Kvyat.

Se os Alpha Tauri até se portaram bem, este fim-de-semana está a ser humilhante para outra equipa italiana, a maior delas todas, a Ferrari. Nós já sabíamos que este carro não era bom, depois do acordo secreto com a FIA e o fenomenal motor do ano passado ser colocado no lixo por não estar em conformidade. Sabíamos que o motor era o pior da grelha e que uma pista de alta velocidade como Spa seria complicada para a Scuderia, mas é deveras surpreendente verificar a posição dos Ferrari em 13º e 14º, depois da atrocidade que foi os treinos livres.

Muito raramente se vê uma queda abrupta a este ponto de uma equipa com os recursos da Ferrari. Na pior das hipóteses, há estagnação, mas não um declínio destes.  A probabilidade de pontos é muito baixa, e acredito que Sebastian Vettel e Charles Leclerc passem a noite a realizar a dança da chuva para ver se amanhã não é só a competitividade a contar.

Olhando para o final da grelha, vemos os suspeitos do costume, sendo o único positivo George Russel (Williams), que, mais uma vez, saiu da Q1. As equipas clientes da Ferrari e o Williams da Latifi preenchem os últimos lugares, com os que tem coração italiano a não terem mais para dar do que aquilo.

Fala-se em chuva para amanhã, na zona do circuito. Por favor, que aconteça!, para não ser o mesmo trio a estar novamente no topo do pódio. Caso contrário, temos a batalha do pelotão, que é sempre muito interessante, porque, lá na frente, a probabilidade de Lewis Hamilton mostrar como se cria distanciamento social automóvel é forte.

Foto de capa: Scuderia Ferrari

Luís Manuel Barros
Luís Manuel Barros
O Luís tem 21 anos e é de Marco de Canavezes, tem em si uma paixão por automobilismo desde muito novo quando via o Schumacher num carro vermelho a dominar todas as pistas por esse mundo fora. Esse amor pelas 4 rodas é partilhado com o gosto por Wrestling que voltou a acompanhar religiosamente desde 2016.                                                                                                                                                 O Luís escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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