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A HORA DE DIZER ADEUS CHEGOU

Uma despedida é, na maioria das vezes, um momento vil e cruel ao qual, todos nós, mais cedo ou mais tarde acabamos por ser reféns. Como é que uma palavra tão simples e tão abstrata como “adeus” pode ter um significado tão duro e inglório?

Trata-se de dizer adeus a um ídolo. Dizer adeus a uma figura incontornável no mundo da Fórmula 1. Dizer adeus a um dos grandes que este desporto viu nascer.

A altura das despedidas é sempre dolorosa em qualquer que seja a ocasião, mas especialmente quando falamos de personalidades como Sebastian Vettel. Pessoas dotadas de capacidades incríveis e ímpares que marcaram gerações.

Dentro de pista, Sebastian Vettel foi o piloto mais jovem de sempre a sagrar-se campeão mundial de Fórmula 1, tendo mesmo sido tetracampeão mundial. Fora dela, um dos responsáveis pela evolução da fórmula 1, lutando ativamente no que a questões sociais diz respeito, quer na vertente mais ambiental, quer na vertente mais política.

Ao fim de 17 temporadas na Fórmula 1, o piloto alemão deu a notícia que no final da temporada iria abandonar a competição. Notícia que qualquer amante deste desporto desejava que não passasse de algo falacioso.

A verdade é que faz hoje uma semana que o piloto da Aston Martin anunciou a sua despedida, através de um vídeo publicado na conta que criou no Instagram.

Daria para escrever um livro com todas as “aventuras” que Sebastian viveu enquanto piloto de Fórmula 1, mas como um livro não poderei escrever, aqui, vos deixo três dos momentos que ilustram o que Vettel representou para o desporto motorizado. Como nas despedidas, as recordações são o que imortalizam os humanos, perdurando no espectro temporal, nada como recordar alguns dos momentos mais brilhantes da sua carreira.

Entre 53 vitórias, 122 pódios e diversos recordes, a escolha nunca seria fácil, contudo o primeiro que me veio à memória foi a sua vitória no GP da Itália, no ano de 2008.

O piloto alemão que, na altura, corria na Toro Rosso, com apenas 21 anos de idade começou por conquistar uma pole totalmente inesperada e, seguindo o mesmo sentido, na corrida não deu grandes chances à concorrência, levando a equipa à primeira vitória de toda a sua história. A Fórmula 1 assistia, desta forma, ao despertar de uma estrela que, sob a forte chuva de Monza, garantiu a sua primeira vitória, tornando-se o vencedor mais jovem da história da F1 (recorde que viria a ser batido por Max Verstappen, anos mais tarde).

Quatro anos passaram e, já na Red Bull, Vettel protagonizou um dos momentos mais espetaculares que já ocorrera no traçado de Abu Dhabii. E, apesar de ter perdido a corrida, este é para mim um dos melhores momentos da sua carreira. Após partir do pit lane, o piloto alemão conseguiu alcançar o pódio, ultrapassando Button em grande estilo. De recordar que partiu da última posição e perdeu um bocado da asa dianteira após uma tentativa de ultrapassagem.

Para terminar em grande, tal como Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia, Vettel descobriu o caminho para o título, no ano de 2013. Foi no GP da Índia que o piloto alemão foi consagrado tetracampeão mundial com três provas ainda por disputar e, embora tenha sido uma vitória sem espinhas, teve uma envolvência muito interessante. Partindo da pole viu-se obrigado a parar nas boxes logo à passagem da segunda volta o que o levou a cair para o décimo sétimo lugar. A partir daí, foi uma corrida de trás para frente em que o piloto alemão voou e “engoliu” todos os demais, acabando por vencer com quase meio minuto de avanço.

Vitória atrás de vitória, Sebastian Vettel construiu uma linda história.

Foto de Capa: Formula 1

Duarte Amaro
Duarte Amarohttp://www.bolanarede.pt
Duas são as paixões que definem o Duarte: A Comunicação e o Desporto. Desde muito novo aprendeu a amar o desporto, muito por culpa dos intervenientes que o compõem. Cresceu a apreciar a mestria de Guardiola, a valentia de Rossi e a habilidade de Hamilton, poder escrever sobre estes é algo com que sempre sonhou.

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