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A Fórmula 1 em 2019 esteve em crescimento. Crescimento porquê? Crescimento porque as outras equipas, para além da Mercedes, mostraram estar mais competitivas – tanto a Ferrari como a Red Bull conseguiram vitórias e pole positions. Apesar disto, a Mercedes teve um arranque de temporada excelente, o que lhe garantiu o campeonato de construtores e o título para Lewis Hamilton.
Para 2020, as regras não mudam muito, o que significa um maior conhecimento adquirido em 2019 por parte das equipas. Em 2020, também não há teto orçamental, ou seja, as equipas por mais que digam “que não se vão preocupar com isso”, claro que se vão preocupar. A grande mudança de regulamentos em 2021 pode significar uma mudança no domínio alemão que vem desde 2014. Mas já nos adiantamos. Vamos focar-nos agora em 2020.
A partir daqui, recorrendo a uma espécie de antevisão, as páginas seguintes estão reservadas para uma pequena análise do grid para 2020, falando um pouco de equipa para equipa, o que podemos esperar para a próxima temporada.
Foto de Capa: Formula 1
Artigo de Angelina Barreiro, David Pacheco e Luís Manuel Barros
MERCEDES
A Mercedes chega como campeã do mundo, com Lewis Hamilton e Valtteri Bottas nas suas fileiras, e sem Esteban Ocon na garagem. O francês passa assim para a Renault, juntamente com Daniel Ricciardo.
Se em 2019 Bottas começou o ano muito bem, a sua segunda parte da temporada não foi nada demais. É aqui que o finlandês tem de melhorar. Apesar de consistente, Bottas tem de encontrar a fraqueza de Lewis Hamilton e conseguir ultrapassá-la. Para além de Hamilton, Bottas terá de lutar contra si próprio. Neste nível, Bottas pode ser o seu maior inimigo, mas o finlandês já mostrou, na minha opinião, que está à altura. Em 2019 vimos um “Bottas 2.0”. O que será que vamos ver em 2020?

Fonte: Mercedes AMG F1
Já Lewis Hamilton encontra-se no meio de uma renovação – ou não – de contrato com a Mercedes. Rumores são muitos, e os que saíram dão o britânico na Ferrari em 2021. Quer seja verdade ou não, Hamilton não é um piloto que se deixe abalar por rumores e em 2020 estará mais que à altura para renovar o seu título de campeão do mundo e assim igualar Michael Schumacher.
Na Mercedes, não há muito a prever. Espera-se uma equipa no topo da sua forma, com o melhor pacote disponível na grelha. Com a Ferrari a tentar equilibrar o SF90 de 2019, a Mercedes espera agora equilibrar a aerodinâmica, corrigindo o movimento do carro sobre os corretores, de acordo com Lewis Hamilton.
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— Mercedes-AMG F1 (@MercedesAMGF1) January 28, 2020
FERRARI
Em 2019 a Ferrari foi “bem enganada”. A equipa de Maranello foi a melhor nos testes de pré-temporada no Circuito da Catalunha, mas na primeira parte da temporada, não esteve bem. O SF90 era o melhor carro em termos de velocidade de ponta, mas de resto, até a fiabilidade foi testada, por exemplo, no Bahrain. Uma boa segunda parte da temporada prometeu mais para 2020. Mas, mais uma vez a Fórmula 1 é feita de rumores, e nestes lados diz-se que o primeiro esboço do carro e a primeira passagem no túnel de vento não satisfez os engenheiros. Esperamos que sejam apenas rumores e que em 2020 haja um bom pacote. Mattia Binotto precisa deste ano para saber se mantém ou não o seu trabalho como diretor de equipa…
No que toca aos pilotos, volta-se a repetir a dupla de 2020. Charles Leclerc e Sebastian Vettel. O monegasco, no seu primeiro ano na Ferrari e segundo na Fórmula 1, fez o que muitos não estavam à espera, principalmente o seu colega Vettel. Leclerc bateu o alemão e conseguiu até ficar à frente dele no campeonato de pilotos.

Fonte: Scuderia Ferrari
Para Binotto, as coisas não vão ser fáceis em 2020. O italiano diz que os dois partem em pé de igualdade em 2020. Mas, quem se vai impor? Leclerc já tem garantido o seu contrato até ao fim da temporada de 2024. Ou seja, Vettel é a peça que se tem de destacar. O alemão, muito criticado em 2019, está numa época decisiva em 2020. Será que cede à pressão, como em 2018 no Grande Prémio da Alemanha?
RED BULL
A Red Bull vai para o seu segundo ano com a Honda no fornecimento de motores. No primeiro ano, a surpresa foi alguma. Conseguiram três vitórias com Max Verstappen. O jovem holandês assumiu lutar pelo campeonato e acha que a Red Bull e a Honda vão-lhe dar isso. Daí também ter renovado contrato e colocado ainda mais pressão em Vettel, que se pode ver sem lugar em 2021.

Fonte: Red Bull Racing
Mas 2020 vai ser o “tira teimas” na minha opinião. Conseguiram a Honda e a Red Bull concorrer com a Mercedes? Já não digo com a Ferrari, porque acho que já estão no nível da equipa italiana. Do outro lado da garagem teremos Alexander Albon. O piloto tailandês teve um ano de estreia de sonho na Fórmula 1. Depois de estar descartado e de já estar na Fórmula E foi chamado para a Scuderia Toro Rosso e a meio da temporada substituiu Pierre Gasly na Red Bull Racing, tendo quase conseguido o seu primeiro pódio no Brasil. Espero que continue o seu progresso e passe a ser um dos seis da frente, mas com mais ritmo. Até, talvez, lutar mais regularmente pelo pódio.
MCLAREN
O “segundo pelotão”. É onde a McLaren se encontra. Não lhe gosto de chamar assim, mas é evidente que assim foi durante toda a temporada. A equipa histórica mudou para motorização Renault em 2019 e fez um brilharete, passando a própria equipa de fábrica da Renault. Em 2020, como todas as outras equipas, um maior conhecimento das regras poderá ajudar imenso, mas será que o motor continuará a efetuar um bom trabalho? Espero que sim. Quanto aos pilotos, Carlos Sainz conseguiu um pódio em 2019. Lando Norris teve um excelente ano de estreia na Fórmula 1. Agora, a relação entre os dois é excelente. Mas, se a McLaren melhorar ainda mais, será que a relação continuará excelente, se puderem lutar por lugares mais acima?

Fonte: McLaren
RENAULT F1
Desapontante, é como se pode qualificar 2019 para a equipa francesa. Imenso ruído a dizer que iam dar o salto para fora do pelotão, e rumo ao top 3, mas como a McLaren aprendeu, isso tem por hábito dar mau resultado, e assim foi. Pela primeira vez desde que regressaram em 2016, desceram de posições de um ano para o outro. O carro era altamente inconsistente, ora incapaz de sair da qualificação 1 (Q1), ora capaz de acompanhar os “três grandes”.
Houve mudanças nos pilotos. Mantém-se Daniel Ricciardo, que apesar de encontrar um carro abaixo das suas expectativas, teve um ano muito bom, a mostrar que não se esqueceu de como se luta no pelotão e que sabe ser ponderado e fazer uma excelente gestão dos pneus. Para ele, este ano é para atacar aquele sétimo lugar.
A equipa acabou por não renovar com Nico Hulkenberg. O alemão não estará na Fórmula 1 em 2020 e para o seu lugar vai Esteban Ocon. O francês é um dos pilotos promissores da categoria, e esteve injustamente posto de lado durante 2019, para abrir caminho para Lance Stroll na Racing Point. Mas este pode ter sido um excelente ano sabático, foi presença assídua na garagem da Mercedes e pode ser que tenha aprendido uma coisa ou outra com a melhor equipa e com o melhor piloto da grelha.

Fonte: Formula 1
SCUDERIA ALPHATAURI
Com a possibilidade de ver o seu nome trocado várias vezes durante a época que se avizinha, a Scuderia AlphaTauri (ex-Toro Rosso), vai procurar repetir a dose de 2019. Procura-se pelo menos o mesmo, porque foi o melhor ano da história da irmã mais nova da Red Bull.
Conseguiram dois pódios, e terminaram em sexto lugar no campeonato, a uma unha negra de apanhar a Renault em quinto, tudo isto, num ano em que se esperava que não passassem de cobaias para os motores Honda da equipa principal.
Os pilotos serão os mesmos, Daniil Kvyat terá de mostrar mais do que fez na primeira metade da época passada em vez do que fez no final, que não foi muito, e Pierre Gasly terá de continuar a mostrar que o que aconteceu na RedBull foi um mero tropeção e que é o piloto de grande qualidade que todos julgávamos que ele era. Como sempre, esta equipa tem todo o potencial para estar muitas vezes nos pontos.

Fonte: Formula 1
RACING POINT
De uma equipa que verá o seu nome trocado, para uma que sofreu o mesmo destino em 2019. Tal como com o nome, havia muita confusão em redor da performance da equipa na época passada. Uma equipa que sempre fez bons carros num orçamento muito magro, ter dinheiro não pareceu melhorar as coisas, pelo contrário, porém, isso explica-se pela confusão que foi 2018. Quando o consórcio liderado por Lawrence Stroll adquiriu a Force India durante o verão desse ano, a grande maioria das equipas já tinha começado a desenvolver os seus carros de 2019, tirando a Racing Point, porque até ali, pura e simplesmente não tinha dinheiro para o fazer. Isso deixou-os em grandes desvantagens para 2019, porém, prestes a começar a época de 2020, a estabilidade da equipa é muito diferente, por isso acredito que esta temporada, os “pantera cor-de-rosa” poderão ser uma séria ameaça ao quarto lugar da tabela, se os dois pilotos ajudarem…
Digo isto porque Sergio Perez é fenomenal, todos os anos, com carro bom ou não, se conseguir-se intrometer no top 10, silenciosamente, colecionando pontos e sendo consistente. Já Lance Stroll mostra que pouco evoluiu como piloto em três anos. Nas qualificações é possivelmente o pior piloto da grelha, só não ficando em último, porque pronto, a Williams existe, mas, apesar de nas corridas ganhar várias posições, os defeitos nas qualificações prejudicam imenso a equipa. E não, certamente que ele não é melhor do que Esteban Ocon.

Fonte: Formula 1
ALFA ROMEO RACING
Tal como da Renault, em 2019, esperava-se algo mais da Alfa Romeo. Enquanto o Sauber de 2018 evoluiu constantemente de segundo pior carro na primeira corrida para quarto melhor na última, o da temporada passada pareceu não sair do sítio. A equipa era capaz de conquistar pontos preciosos, como era capaz de fazer companhia à HAAS na terra de ninguém. Os pilotos foram também inconsistentes, com Kimi Raikkonen a ter um início de ano fantástico, a colecionar pontos atrás de pontos para a equipa, mas na segunda metade a parecer desinteressado, e com dificuldade em chegar ao top 10.
Este é provavelmente o último ano de Kimi Raikkonen na Fórmula 1 e espero que o “Iceman” saia em grande. Antonio Giovinazzi, que começou o ano com muitas dificuldades mas deu a volta na segunda metade, vencendo várias qualificações e corridas a Kimi, tem ainda assim, este ano, muito a melhorar.

Fonte: Formula 1
HAAS F1 TEAM
A equipa liderada por Guenther Steiner decidiu deixar mais um ano com o mesmo line-up. Desde 2017 que a equipa americana conta com Romain Grosjean e Kevin Magnussen, e 2020 não será diferente.
Apesar dos resultados precários da equipa, principalmente no ano passado – apenas 28 pontos e um nono lugar no campeonato – a principal razão apontada pela equipa para deixar os dois pilotos é a notória experiência destes no campo da Fórmula 1. E nisso, não podemos argumentar o contrário.
Para 2020, a equipa estará notoriamente mais focada em conseguir melhores resultados. Com o objetivo comum de ser a “best of the rest” – o quarto lugar do campeonato – apostar no mesmo line-up de pilotos poderá ter sido arriscado.

Fonte: Haas F1 Team
Porém, a esperança é sempre a última a morrer. Romain Grosjean já mostrou ter uma certa sabedoria para o cargo – bem como bons momentos no seu percurso na Fórmula 1 -, e Kevin Magnussen certamente deixar-se-á levar pelo seu lado competitivo na ambição de conseguir melhores resultados.
Falta apenas saber se o carro será competitivo o suficiente para o objetivo comum. Com apenas cinco anos de existência, não prometemos um já quarto lugar para 2020, mas, temos a certeza de que, se os resultados continuarem precários para a equipa americana, algumas mudanças terão que acontecer.
WILLIAMS RACING
A histórica Williams terá, em 2020, o único rookie para a próxima temporada. Com a saída de Robert Kubica, a equipa liderada por Claire Williams terá como line-up o já conhecido George Russell – um dos rookies de 2019 -, e a nova contratação do canadiano Nicholas Latifi, proveniente do campeonato de Fórmula 2.
Há alguns anos que não vemos a Williams a singrar na Fórmula 1. Os pódios a que constantemente nos habituaram, parecem ter desaparecido num ápice.
E 2019 foi, sem dúvida, um exemplo de um ano terrível para a equipa. Durante toda a temporada, para além do décimo lugar garantido, a equipa apenas conquistou um único ponto – de Robert Kubica – e, sinceramente, nem se sabe bem como é que este aconteceu.
Não podemos esquecer de mencionar que muitos destes problemas da equipa estão ligados à situação económica da mesma, que tem sido prejudicial para a obtenção de resultados, e, sinceramente, acaba por ser desapontante para os amantes da Fórmula 1 ver o estado em que a Williams está.

Fonte: Williams Racing
As expetativas para 2020 para a equipa inglesa não parecem estar muito altas. Os cortes financeiros da equipa parecem estar a sobrepor-se a estas expectativas, visto que a manutenção do carro depende muito destas condições.
No entanto, fora isso, os pilotos que farão parte para a próxima temporada irão, certamente, ajudar a equipa neste processo. George Russell tem vindo a mostrar muito do seu potencial, com um carro pouco competitivo; e Nicholas Latifi irá agora iniciar o seu percurso na Fórmula 1, mas os bons resultados que obteve na Fórmula 2 também indicam que será uma mais-valia para a equipa.
Se será um bom ano para a Williams? Nada o indica, mas a verdade é que, pior do que temos visto, é impossível.
Artigo revisto por Diogo Teixeira









