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Fórmula 1 | Os 10 melhores pilotos da temporada de 2020

Redação BnR · 8 min

Foto: Mercedes AMG-F1

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2020 foi um ano atípico para todos, e a Fórmula 1 não foi excepção disso. Para contextualizar esta afirmação, tivemos uma temporada também ela atípica.

17 corridas em cerca de cinco meses (um feito nunca antes visto na categoria!), não tivemos circuitos históricos como o do Mónaco, mas tivemos novidades, incluindo o Autódromo Internacional do Algarve, que fez parte da categoria pela primeira vez na sua História.

Mas, não ficou por aí. Desta feita, tivemos recordes batidos, surpresas do ano e desilusões, que, ao longo do ano, fomos apelando nos nossos artigos de análise às corridas.

Neste artigo, fizemos uma seleção de metade do pelotão e escolhemos então os dez pilotos que marcaram a 70.ª temporada de Fórmula 1.

Foto de Capa: Mercedes AMG-F1

Artigo redigido por Angelina Barreiro, Clara Maria Oliveira, David Pacheco e Luís Manuel Barros

10.

Valtteri Bottas (Mercedes) – Por vezes fica uma ligeira sensação de que somos injustos com Valtteri Bottas. Ele tem como colega de equipa Lewis Hamilton, um dos melhores de todos os tempos, e o melhor desta geração, por vezes tem azar, seja em acidentes ou avarias, contudo, convém lembrar que está naquele que durante toda a temporada foi, de longe, o melhor carro.

Foram duas vitórias e 13 pódios, mas souberam a muito pouco quando olhamos para as corridas. Desde ficar preso atrás de carros bem mais lentos em Monza, incapaz de os ultrapassar, a ter uma das piores corridas da carreira na Turquia, onde mal conseguia manter o carro apontado na direção certa. Mas o que melhor mostrou a época de Bottas foi a corrida em Portimão. Após um começo muito tremido de Lewis Hamilton, Bottas salta para a frente, de forma confortável, mas a meio da corrida, o ritmo desaparece, e o britânico acaba por vencer por mais de 20 segundos, no mesmo carro!!

Bottas é um piloto rápido, já o provou, está quase sempre próximo de Hamilton, um dos melhores da história, na qualificação, contudo, na corrida não tem a capacidade de fazer tudo tão bem como um Verstappen, um Ricciardo ou até um Leclerc. Não há ali a capacidade de ser rápido sem destruir os pneus, de sacar uma ultrapassagem surpreendente do nada, de usar os jogos mentais a seu favor. Para a Mercedes, é um bom “wingman” para Hamilton, mas quando os outros construtores começarem a apertar, pode não vir a ser o suficiente para garantir um campeonato.

9.

Lando Norris (McLaren) – Um dos pilotos mais carismáticos da grelha só cá está há 2 anos, e já marcou o seu lugar como um dos jovens que por cá ficará vários anos. Pessoalmente não o considero um futuro monstro dos circuitos como Russel ou Verstappen, mas tenho-o na categoria de “piloto que talvez ganhe um campeonato se tudo lhe correr bem ao estilo de Jenson Button”.

Esta temporada só veio confirmar isto. Teve um começo fulgurante, que me deixou a duvidar dessa mesma categoria onde o coloquei, conseguindo o primeiro pódio da carreira na primeira corrida, e ao contrário do ano passado, onde foi afetado por muito azar, a consistência dele foi essencial para o terceiro lugar no campeonato da Mclaren.

Em termos de qualificação, tal como na época passada foi taco a taco com Carlos Sainz, e já s sabe que Lando Norris é muito rápido durante uma volta, mas por vezes desaparecia a meio das corridas. Isso não é de todo grave, é algo que se constrói com a experiência, e para o ano, o frente a frente com um piloto como Daniel Ricciardo vai ser o tira-teimas sobre o teto de Norris.

8.

George Russell (Williams) – Sim, dentro do nosso top 10 está um piloto que não fosse a sorte de conduzir um Mercedes na penúltima corrida, provavelmente nem tinha pontuado, mas é um pouco mais complexo do que isso.

George Russell mais uma vez destruiu por completo um colega de equipa. Tudo bem, esse colega provavelmente lidera o pódio do top -10, mas mais de meio segundo de diferença média nas qualificações é notável. Esta foi também a temporada de Russell cometer erros custosos e aprender com eles, com várias oportunidades de pontos desperdiçadas (Ímola vem à memória), sendo que na temporada passada apenas lutava com Robert Kubica, mas desta vez tinha uns Haas e uns Alfa Romeo para brincar com ele.

Mas a verdadeira revelação, ou prova daquilo que George Russell vale, foi quando teve de se sentar num Mercedes no qual quase nem cabia, sem grande preparação, qualificar-se na segunda posição, e não fosse o erro da equipa, quase ter vencido a corrida do Sakhir. George Russell foi tão bom, que até Toto Wolff teve dificuldades em esconder a sua dúvida relativamente à decisão de renovar com Bottas no início do ano.

George Russell estará no topo muito em breve, talvez ainda mais cedo do que pensamos, e este lugar no top 10 é merecido, face à velocidade pura e espírito de campeão que demonstrou durante a temporada.

7.

Fonte: McLaren

Carlos Sainz (McLaren) – Este ano foi o segundo de Carlos Sainz na equipa da McLaren. Mas antes sequer de a temporada começar e depois do adiamento do início da temporada devido à pandemia da COVID-19, Sainz assinou com a Ferrari para 2021. Veremos o que faz, pois 2020 não foi especialmente bom para a equipa italiana.

Mas, para Sainz, 2020 foi muito bom. Esteve perto da sua primeira vitória na Fórmula 1, ficando a décimos de segundo de Pierre Gasly no Grande Prémio da Itália. Mas, para lá disso, a consistência do espanhol, e claro de Lando Norris, levaram a McLaren a um histórico terceiro lugar no Campeonato de Construtores. Depois da passagem para motores Honda na era híbrida a equipa de Woking tem vindo a recuperar e certamente o espanhol foi peça fundamental no renascimento das cinzas, tal como a Fénix do Professor Dumbledore na saga Harry Potter, do construtor britânico.

6.

Daniel Ricciardo (Renault) – De mudanças para a McLaren em 2021, 2020 foi provavelmente o melhor ano desde que o australiano saiu da Red Bull, em 2018.

Para além da equipa francesa ter mostrado ter um dos carros que mais desenvolveu ao longo da temporada, a verdade é que Daniel Ricciardo também não ficou atrás disso, e, sabendo o espírito de campeão que «Danny Ric» tem, não nos deixou insatisfeitos com o seu trabalho.

Para além dos dois pódios conquistados a serviço da Renault, no GP de Eifel e no de Emilia-Romagna, Ricciardo acaba assim em quinto lugar do campeonato de pilotos, esperando que para o ano, na McLaren, encontre a vitória que já não cheira desde os áureos tempos da Red Bull.

5.

Charles Leclerc (Ferrari) – 2020 foi um ano para esquecer quando falamos em Ferrari. Apesar disso, o monegasco realizou alguns resultados que adocicaram o amargo do motor do SF1000. Charles Leclerc terminou em oitavo lugar da geral, com uma pontuação final de 98 pontos, longe do quarto lugar da temporada anterior.

O piloto de 23 anos subiu ao pódio em apenas duas ocasiões (Áustria e Grã Bretanha). No entanto, o piloto da Ferrari surpreendeu quando o motor deixava o talento sobressair, principalmente em algumas qualificações. É um dos melhores da nova geração, mas esperamos que volte em breve às vitórias e a mais pódios em 2021.

4.

Fonte: Honda Racing F1

Pierre Gasly (AlphaTauri) – Se a carreira de Pierre Gasly daria uma montanha-russa, então, 2020 pode ser considerado um dos picos mais altos dessa montanha-russa.

Para além de ter estado na maior parte das vezes à frente do seu colega de equipa, Daniil Kvyat, o piloto francês consegue levar o seu AT20 ao primeiro lugar, no GP de Itália, em Monza, protagonizando uma das melhores corridas da época (e, consecutivamente, uma das melhores fotos do ano).

Concluindo, Gasly só precisava de um carro que não fosse assim tão bom, para mostrar aquilo que vale e aquilo que consegue fazer em pista. E 2020 foi a prova disso.

3.

Max Verstappen (Red Bull) – O piloto holandês voltou a fechar o pódio, com 214 pontos no final da temporada. A apenas nove pontos de Valtteri Bottas, Verstappen voltou a demonstrar muita qualidade a pilotar pela Red Bull Racing e está cada vez mais perto dos dois Mercedes.

Aos 23 anos, Max Verstappen tornou-se o mais rápido de sempre a vencer dez corridas de Fórmula 1. Durante a temporada que decorreu em 2020, venceu duas etapas do campeonato do mundo (70.º aniversário e Abu Dhabi) e esteve presente em 11 pódios de 17 corridas realizadas.

No entanto, ao contrário de alguns anos, o piloto de 24 anos abandonou em cinco corridas, o que demonstrou alguma inconsistência e, talvez, alguma falta de sorte. Apesar de já ter demonstrado tanta qualidade, esperamos sempre mais do holandês quando entra em pista.

2.

Fonte: Formula 1

Sergio Pérez (Racing Point) – O piloto mexicano foi, sem dúvida, uma das boas surpresas do ano. Não que fosse uma surpresa, visto que sabíamos o talento e a experiência que «Checo» já nos apresentara desde 2011 na Fórmula 1, mas a surpresa foi o facto de ter tido, finalmente, um carro ao nível dele.

Num ano de altos e baixos para o mexicano, Sergio Perez falhou duas corridas por testar positivo à COVID-19, mas, em contrapartida, conseguiu dois pódios, sendo um deles a sua primeira vitória em 190 corridas realizadas, no GP de Sakhir, e o merecido quarto lugar no campeonato geral de pilotos. Sem falar no incrível desempenho para ajudar a equipa a ficar em quinto lugar, algo que o seu colega de equipa, Lance Stroll, não conseguiu tão bem.

1.

Fonte: Mercedes AMG-F1

Lewis Hamilton (Mercedes) – A Fórmula 1 também é feita de número e estatística e Lewis Hamilton quebrou tudo o que tinha a quebrar. Vitórias, poles e pódios.

No total, são 95 vitórias, 165 pódios, 98 pole positions, 53 voltas mais rápidas. Em 2020, foram 613 voltas na liderança, contra as 188 voltas de Valtteri Bottas. Num total de 950 para o Mercedes W11, as restantes ficam para George Russell.

Agora, falta quebrar o recorde de títulos, mas em 2020, Sir Lewis Hamilton deu um passo importante ao igualar os sete títulos de campeão do mundo de Fórmula 1 de Michael Schumacher. Não começou a temporada bem com o quarto lugar no Grande Prémio da Áustria, mas essa foi a sua pior classificação em 2020. Mesmo não participando no Grande Prémio do Sakhir, Hamilton limpou mais uma vez o chão com a sua supremacia (e da Mercedes também ajudou).

No final da temporada não há dúvidas sobre quem foi o melhor esta temporada. Agora, em janeiro, resta apenas saber se o britânico renova contrato ou não…

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