GP Austrália: O pé direito de Vettel e os pés trocados da Haas

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Está de volta. As ultrapassagens, as qualificações, as bandeiras axadrezadas, as boxes, o DRS e o cheiro a pneu queimado. Voltou a emoção. Voltou a Fórmula 1. O Grande Prémio da Austrália estendeu a passadeira vermelha aos 20 pilotos que vão tornar os fins de semana bem mais animados até novembro.

Lewis Hamilton confirmou o pseudo favoritismo das semanas de testes em Barcelona e conquistou a pole-position. Raikkonen logo a seguir, Vettel a fechar o pódio, Verstappen a sair de quarto e, logo a seguir, os dois Haas a cavarem a primeira surpresa do ano. Mas o dia não ia acabar da melhor maneira para Magnussen e Grosjean.

Daniel Ricciardo foi penalizado em três posições por excesso de velocidade com bandeira vermelha e Valtteri Bottas caiu cinco lugares por ter trocado de caixa de velocidades: o Red Bull saiu de oitavo, o Mercedes de 15.º.

Bandeira em baixo, motores ligados e começava o primeiro Grande Prémio de 2018. O circuito australiano contava este ano com mais uma zona de DRS – com três no total – para facilitar e multiplicar as ultrapassagens. Mas a decisão tornou-se insuficiente: que o diga Hamilton.

O inglês da Mercedes arrancou bem e segurou a liderança. Verstappen deixou escapar o quarto lugar para Magnussen e, depois de um pião na décima volta, caiu para oitavo e complicou bastante a sua tarefa. A possibilidade de um final mais sorridente para a Red Bull ficava a partir daqui nas mãos de Daniel Ricciardo.

Raikkonen foi o primeiro a ir às boxes e Hamilton rapidamente seguiu o exemplo. Vettel não conseguia implementar no Ferrari o andamento dos dois homens da frente: chegou a estar a sete segundos do campeão do mundo. Mas as paragens do principal adversário e do colega de equipa deram-lhe a chance necessária para agarrar a liderança do GP e adiar a primeira pit-stop.

Mas o momento que iria decidir a corrida chegou na volta 24. A Haas estava a cumprir um fim de semana de sonho, com uma qualificação surpreendente e um quarto e quinto lugares que garantiam 22 pontos no final da primeira prova do ano: metade de todos os que fizeram na temporada de 2017. Magnussen saiu da box com um ritmo muito lento e acabou por parar e abandonar; na volta seguinte, aconteceu exatamente o mesmo a Grosjean.

O atípico abandono da Haas decidiu a corrida
Fonte: Haas F1 Team

A equipa técnica da Haas cometeu um erro inacreditável e praticamente inédito – as porcas foram mal apertadas nas rodas e as mesmas entraram soltas na pista. Para além da dupla desistência, a equipa foi multada em 10 mil euros pela FIA por ter colocado em risco a segurança de todos os outros carros. Aqueles mecânicos podem começar a inscrever-se no centro de emprego.

O safety-car virtual entrou em pista e não podia ter sido em melhor altura para Sebastian Vettel. O alemão aproveitou para parar e quando saiu das boxes estava à frente de Lewis Hamilton: o inglês não percebeu o que aconteceu e até perguntou via rádio se a culpa tinha sido sua ou da equipa. Não houve resposta conclusiva. O safety-car passou de virtual a real e quando a corrida foi relançada, Vettel só teve de segurar Hamilton.

O inglês bem tentou aproveitar o DRS mas nunca chegou a ameaçar realmente o Ferrari. Cometeu dois erros, falhou duas travagens antes das curvas, esteve sempre preocupado com o sobreaquecimento do carro e deixou escapar Vettel. Lá atrás, Kimi Raikkonen conseguiu segurar Daniel Ricciardo e garantiu o duplo pódio para a scuderia italiana. Verstappen terminou em sexto e Valtteri Bottas em oitavo, atrás de Hulkenberg.

Nota positiva para a Ferrari. Raikkonen e Vettel desempenharam com brilhantismo a estratégia desenhada e o compasso de espera que o alemão fez até parar valeu-lhe a vitória. De realçar também o quinto lugar de Fernando Alonso. O espanhol ficou à frente de Verstappen e Bottas e deixou patente uma ideia de confiança que paira nas garagens da McLaren: “O alvo é a Red Bull”. O ano começa como os últimos dois – a McLaren é o underdog que pode explodir.

Nota agridoce para a Haas. Apesar da dupla desistência que deixa a equipa no fundo da classificação geral, o monolugar deixou ótimas indicações e, se não fosse aquele erro técnico atípico, teria ficado em lugares completamente surpreendentes. Olhos abertos e atentos a Magnussen e Grosjean.

Vettel ganhou e começou o Campeonato do Mundo 2018 com o pé direito. Hamilton foi traído pela estratégia de paragens mas continua a ter laivos de campeão que mais nenhum do piloto do grid tem. A Fórmula 1 regressa no fim de semana de 6 a 8 de abril, com o Grande Prémio do Bahrain.

Foto de Capa: Scuderia Ferrari

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Mariana Fernandes
Mariana Fernandes
O Desporto é o eixo sobre o qual gira o mundo da Mariana. Seja sobre futebol ou desportos motorizados, não dispensa um bom debate. Aos pontapés na bola ou sobre rodas, está sempre em cima das últimas notícias.                                                                                                                                                 A Mariana não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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