Publicidade

GP do México: Enorme Rosberg, terrível Ferrari

Mariana Fernandes · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

cab desportos motorizados

No regresso da Fórmula 1 ao México, 23 anos depois, Nico Rosberg conseguiu impor-se a Lewis Hamilton e garantir mais uma dobradinha para a Mercedes. O alemão deu assim um importante passo na luta pelo segundo lugar da classificação geral, ao ultrapassar Sebastian Vettel, que enfrentou inúmeras dificuldades na corrida deste fim-de-semana – bem como a própria Ferrari.

O azar da Ferrari começou logo na qualificação: KimiRaikkonen debateu-se com múltiplos problemas mecânicos e a equipa acabou por decidir proceder à troca de motor. Esta decisão valeu ao finlandês uma penalização de 35 posições, que só não se materializou no último lugar do grid devido a castigos semelhantes aplicados a JensonButton (McLaren). A pole, essa, ficou para Nico Rosberg; o alemão foi mais rápido do que Lewis Hamilton em todas as fases da qualificação. A segunda linha da grelha pertenceu a Sebastian Vettel e DaniilKvyat.

O arranque de Rosberg valeu-lhe, muito provavelmente, a vitória: o alemão da Mercedes revelou-se seguríssimo ao fechar qualquer possibilidade de ultrapassagem a Hamilton. A partir daqui, foi só manter a brilhante consistência a que já nos vem habituando. Vettel, porém, não conseguiu agarrar a terceira posição e deixou-se bater por Kvyat, antes ainda da primeira curva. Para acrescentar a isto, a pouca sorte voltou a bater à porta da scuderia italiana: Vettel e Ricciardo tocaram-se, o australiano da RedBull prosseguiu sem problemas mas o alemão furou o pneu. Obrigado a parar logo na primeira volta, Vettel regressou à pista para ocupar o último lugar e fazer uma verdadeira corrida de recuperação, de trás para a frente.

Nico Rosberg esteve em grande no México Fonte: Facebook Oficial de Nico Rosberg
Nico Rosberg esteve em grande no México
Fonte: Facebook Oficial de Nico Rosberg

Atrás dos Mercedes, a luta pelo último lugar do pódio revelava-se o maior ponto de interesse do GP. DaniilKvyat, Daniel Ricciardo, ValtteriBottas, Max Verstappen – todos eles passaram por lá. A F1 mostra, mais uma vez, que tem jovens pilotos de grandes capacidades, com qualidade mais do que suficiente para dar continuidade a este desporto, que move multidões. Os dois RedBull já nos habituaram às suas disputas, que provocam momentos de autêntica adrenalina, e hoje, no México, não abriram excepção; Bottas é cada vez mais um piloto maduro, que tira o melhor do seu constante Williams para perseguir os lugares cimeiros da classificação; Verstappen aproveita a rebeldia característica da sua tenra idade e vai, gradualmente, causando dores de cabeça aos pilotos mais experientes.

Num GP em que a Pirelli aconselhou as equipas a começarem com pneus macios, todos os veículos acabaram por mudar para médios – alguns deles, inclusive, fizeram-no logo na volta 10. O aproximar do final da corrida fazia prever que alguns pilotos corressem riscos para conquistar posições ou até chegar aos pontos, voltando a montar pneus da mistura macia, mas tal não se verificou.

Enquanto Rosberg cavava uma distância segura para o já campeão Lewis Hamilton, Vettel destruía a autêntica escalada que vinha fazendo: sozinho, despistou-se e fez um pião, anulando os lugares que já havia tomado. Além disto, e numa reedição do que tinha acontecido no Grande Prémio da Rússia, KimiRaikkonen e ValtteriBottas envolveram-se num acidente, que, desta feita, resultou na desistência do piloto da Ferrari. O finlandês não tem como se queixar: Bottas ultrapassou-o, Raikkonen fechou-lhe a trajectória e apesar da travagem a fundo do homem da Williams, o choque foi inevitável. Kimi não terminou a corrida por culpa, unicamente, sua. Mas o azar da Ferrari não tinha ainda terminado: quando Vettel estava já na sexta posição, a sonhar com uma apoteótica subida ao pódio depois de uma prova dificílima, despistou-se, mais uma vez sozinho, e embateu nas barreiras, terminando assim a sua passagem pelo México.

O despiste de Vettel causou a entrada do safety-car, que anulou a vantagem de Nico Rosberg. Ainda assim, o alemão conseguiu manter a superioridade face ao colega de equipa e garantiu a quarta vitória neste Mundial. Hamilton ainda questionou a decisão da equipa de o chamar às boxes e recusou, numa primeira fase, o pedido. Acabou por aceder à ordem na volta seguinte, sendo ultrapassado por Rosberg, e pediu justificações aos engenheiros; o mau perder do costume, a que o inglês já nos habituou.Bottas beneficiou da excelente estratégia de paragem nas boxes da Williams – that’s a first! – e bateu Kvyat na luta pelo último lugar do pódio.

Nota negativa para a Ferrari, que não enfrentava um duplo abandono desde 2006. Também a McLaren não pode ir para casa contente – Fernando Alonso desistiu ainda na primeira volta, com problemas no motor. Nota muito positiva para Nico Rosberg; com este Nico em todos as etapas, talvez Hamilton ainda não fosse campeão.  A F1 volta no fim-de-semana de 13 a 15 de Novembro, com o Grande Prémio do Brasil.

Foto de Capa: Mercedes AMG Petronas

Mariana Fernandes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quando a tática explica tudo e, mesmo assim, passa para 2.º plano | Torreense

Não é que a tática não seja importante. Ela é, aliás, crucial para entender o jogo e o seu caminho. Ainda assim, depois de dois golos dos descontos e de uma nova vitória - a primeira em casa - do Torreense, qualquer pensamento, qualquer sentimento, qualquer nota sobre o jogo tende a lembrar a magia de, não um, mas dois golos anotados nos descontos para mudar completamente o resultado e o apelo de um clube a uma prova. Só a tática, na forma como o Torreense se organizou 11x10, 10x11 e 10x10, explica uma vitória construída com base em pensamento, em estrutura e em alterações constantes, num dinamismo tal que precisa de múltiplos cantos para escrever uma epopeia. Mas também só a emoção ou, pelo menos, a capacidade de a exteriorizar, explica a forma como, quando todos já poderiam deitar a toalha ao chão, um clube da Segunda Liga se consegue superiorizar na Europa e, depois de sofrer uma reviravolta, responder na mesma moeda, depois de, em casa, perder pontos nos descontos, recuperá-los e triplicá-los. 

Diogo Ribeiro · 9 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.