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GP Espanha: Um passeio “domingueiro” para Hamilton

Luís Manuel Barros · 5 min

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A CORRIDA: É MESMO PRECISO CORRER NA CATALUNHA?

Começamos com a pergunta de um milhão de euros. É mesmo necessário correr neste circuito? O mesmo onde os pilotos fazem centenas e centenas de voltas na pré-época, o mesmo que tantas vezes apresenta das piores corridas do ano. Não, este GP não foi como o de Silverstone na semana passada, aliás, fica complicado chamar corrida quando vimos apenas 10 voltas das 66 onde os pilotos realmente estavam a atacar e a executar ultrapassagens fantásticas, onde a estratégia ainda estava um pouco no ar.

Agora sim, depois de destilar um pouco do ódio que tenho perante este circuito na Fórmula 1, vamos focar-nos na corrida. Lewis Hamilton (Mercedes) venceu confortavelmente a corrida, na frente de Max Verstappen (Red Bull) e Valtteri Bottas (Mercedes). No fundo, as três figuras habituais do pódio, e os únicos que mostram a mínima possibilidade de vencer uma corrida.

Apesar de começar em segundo ao lado do seu colega de equipa, o mau começo de Bottas, acabou por tirar a dobradinha à Mercedes, com o finlandês a seguir em quarto após o final da primeira volta. Por outro lado, quem teve um excelente começo foi Lance Stroll (Racing Point), que mostrou mais uma vez como é fantástico na primeira volta da corrida, quando saltou de quinto para terceiro, o que durou pouco, pois quanto se pôde usar DRS, Bottas recuperou o pódio, e assim permaneceu durante toda a corrida.

Max Verstappen ainda se manteve próximo de Hamilton durante várias voltas, mas o belga sabia que o Mercedes ainda não estava a dar tudo o que tinha, o que se verificou nas voltas seguintes, quando Hamilton começa a desaparecer na frente da corrida, deixando Max Verstappen numa batalha estratégica para se manter na frente de Bottas, que acabou por vencer.

Mais atrás, a Red Bull matava a corrida de Alex Albon, que seguia em sexto lugar atrás dos Racing Point. O britânico foi às boxes para colocar os duros, e sai para o meio do pelotão, para o comboio liderado por Kevin Magnussen, que após um excelente arranque, seguia em 13.º. Isto prejudicou os avanços de Albon, que poderia ter ritmo para passar os Racing Point. Como compensação, nas 10 voltas em que houve alguma ação, esta surgiu graças a Alex Albon, que tal como em Silverstone na semana passada, demonstrou o quão bom é na hora de ultrapassar outros pilotos pelos sítios mais difíceis.

Já para Charles Leclerc (Ferrari), as coisas não corriam tão bem. Estranhamente, e enquanto se encontrava “preso” atrás de Lando Norris, ao passar a última chicane, o motor Ferrari desligou-se e causou um pião do monegasco, que conseguiu levar o carro até às boxes, para assim, desistir da corrida. O maior beneficiado foi o colega de equipa, Sebastian Vettel, que deixado à sua sorte pela equipa, que aparentemente se esqueceu que tinha de preparar a estratégia para dois pilotos, conseguiu fazer funcionar uma arriscada estratégia de uma paragem, improvisada na hora, terminando em sétimo.

Os Racing Point seguiam calmamente em quarto e quinto, com Sergio Perez a liderar, mas uma penalização de cinco segundos difícil de compreender atirou o mexicano para trás de Lance Stroll. Aparentemente, Sergio Perez foi penalizado por impedir Lewis Hamilton, que se preparava para o dobrar, mas as imagens apresentadas mostram que o mexicano deu imenso espaço ao britânico, inclusive acabou por ajudar, com o vácuo criado.

A Mclaren teve um dia silencioso mas com mais um conjunto de pontos, com o sexto lugar de Carlos Sainz, que continua a sequência de corridas caseiras onde consegue pontuar. Lando Norris não teve a melhor corrida, não saindo do décimo lugar onde se qualificou, destaca-se a fantástica batalha que teve com Charles Leclerc, antes de este se retirar.

O francês Pierre Gasly (Alpha Tauri) mostrou mais uma vez provas da grande época que está a executar, com um nono lugar, bastante acima do colega de equipa Daniil Kvyat. A maior surpresa pela negativa foi sem dúvida a Renault, que após uma má qualificação com ambos os pilotos fora do top 10, viram o seu ritmo de corrida a não ser melhor, terminando Daniel Ricciardo em 11º e Esteban Ocon em 13º.

Daí para trás ficaram os suspeitos do costume, com o trio de HAAS, Alfa Romeo e Williams a fechar o resto da tabela, com o único destaque a ser o recorde de Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), que se tornou o piloto com maior distância percorrida de sempre na F1, com 83.846 Km percorridos, uma distância superior a duas vezes a circunferência da terra.

Este foi um grande prémio sem surpresas ou grande entusiasmo, tal como já fomos habituados a ter por este circuito. A competitividade é má e não existem grandes oportunidades para erros, pois os pilotos já conhecem demasiado bem a pista. Só para dar contexto, apenas três pilotos estavam na volta de liderança, acho que isso diz o suficiente…

Foto de capa: F1

O PILOTO DO DIA

Sebastian Vettel terminou na sétima posição.
Fonte: F1

Sebastian Vettel – As coisas parecem tão fáceis para Lewis Hamilton que seria difícil colocar aqui, apesar da fantástica performance, mas para Vettel, é o oposto, as coisas estão tão difíceis, tão no fundo, que quando ele consegue uma performance assim, é difícil não admirar. Quantos pilotos são praticamente obrigados a tomar as decisões estratégicas pela equipa, ou a ter de se virar com as estratégias inventadas na hora por uma equipa em clara crise, que comete erros atrás de erros, e acima de tudo, parece esquecer que Vettel é sequer seu piloto. Sebastian Vettel em sétimo lugar não parece fantástico, mas acreditem, com tudo o que lhe tem acontecido, é.

A DESILUSÃO DO DIA

Sainz e Norris terminaram em sexto e décimo lugar, respectivamente.
Fonte: F1

Renault – Não é difícil, mais um ano, mais uma vez que vemos a equipa de fábrica da Renault a ser claramente inferior aos clientes. Por vezes, parecem próximos do ritmo dos Racing Point e dos McLaren, em outras, parecem os Alpha Tauri. Hoje, estavam em batalha com a HAAS. Há uma clara inconsistência no funcionamento do carro, e a culpa não está nos pilotos, que são dos melhores da grelha, por isso, em algum lado estará.

Luís Manuel Barros

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