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GP Estados Unidos: pontapé na crise

Mariana Fernandes · 3 min

GP Estados Unidos: pontapé na crise

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Cabeçalho modalidadesO sol que pairou por cima de Austin iluminou não só o Grande Prémio dos Estados Unidos, bem como a prestação de Lewis Hamilton. O inglês disse adeus à seca de vitórias e conquistou pela quarta vez o GP americano.

O fim-de-semana correu de feição a Hamilton e isso foi notório desde o primeiro minuto. O piloto da Mercedes bateu o recorde do Circuito das Américas de forma espectacular, com o tempo surreal de 1m34.999s e garantiu assim a pole-position. Rosberg confirmou a dobradinha da Mercedes e os Red Bull voltaram a ser bem melhores que os Ferrari, tendo Ricciardo e Verstappen ficado na segunda linha do grid, à frente de Raikkonen e Vettel.

A dúvida permanecia no arranque de Lewis Hamilton. O inglês tinha vindo a vacilar nas partidas e a deitar tudo a perder, mesmo quando tinha conquistado a pole. Se arrancasse bem, a corrida estava practicamente por sua conta; se desse margem de manobra a Rosberg, o Campeonato do Mundo ficava já quase inatingível. Mas Hamilton estava ciente desde calcanhar de Aquiles e treinou-o especialmente durante a semana: “tenho treinado a partida, por isso, estou positivo para amanhã em relação a isso”. E só tinha de estar.

Lewis Hamilton conquistou a quarta vitória em Austin Fonte: Mercedes AMG Petronas
Lewis Hamilton conquistou a quarta vitória em Austin
Fonte: Mercedes AMG Petronas

Lewis Hamilton arrancou muito bem e segurou ali todo o Grande Prémio. Rosberg, por sua vez, deixou-se ultrapassar por Ricciardo. Para cumprir a tradição, a primeira curva da corrida foi caótica e causou um toque entre Perez e Kvyat e um pneu furado a Bottas. Verstappen, numa primeira fase, perdeu lugares para os Ferrari mas rapidamente voltou à ribalta e ao forte pressing a Rosberg.

Mas, pela primeira vez, o jovem holandês errou. Quando estava a obrigar Rosberg a colar-se a Ricciardo para não perder o último lugar do pódio, Verstappen pensou que tinha sido chamado às boxes pela equipa e entrou no pit-lane. Apanhou a Red Bull de surpresa e, quando voltou à pista, caiu para sétimo. Mas como um problema nunca vem só, o jovem piloto começou a sentir problemas no motor do monoveículo e acabou por abandonar, já sem conseguir transmitir potência às rodas. A desistência de Verstappen não só garantiu a vitória à Mercedes – a principal concorrente ia terminar o GP com apenas um carro – como tranquilizou Hamilton. Com a entrada do safety-car virtual, o inglês só teve de controlar as possíveis surpresas e continuar a rodar nos valores incríveis a que nos habituou neste fim-de-semana.

A luta pelo segundo lugar acabou por ser o pico de interesse depois do safety-car. Nico Rosberg aproveitou o facto de ter pneus mais novos e ultrapassou Ricciardo, garantindo, a partir daqui, a dobradinha da Mercedes. E se uma scuderia festejava, outra levava às mãos à cabeça. A equipa das boxes da Ferrari cometeu um erro gigantesco ao deixar uma peça da pistola de aperto presa à roda de Raikkonen…foi o fim da prova para o finlandês.

Daqui até ao final, pouco a dizer. Lewis Hamilton, como já sabemos, é exímio a controlar corridas practicamente ganhas e a Mercedes é mestre a moderar os avanços e recuos dos seus dois pilotos. Ricciardo conformou-se com a terceira posição e não arriscou mais. Um pouco mais atrás, Sainz, Massa e Alonso lutavam heroicamente pelo quinto lugar. Alonso e Massa chegaram a tocar-se, tendo o incidente ficado a ser investigado depois do fim da prova. Quem soube aproveitar foi o muitíssimo experiente Fernando Alonso, que não só aproveitou o toque para ultrapassar Massa, como ainda conseguiu chegar à quinta posição de Carlos Sainz. Quem sabe, nunca esquece.

Nota positiva para Fernando Alonso e para a McLaren, que conseguiu nos Estados Unidos um importante e inesperado sexto lugar. De realçar, também, a vitória de Lewis Hamilton e o regresso do inglês ao degrau mais alto do pódio.

Nota negativa para o erro gigantesco de Max Verstappen e da equipa da Ferrari nas boxes. A este nível, qualquer um dos lapsos é inadmissível. Vettel volta a ficar fora do pódio e dos lances mais importantes do GP – o alemão da Ferrari coleccionou mais uma etapa transparente.

Hamilton venceu e encurtou a distância para Rosberg. Ainda assim, existe a remota hipótese de o alemão da Mercedes festejar a vitória já no México – caso ganhe e Hamiton não pontue. Mas se tudo continuar como tem estado, temos campeonato até ao fim. E ainda bem. A F1 volta no fim-de-semana de 28 a 30 de Novembro, com o Grande Prémio do México.

Foto de capa: Red Bull Racing

Mariana Fernandes

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