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A CORRIDA: NA CÓPIA-CARVÃO DE 2020, SÓ MUDOU O VENCEDOR

Com os dois protagonistas do campeonato separados por apenas dois pontos, o “circo” chegava, uma vez mais, a Istambul, para o 9.º Grande Prémio de Fórmula 1 disputado na Turquia e o 16.º no campeonato de 2021. Depois de em 2020 o circuito, então em condições muito difíceis, ter consagrado Lewis Hamilton (Mercedes) como heptacampeão do mundo, a versão de 2021 apresentava-se com um novo asfalto, traduzido em tempos de volta cinco segundos e meio mais rápidos que aqueles vistos na temporada transacta.

Na qualificação, Hamilton foi novamente o mais rápido, mas uma penalização de dez lugares por troca de componentes da unidade motriz deixou a linha da frente ocupada pelo colega de equipa Valtteri Bottas e o rival Max Verstappen, da Red Bull, equipa que corria com “capa” branca e vermelha diferente da habitual em homenagem à Honda, fornecedora da unidade motriz da equipa e que abandona o desporto no final de 2021.

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As condições mistas e as nuvens que se adensavam sobre o distrito de Tuzla antecipavam mais uma corrida entusiasmante, tal como a anterior em Sochi. Partida com todos os pilotos em pneus intermédios e Bottas a segurar a liderança, com Fernando Alonso (Alpine), Nicholas Latifi (Williams) e Mick Schumacher (Haas) a caírem posições após piões. Hamilton, entretanto, ia tentando galgar terreno aos demais, colocando-se na 9.ª posição ao fim da segunda volta.

Só na volta oito Hamilton se conseguiu desenvencilhar de Yuki Tsunoda (AlphaTauri) para subir ao oitavo posto. Enquanto isso, Carlos Sainz (Ferrari), também penalizado à partida para o Grande Prémio (19.º na grelha), aproximava-se do Top 10. Pierre Gasly (AlphaTauri) e Alonso, também nesta altura, recebiam ambos penalizações de cinco segundos cada por incidentes na primeira volta.

Depois de ultrapassar Lance Stroll (Aston Martin) e o seu rival de Sochi, Lando Norris (McLaren), e com pista livre à sua frente, Hamilton ia agora fazendo voltas mais rápidas consecutivas e era meio segundo por volta mais rápido que todo o pelotão. Bottas liderava, à frente de Verstappen e Charles Leclerc (Ferrari), tal como haviam começado.

A metamorfose da pista e dos pneus replicava, quase na perfeição, a corrida de 2020: o asfalto ia secando, sobretudo na linha de corrida, e com mais de 20 voltas disputadas os pneus intermédios de todos os pilotos iam transformando-se em “slicks”.

Daniel Ricciardo (McLaren), no entanto, é o primeiro a descer às boxes à volta 22 para novo conjunto de intermédios. Uma aposta que, inicialmente, não pagou dividendos já que Ricciardo ia rodando ao mesmo ritmo que grande parte do pelotão nas primeiras cinco voltas após a paragem. No entanto, a notícia de mais chuva na curva nove podia indicar que o “jackpot” estava para chegar para o australiano que havia, também ele, começado na última linha da grelha.

Volta número 34, a esmagadora maioria dos pilotos ainda nos pneus intermédios iniciais e luta titânica entre Hamilton e Sergio Pérez (Red Bull) pelo quarto lugar, com o mexicano a defender de forma irrepreensível o lugar e a tapar o caminho do heptacampeão na perseguição ao rival Max Verstappen, nesta altura ainda em segundo.

Pouco depois, frenesim de actividade nas boxes, com vários pilotos a descer para novo conjunto de intermédios. Mantendo-se as condições climatéricas, esta seria provavelmente a última, e única, paragem para a maioria dos pilotos. Sebastian Vettel (Aston Martin), a rodar na segunda metade do pelotão, apostava na “roleta russa” ao colocar pneus “slick” médios, mas rapidamente se arrependeu (tal como Norris na Rússia). Um conjunto de sustos e muitos segundos perdidos depois, Vettel vem de novo às boxes para reverter a escolha e sair novamente em intermédios, agora na 19.ª posição.

Após a janela de paragens, Leclerc liderava a corrida e, tal como com Hamilton e Esteban Ocon (Alpine), especulava-se acerca da possibilidade de o Ferrari seguir até à bandeira de xadrez no mesmo conjunto de pneus com que começara: uma situação inesperada e pouco vista na história recente da Fórmula 1, mas possível dado que a corrida havia sido declarada molhada pela FIA e, por isso, a regra de utilização de dois compostos diferentes de pneu não se aplicava.

Início da volta 47 de 58 e o sonho de Leclerc chegava ao fim, com o mais rápido Bottas a ultrapassar o monegasco no final da recta da meta para assumir de novo a liderança do GP da Turquia. A desilusão de Leclerc acentuava-se logo de seguida, ao ver Hamilton passar para terceiro e a sofrer intensa pressão de Pérez pelo quarto lugar. O seu colega de equipa Sainz, entretanto, era o mais rápido em pista e rodava agora no oitavo posto.

Ao final da volta 50, Hamilton desce finalmente às boxes para novo conjunto de intermédios, em antecipação de um possível “chuveiro” final. Pérez suplanta Leclerc para terceiro, enquanto Hamilton ia tentando aproximar-se do par e tentar lutar pelo último lugar do pódio. Bottas e Verstappen seguiam imperturbáveis na frente, com quase 20 segundos de vantagem sobre os perseguidores.

O “chuveiro” não chegou e, com isso, um agastado Hamilton nada pôde fazer para impedir a vitória do seu colega de equipa Valtteri Bottas, a primeira do finlandês este ano, e o segundo lugar do rival Verstappen que, com os 18 pontos acumulados contra os dez do britânico, assumia assim a liderança do campeonato por seis pontos. Pérez fechava um pódio duplo para a Red Bull, enquanto Sainz cruzava a meta onze posições acima daquela em que começara e Ocon (décimo) conseguia somar um ponto usando a estratégia agressiva sem paragens.

A emocionante temporada de 2021 continua em Austin, nos Estados Unidos, no fim de semana de 23 e 24 de Outubro.

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