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Com o fenómeno do Covid-19 a afetar vários países um pouco por todo mundo, mas particularmente a China, o Grande Prémio no Circuito Internacional de Xangai foi adiado, ainda sem data marcada. Isto acabou por criar rumores sobre outras corridas que possam tomar o lugar deste Grande Prémio.
The 2020 #ChineseGP will be postponed due to the coronavirus outbreak
F1 and the FIA have accepted a request from the promoter to postpone the event
We will continue to monitor the situation and assess potential alternative dateshttps://t.co/0VImeMSxlV
— Formula 1 (@F1) February 12, 2020
Este pequeno exercício serve precisamente para isso, olhar para os inúmeros circuitos espalhados pelo mundo, e encontrar vários candidatos capazes de substituir o Grande Prémio da China. A FIA avalia os circuitos onde as competições sobre o seu aval tem lugar, e para tornar esta escolha mais desafiante e mais realista (senão eu ia querer carros de Fórmula 1 em Daytona), todos os circuitos deste artigo têm de ser avaliados com o nível um da FIA, o nível mais alto, e o único que pode receber corridas de Fórmula 1.
1.
Hockenheimring – Começando pelo circuito que muitos nem se aperceberam já não estar no calendário. É verdade, o local onde vimos uma das melhores corridas dos últimos anos no Grande Prémio da Alemanha 2019 já faz parte do guia de viagens da F1. Por questões financeiras a pista foi retirada do calendário, mas, para além de já ser um destino familiar, onde provavelmente não ia ser necessário quase nenhum investimento de preparação para a F1, é uma excelente pista. Eu devo ser dos poucos que defende as alterações feitas por Hermann Tilke (o criador da maioria das pistas de Fórmula 1) a este circuito.
Quem acredita que o circuito anterior era fenomenal, muito provavelmente não via as corridas que lá existiam, onde as melhores partes do circuito eram o primeiro e último setor, que ainda se mantém intactos, tendo sido cortada a gigante reta interrompida por umas chicanes. É pena que tenha sido retirado este circuito e se tenha mantido Sochi, por exemplo, mas no caso de não haver GP da China, pode sempre regressar o da Alemanha.
2.
Indianápolis – No estado do Indiana, a Fórmula 1 nunca se sentiu em casa. Lá é a casa dos primos americanos da F1, a Indycar, cujo coração V8 ruge no oval de Indianápolis. O “brickyard” recebeu o Grande Prémio dos Estados Unidos de 2000 a 2007, vendo momentos de controvérsia em 2005, quando só 6 carros começaram a corrida (com Tiago Monteiro a conseguir o seu único pódio na F1), ou a fenomenal batalha entre Fernando Alonso e Lewis Hamilton. Obviamente seria no circuito usado anteriormente e não no oval que a Fórmula 1 iria correr, com várias curvas muito técnicas e o último setor absolutamente espetacular.
Com Austin a ser a casa do GP dos Estados Unidos, seria complicado conseguir uma corrida em Indianápolis, mas, imaginem só, estes carros, naquele último setor inclinado…
3.
Sepang – Há coisas na vida que dói dizer e ouvir, tal como “Paul Ricard tomou o lugar de Sepang no calendário da Fórmula 1”. O Grande Prémio da Malásia era uma figura preponderante da Fórmula 1 desde 1999, sendo capaz de oferecer corridas excelentes fosse em piso seco ou em piso molhado. Se há muitos problemas em ultrapassar porque as pistas são estreitas, em Sepang não há esse problema, sendo um dos circuitos mais largos do calendário.
O clima imprevisível da Malásia criava sempre a esperança de um espetáculo na chuva, mas, em 2017, por vendas de bilhetes muito baixas, o circuito acabou por sair do calendário. Mas, esta era uma fantástica oportunidade para trazer de volta um dos melhores circuitos do mundo à Fórmula 1, podendo manter-se no atrativo mercado asiático.
4.
Fuji Speedway – Querem deixar as equipas confusas sobre qual a melhor afinação do carro? Que tal um circuito onde temos uma reta gigantesca no primeiro setor, curvas muito rápidas no segundo, e curvas extremamente apertadas no terceiro setor. Agora é escolher onde querem ganhar mais tempo. Para os fãs de desporto motorizado, o Japão é um género de Meca no que toca à qualidade dos circuitos. Suzuka, Motegi, Tsukuba, Okayama, e claro está, Fuji Speedway.
Tudo bem que já temos um Grande Prémio do Japão no fenomenal circuito de Suzuka, mas regressavam ao sopé do Monte Fuji, e chamavam-lhe GP do Pacifico como já foi feito nos anos 90. É uma pista bastante reconhecida, onde vimos grandes batalhas, particularmente no ano de 2007, onde em piso molhado, vimos o verdadeiro caos, e uma fantástica batalha entre Felipe Massa na Ferrari e Robert Kubica na BMW Sauber.
5.
Circuito Ricardo Tormo – Em 2008, a Fórmula 1 decidiu criar um circuito no meio do porto de Valência em Espanha, que era, por sinal, horrível, quando tinha, já na cidade, um circuito adorado pelos fãs de desporto motorizado.
Popularizado pela Moto GP, o Circuito Ricardo Tormo chegou a ser utilizado pela BAR como pista de testes, sendo Anthony Davidson ou detentor do recorde da pista. Em termos de infraestruturas é mais do que capaz de receber a Fórmula 1, o desenho da pista é muito mais interessante do que o circuito citadino em que apostaram, e até do que Barcelona. Seria uma aposta fácil para a Fórmula 1, e se não for para substituir o Grande Prémio da China este ano, que seja para se tornar o Grande Prémio de Espanha no futuro.
6.
Istanbul Park – Uma das excelentes obras do malfadado Hermann Tilke. Surgiram rumores há uns anos atrás que havia conversas pela Liberty Media, dona da Fórmula 1, em regressar ao Istanbul Park, que recebeu a Fórmula 1 de 2005 a 2012. A pista saiu do calendário maioritariamente por questões económicas, mas é uma das favoritas dos fãs para regressar no futuro. Com a icónica curva oito feita pé a fundo pelos pilotos e secções extremamente técnicas, esta é uma pista que testava ao máximo os limites aerodinâmicos dos carros de Fórmula 1, e que regressando, seria extremamente bem recebido pelos fãs.
7.
Ímola – O icónico Autódromo Enzo e Dino Ferrari é um dos mais requisitados para regressar ao calendário, tendo sido até o que deu origem a este artigo, quando os donos do circuito se ofereceram para substituir o Grande Prémio da China. Seria fantástico ver os carros atuais da Fórmula 1 a serpentear pelas curvas apertadas de Ímola na qualificação, mas na corrida, com o tamanho dos carros atuais, acho que seria complicado ter uma corrida entusiasmante. As oportunidades para ultrapassar com os carros mais pequenos de há vários anos atrás já eram escassas, com os de hoje em dia seria quase impossível, mas, e é um grande, mas, poderíamos ver imensas batalhas ao estilo de 2005 entre o Fernando Alonso e o Michael Schumacher.
8.
Autódromo Internacional do Algarve – Talvez pelo bichinho de ter uma corrida no nosso país, a minha maior escolha para substituir o Grande Prémio da China seria o nosso próprio circuito algarvio. Muitos não tem a noção, mas temos no nosso território um dos melhores circuitos do mundo. Imaginem uma mistura entre Spa e Austin, e ficam mais ou menos com o Autódromo do Algarve com as imensas diferenças em elevação e curvas tecnicamente difíceis, mas que permitem aos bons pilotos uma satisfação tremenda.
Em Portugal também temos obviamente o Estoril, mas os carros de hoje em dia são rápidos de mais para o icónico circuito português. A probabilidade de algo assim acontecer é extremamente baixa, não somos o suficientemente atrativos financeiramente para atrair a Fórmula 1 para cá, mas pelo menos conseguimos oferecer-lhes um dos melhores circuitos se eles quiserem.
E é tudo, este foi um pequeno exercício que talvez não chegue a nada. Caso a situação do Coronavírus se resolva antes do final do campeonato, a corrida poderá ser remarcada para a altura mais conveniente. Temos de ter em conta que a China é um mercado gigantesco para a Fórmula 1, e se eles virem a mínima oportunidade para regressarem, eles assim o farão.
Foto de Capa: Sepang Circuit









