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Depois do frio e chuva do inverno, da infelicidade de ver tantos desportos parados devido a esta maldita pandemia, já cheira a gasolina, e começaram os exercícios de aquecimento para o regresso da Fórmula 1.

Um desses exercícios foi a apresentação das equipas, onde conseguimos ver algumas agradáveis surpresas, com liveries fortíssimas da maioria das equipas, mas nem todas (Quella Ferrari è terribile). Já com o hype em alta, chegaram os testes de pré-época, onde foi possível perceber melhor onde estava cada uma das equipas, e é com essa base que vou partir para esta antevisão. Se for como nos anos anteriores, esperem tiros ao lado.

Começando pelo topo, as coisas parecem um pouco mais interessantes este ano. Pela primeira vez desde o início da era híbrida, a Red Bull parece sair no topo depois dos testes e a caminho da primeira corrida. A palavra “parecem” é importantíssima aí, a Mercedes por hábito é uma mestre do ilusionismo pré-temporada, ou seja, olhem para as minhas próximas palavras com muita cautela.

Segundo a maioria dos analistas, o Mercedes é um carro mais instável em curva (e aparentemente pouco fiável, mas isto não me parece justo de julgar), Lewis Hamilton parecia desconfortável em vários momentos, incluindo uma viagem à gravilha do circuito do Bahrain. Pode muito bem ser a Mercedes a esconder o jogo, no entanto, para além da falta de necessidade de tal num ano onde as equipas estão castradas no que toca ao desenvolvimento dos carros, mesmo quando a Mercedes escondia o jogo nas pré-épocas anteriores, o carro nunca pareceu instável ou mais difícil de controlar.

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Será este o carro a bater?
Fonte: Red Bull Racing

A teoria diz que as novas regras do fundo plano, podem afetar a estabilidade traseira do monolugar germânico, devido ao pouco rake do carro (menor diferença de altura entre a asa dianteira e difusor traseiro). O oposto parece ter acontecido com o carro da Red Bull, que se mostra muito melhor sobre corretores do que o difícil RB16. Tanto Max Verstappen como Sergio Pérez se mostraram muito satisfeitos com o carro, o que é logo bom sinal, no entanto, algo aconteceu que me deixou curioso. O Sensei da Honda, Toyoharu Tanabe, saiu do habitual silêncio pós McLaren, e disse que este motor pode estar acima da Mercedes. Para ele o fazer, duvido que tenha como base falsidades, tal o conservadorismo a que a construtora japonesa nos tem habituado nos últimos anos. É o último ano deles, e querem sair em grande, deixando para trás um bom pacote para a Red Bull levar avante nos próximos anos.

Isto pode significar o primeiro campeonato competitivo desde 2018, e seria uma estupenda forma de fechar o ciclo das atuais regras aerodinâmicas, vendo alguém mais a sair da sombra da Mercedes. Isto não é colocar de lado a Mercedes, de todo, é impossível fazê-lo, contudo, esta parece uma Red Bull diferente, e um bom começo de temporada pode agoirar coisas fantásticas para os próximos oito meses.

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