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Os pilotos estão de férias e os carros em construção. Significa que é a habitual pausa de Inverno da Formula 1 em que todos nos esforçamos para fazer previsões e acertar os vencedores e perdedores da próxima época, mas ainda é cedo para isso, só quando começarem os testes em Fevereiro é que vai dar para ter mais ou menos uma ideia de onde vai estar cada equipa. No entanto, já sabemos que pilotos vão fazer parte do grid para o próximo ano, e foi uma completa revolução do grid de 2018, apenas 2 equipas mantem o seu line-up para o próximo ano.
Williams – George Russel e Robert Kubica

A Williams de 2019 é uma incógnita, após uma das piores épocas da sua história, a lendária equipa inglesa renovou por completo o seu line-up, contratando o atual campeão de F2, e protegido da Mercedes, George Russel. O britânico é um piloto com grande potencial e que já demonstra uma maturidade acima da média, e para além de Bottas e Ocon, é mais um para disputar o segundo lugar na equipa de Mercedes AMG Petronas. A outra contratação é uma das melhores histórias de sempre da Formula 1, após um acidente de onde saiu ferido gravemente, Robert Kubica volta ao grid, após ser piloto de testes da Williams em 2018. Tendo em conta que o polaco teve de alterar o seu estilo de condução por causa das lesões e que está à muitos anos sem ser competitivo, será difícil esperar o mesmo Robert que quase assinou pela Ferrari em 2012, mas a experiencia está lá, e compensará a juventude de George Russel.
Toro Rosso – Alexander Albon e Daniil Kvyat

Após uma época inconsistente, muito por causa de ter sido a cobaia para a Redbull testar os motores Honda, a Toro Rosso é mais uma vez obrigada a renovar por completo a sua equipa, quer dizer, quase por completo…
Quase por completo, porque um dos pilotos já esteve na equipa em 2 ocasiões diferentes, falo claro, de Daniil Kvyat, o russo que tanto prometeu, tendo inclusive “subido” para a equipa mãe da Toro Rosso, mas que nunca se conseguiu afirmar, tendo sido posto de parte em favor de Max Verstappen, e um ano de 2017 para esquecer. Foi dispensado, e a Ferrari contratou Daniil como piloto de testes em 2018, mas por falta de opções nas suas camadas jovens, a equipa italiana voltou a apostar no russo. É uma boa escolha, Kvyat foi muito maltratado enquanto na Red Bull e isso destruiu a sua confiança, tendo muitos problemas na Toro Rosso também, mas ele regressa com a promessa de uma cabeça mais limpa, após um ano sem pressões. Poucos tem uma 2º oportunidade neste desporto, mas Kvyat tem uma nova de possibilidade de mostrar que é um bom piloto.
O 2º piloto da Toro Rosso é Alexander Albon, que subiu de escalão da F2, onde terminou em 3º lugar. O britânico de origem tailandesa, já tinha contrato com a equipa da Nissan na Formula E, para a nova época, mas a família Red Bull chamou, e este não recusou uma oportunidade que já não esperava. Um bom piloto, mas é provável que tenha um trabalho difícil, perante um colega de equipa muito mais experiente.
Sauber – Antonio Giovinazzi e Kimi Raikkonen

A Sauber é uma equipa em ascensão após vários anos no fundo da tabela. O carro deles em 2018 foi dos que mais evoluiu, e passou de um dos mais lentos do grid para o 4º mais rápido em algumas corridas. Isto foi auxiliado pela ascensão meteórica de Charles Leclerc, mas também pelo dinheiro injetado na equipa pela Alfa Romeo. Para a época de 2019, a equipa suíça é mais uma que mudou completamente a sua equipa.
O nome mais chamativo é sem dúvida Kimi Raikkonen, que volta à equipa onde começou na Formula 1, para terminar a sua carreira. Após um ano muito positivo, onde voltou a mostrar traços do antigo “Iceman” que deu à Ferrari o seu ultimo titulo de pilotos, Kimi deixa de estar no grid só para ajudar Vettel e passa a ter a chance de ajudar uma equipa em ascensão a evoluir ainda mais, e para oferecer aos fãs de Formula 1, mais dois anos de memes fantásticos.
O segundo piloto é o italiano, Antonio Giovinazzi, a eterna promessa das camadas jovens da Ferrari, que finalmente tem a sua oportunidade. Giovinazzi foi piloto de testes da Ferrari na ultima época, e foi creditado por Vettel e Raikkonen como um dos maiores responsáveis pela excelente preparação do carro em algumas das corridas. É um piloto rápido e já tem alguma experiencia, mas dificilmente conseguirá repetir os feitos de Charles Leclerc, que é sem duvida mais talentoso atrás do volante, mas irá aprender muito com Kimi, o que o ajudará a evoluir, quem sabe, para um excelente piloto.
Mclaren – Carlos Sainz Jr. e Lando Norris

Foi uma época sofrível da Mclaren, prometeram que estariam ao nível da Redbull com o motor da Renault, mas na maioria das corridas vaguearam no fundo da tabela, salvo alguns momentos brilhantes de Alonso. Se isto fosse dito à 10 anos atrás, seria recebido com um coro de risadas. Os britânicos também mudaram completamente a sua equipa de pilotos, após a retirada de Alonso e a dispensa de Vandoorne.
A principal figura da nova Mclaren, é Carlos Sainz Jr., o piloto espanhol teve uma época aceitável em 2018, não conseguiu o nível do seu colega de equipa na Renault mas foi sólido e isso traduz-se num 10º lugar no campeonato de pilotos. No entanto, o seu magnifico ano de 2017 ainda está recente na memória, e Sainz ainda é considerado uma das maiores promessas do desporto. Se a Mclaren conseguir resolver os problemas aerodinâmicos de 2018, o espanhol pode liderar uma boa campanha da equipa inglesa, dificilmente na frente do grid como à uns anos atrás, mas talvez chegando ao nível da Renault.
O outro piloto é o jovem Lando Norris, mais um piloto promovido da F2, o britânico ficou em 2º lugar atrás de George Russel, e apesar de se mostrar muito rápido em algumas corridas, a consistência foi um problema na sua época. Se ele conseguir reduzir este defeito temos em mãos um piloto com um grande potencial, tendo já sido comparado a Lewis Hamilton. No entanto, dificilmente vai conseguir superar o seu colega de equipa espanhol muito mais experiente, como Hamilton fez em 2007, mas na Formula 1, com velocidade e grandes performances se vai ao longe, e o potencial está lá, é só mostrá-lo de forma mais consistente.
Racing Point- Sergio Perez e Lance Stroll

Ainda não há certezas quanto ao nome da antiga Force India para 2019, mas a estrutura da equipa é basicamente a mesma, por isso podemos voltar a esperar uma boa performance na próxima época, principalmente se tivermos em conta o maior orçamento que vão ter graças aos novos donos.
O piloto em destaque é Sergio Perez, o mexicano tem uma relação de longa data com a equipa e após mais uma época muito consistente, que incluiu um pódio em Baku, manteve o seu lugar, e com a nova estabilidade financeira da equipa, podemos esperar um maior investimento, e potencial para fazerem um carro muito competitivo, para os catapultar de volta para o estatuto de “Best of the rest” que tiveram nos últimos anos.
O 2º piloto da equipa é a escolha mais polémica de todas, Lance Stroll. O canadiano conseguiu o lugar na equipa em detrimento de Esteban Ocon por uma simples razão: o seu pai é um dos novos donos da equipa. Isto causou raiva em muitos fãs que dizem que o jovem piloto não merece este lugar, e é verdade, Stroll não é um mau piloto, mas é no máximo, razoável, e o facto de ter tirado o lugar a Esteban Ocon, que é considerado uma das maiores promessas do desporto, criou grande revolta entre os fãs de Formula 1. Talvez Lance nos surpreenda, mas o mais provável é que esteja na sombra de Sergio Perez, que é muito mais experiente e melhor piloto. Enquanto isso, Ocon ficará a esperar no banco por um lugar na Mercedes…
Haas – Romain Grosjean e Kevin Magnussen

Chegamos à primeira das duas equipas que continuou com os mesmos pilotos para a próxima época. Os americanos da Haas, uma das equipas mais jovens do grid, podem olhar com orgulho para a época de 2018. Estiveram até ao fim do campeonato na luta pelo 4º lugar dos construtores, e pode ser argumentado, que se não fossem alguns dos erros dos seus pilotos, o tinham conseguido. Vai ser um ano difícil de prever para a equipa, porque muitas das equipas do “meio-campo” estão em ascensão, e a luta pelo 4º lugar deste ano, será muito difícil de replicar.
A última época de Romain Grosjean mostrou 2 pilotos completamente diferentes, um desajeitado, muitas vezes errático, que batia sozinho ou contra outros pilotos de formas estupidas, e um piloto rapidíssimo que se impunha como o melhor fora das 3 grandes equipas. O inicio da época de 2018 foi tão mau para Grosjean, que poucos acreditavam que ele durasse na Haas até ao final da época, no entanto o francês deu a volta, e se na próxima época conseguir continuar na forma que demonstrou na 2º metade de 2018, será uma temporada positiva na equipa americana.
Poucos esperavam que Kevin Magnussen superasse de forma tão contundente o seu colega de equipa em 2018, mas o dinamarquês, aproveitou o bom carro que tinha para fazer uma excelente primeira metade da época, mas ele é o espelho de Grosjean, pois na 2º metade, cometeu muitos erros e pareceu sempre muito abaixo daquilo que mostrou no inicio. Ainda assim conseguiu o 9º lugar do campeonato e a sua melhor época na Formula 1 até ao momento. Tal como o seu colega de equipa, a velocidade está lá, tem é de melhorar a consistência.
Renault – Daniel Ricciardo e Nico Hulkenberg

A equipa francesa tem melhorado passo a passo com o objetivo de regressar aos anos de glória de 2005 e 2006. Em 2018 conseguiram o tão cobiçado 4º lugar, apenas atrás das 3 maiores equipas, e o objetivo para 2019 é reduzir a distância para elas para em 2020 lutarem por vitórias. E estes objetivos podem muito bem ser conseguidos tendo em conta o aumento de orçamento e de infraestruturas que a Renault tem levado a cabo. Mas o investimento mais imediato foi nos pilotos que leva para 2019.
Como é óbvio falo de Daniel Ricciardo, um dos pilotos mais adorados pelos fãs pela sua velocidade e ultrapassagens fantásticas. O australiano decidiu sair da Redbull após 5 épocas cheias de altos e baixos, e, se falarmos de 2018 em específico, após o anuncio da saída para a Renault, quase tudo baixos. A segunda metade da época do “Honeybadger” foi sofrível, constantemente afetado por problemas, precisamente no motor da Renault, Ricciardo viu com alívio o final da temporada. Novos ares e a promessa de um carro competitivo nos próximos 2 anos aliciaram o australiano a arriscar, e vamos lembrar, em 2012 também chamaram Hamilton de maluco por ir para a Mercedes…
Para completar a equipa, mantem-se Nico Hulkenberg, um dos pilotos mais subvalorizados da Formula 1. O alemão teve uma época muito boa, e apesar de não acabar a corrida em 7 ocasiões, foi na mesma o 7º classificado. O mais provável é que o carro da Renault seja ainda melhor no próximo ano e que Hulkenberg possa finalmente por um ou outro pódio, algo que ainda não conseguiu na sua carreira. Muita gente acha que o “Incrível Hulk” vai estar na sombra de Ricciardo, mas o talento dos dois é parecido, provavelmente vão acabar o ano muito equilibrados em pontos e mostrando que a Renault é séria nas suas aspirações.
RedBull- Max Verstappen e Pierre Gasly

Existe uma aura de expectativa em volta da Redbull em 2019, terminaram a sua relação de muitos anos com a Renault e decidiram arriscar nos motores Honda para a próxima temporada. Os motores dos japoneses mostraram-se muito melhorados na Toro Rosso, no entanto a dúvida é se poderão oferecer a potência e fiabilidade suficiente para serem competitivos naquele que é o melhor chassis do grid.
O destaque da equipa e que será sem dúvida o foco da Redbull é Max Verstappen. A época de 2018 foi um ponto de viragem para o holandês, que após um inicio horrível, esteve sobre uma chuva de críticas, que, corretamente, apontavam uma falta de calma e agressividade a mais na condução de Verstappen, que o levava a cometer erros mais frequentemente. Mas do Mónaco para a frente, vimos um piloto novo, passamos a ver Verstappen a conduzir a um nível que nunca tínhamos assistido antes, e na segunda metade da época, apenas um Hamilton monstruoso foi capaz de fazer mais pontos. Se o Max levar esta forma para a próxima época e tiver um carro competitivo, é muito provável que esteja na luta pelo título.
O 2º piloto da Redbull para 2019 é o francês, Pierre Gasly, que teve uma época muito positiva na Toro Rosso em 2018, onde pontuou muito mais do que o sue colega de equipa, tendo conseguido até um 4º lugar no Grande Prémio de Bahrain. Por isso, a Redbull não tem aqui um piloto qualquer, é um excelente talento e uma das maiores promessas da Formula 1, mas o seu colega de equipa é o melhor Max Verstappen que vimos até agora, por isso Gasly vai ter de estar no seu melhor para o bater e provar que não é só mais um a ser mastigado e cuspido pelo sistema da Redbull.
Ferrari – Sebastian Vettel e Charles Leclerc

Para a Ferrari, a época de 2018 é caracterizada por oportunidades perdidas e erros de estratégia, tendo em conta que chegaram a ter, durante uma parte da época, o melhor carro do grid. 2019 vai ter mais uma vez um cavalinho rampante a tentar destronar a Mercedes do topo da tabela, e para isso, tem aquela que é a equipa de pilotos mais talentosa do grid.
A próxima época vai ser um teste para perceber se Sebastian Vettel ainda tem o que é preciso para ser campeão, após 2 épocas seguidas a lutar pelo titulo e a cometer erros que o afastaram do mesmo, o alemão tem de tentar mostrar que o que fez de 2010 a 2013 não foi ao acaso, que é um verdadeiro campeão e que tem a força mental necessária para não quebrar sobre pressão. No entanto, até agora tinha um Kimi que não o apertava muito dentro da equipa e saltava da sua frente quando necessário, mas isso acabou, agora Vettel tem um colega de equipa que está a ser chamado um dos maiores talentos a aparecer na Formula 1 nos últimos, tal como Vettel em 2009…
Esse colega de equipa é Charles Leclerc, um dos pilotos jovens mais entusiasmantes dos últimos anos. Após vencer em F2 em 2017, era esperado que ele fosse sólido na Sauber, mas ninguém esperava que ele fosse tão bom e consistente como se mostrou, tendo uma média de tempos de qualificação, meio segundo mais rápido que o seu experiente colega de equipa Marcus Ericsson. O monegasco foi uma revelação, e há grande expectativa de ver como é que ele se compara com um tetracampeão como Vettel, e dificilmente a pressão será demasiada, tendo Leclerc já provado que consegue lidar com ela, tendo vencido corridas em F2 poucos dias após a morte do seu pai, a quem ele era muito chegado. Vettel vai ter um rival à altura em 2019, e se a Ferrari não usar ordens de equipa, vai ser fascinante ver a luta entre os dois.
Mercedes- Lewis Hamilton e Valteri Bottas

Os Silver Arrows continuaram o seu domínio da Formula 1 em 2018, mas desta vez foi mais difícil. Durante grande parte da época, esteve em duvida se a equipa alemã seria capaz de bater a Ferrari, no entanto, graças aos erros dos italianos e um melhoramento do carro ao longo da época, a equipa conseguiu mais uma vez ambos os títulos em jogo e tomou a decisão de manter os mesmos pilotos das 2 últimas épocas.
O ano de 2018 foi possivelmente o melhor até agora de Hamilton, desde que a Mercedes começou a dominar em 2014, nunca o britânico esteve sobre tanta pressão de uma equipa rival, e ao contrário de Vettel que quebrou com a pressão, Hamilton melhorou com ela, dominando toda a oposição na segunda metade da época. Agora um pentacampeão, Lewis vai tentar chegar aos recordes de vitórias e títulos de Schumacher, que são os únicos que ainda lhe faltam bater, e a continuar assim, é bem possível que o consiga.
Já para Bottas, 2018 foi um pesadelo autêntico, a época começou com boas performances, mas sempre que parecia que o finlandês ia ganhar, o azar atacava e destruía a sua corrida. E a segunda metade da época só piorou, onde Bottas foi chamado de “wingman” de Hamilton por Toto Wolf. Isto destruiu a sua confiança, e os maus resultados começaram a acumular-se, ou por performances simplesmente más, ou porque a sua corrida era prejudicada para ajudar Hamilton. Para 2019 Valteri tem de limpar a cabeça e recuperar a confiança nele mesmo, de modo a dar luta pelo título e não ficar conhecido como um eterno nº2, como aconteceu com Barrichello. O talento está lá, tem é de ter a força mental para enfrentar Hamilton, porque senão, Ocon e Russel estão à espreita por um lugar na Mercedes…
Foto de Capa: Formula 1









