GP Bahrain: Hamilton vence com Verstappen nos calcanhares

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A CORRIDA: TALVEZ A MELHOR CORRIDA INAUGURAL DO SÉCULO?

O que se esperava e desejava para esta corrida inaugural da temporada de 2021 da Fórmula 1, o GP do Bahrain, era um equilíbrio entre a Red Bull e a Mercedes. Após 56 voltas no circuito de Sakhir no Bahrain, tivemos direito a isso e ainda mais.

O campeão em título Lewis Hamilton (Mercedes) venceu o Grande Prémio do Bahrain, com Max Verstappen (RedBull) em segundo, a menos de um segundo de distância, com Valtteri Bottas a fechar o pódio e a vencer a volta mais rápida. Os dois homens que começaram na frente fizeram jus ao seu talento, com uma batalha titânica pela liderança, seja na abordagem estratégica diferente da parte das equipas, seja na luta em pista das últimas voltas.

A primeira fase da corrida foi liderada por Max Verstappen, com a Mercedes a decidir atacar primeiro as boxes, para o que naquele momento, parecia uma aposta numa estratégia de apenas uma paragem, tendo Hamilton colocado duros. Isto permitiu o undercut da parte do piloto britânico, que a partir daí, liderou quase toda a corrida, com a Max Verstappen a procurar tirar o proveito dos pneus médios no segundo stint para se aproximar, e mudando para duros para a perseguição final a Hamilton.

Os pneus do RedBull eram 11 voltas mais jovens, e isso notou-se em pista, com Max Verstappen a aproximar-se rapidamente do britânico, e a poucas voltas do fim, passaram a lutar pela liderança. O holandês ainda conseguiu ultrapassar Hamilton, no entanto, esta foi realizada no exterior da curva quatro, sendo que a equipa lhe pediu para devolver a posição.

A partir deste momento, Verstappen não conseguiu aproximar-se com tanta facilidade, não conseguindo o momento certo para atacar, mesmo quando se colocava à distância de ativação do DRS. O britânico conseguiu assim segurar o pretendente ao título de 2021, garantindo a sua 96.ª vitória da carreira.

O pódio foi fechado por um distante Valtteri Bottas (Mercedes), que passou a bandeira axadrezada a 37 segundos dos líderes, após uma corrida onde nunca foi tão rápido como os homens da frente, e foi prejudicado por problemas em uma das paragens para pneus. Esta distância é ainda aumentada pela paragem nas voltas finais, com o objetivo de conseguir a volta mais rápida.

Silenciosamente, e quase roubando a coroa a Carlos Sainz (Ferrari) como o “piloto que faz uma excelente corrida mas as câmaras não mostram” é Lando Norris (Mclaren) no quarto lugar. O britânico conseguiu separar-se da batalha do pelotão, seguindo confortavelmente na quarta posição durante grande parte da corrida, após ultrapassar Charles Leclerc (Ferrari). Uma corrida que demonstra o crescimento de Norris como piloto, e a experiência a começar a entrar.

Este Grande Prémio teve tudo para ser catastrófico para o quinto classificado Sergio Pérez. Na estreia pela Red Bull, o mexicano teve problemas na qualificação, começando fora do top 10, e para piorar, teve um problema na volta de formação, sendo obrigado a começar a corrida do pit-lane. Tendo vencido da última posição no Grande Prémio do Sakhir de 2020, era de esperar uma boa recuperação de Pérez, e este cumpriu, com boas ultrapassagens, sem perder muito tempo atrás de pilotos mais lentos. Um quinto lugar que é estupendo, tendo em conta tudo o que este fim-de-semana atirou contra ele.

O sexto lugar poderá não ser o mais agradável para os italianos da Ferrari, mas a performance deste monolugar mostra uma notória melhoria comparado a 2020. Já não são engolidos nas retas por qualquer um, e silenciosamente, Charles Leclerc conseguiu segurar Daniel Ricciardo (Mclaren) atrás de si, com uma corrida calma, sem grande espalhafato, que é precisamente o que a Scuderia precisa para esta temporada de transição.

Do outro lado da garagem, Carlos Sainz esteve um pouco mais atarefado. Teve um choque com Lance Stroll (Aston Martin) na fase inicial da corrida e uma batalha fabulosa entre ele, Fernando Alonso (Alpine) e Sebastian Vettel (Aston Martin), segurando os quatro pontos do oitavo lugar, sem deixar demasiado a desejar para o seu colega de equipa.

Os pilotos que fecharam as posições pontuáveis também merecem destaque, Yuki Tsunoda (Alpha Tauri) passou a ser o único elemento da equipa em pista após os problemas de Pierre Gasly na primeira volta, e sem dar a entender que é a sua primeira corrida, ganhou várias posições, conseguindo os seus primeiros pontos na Fórmula 1, com um nono lugar. Já Lance Stroll teve de lidar com um AMR21 danificado desde as primeiras voltas, após o já mencionado choque com Sainz, o que afeta sempre a performance do carro. A certo ponto, parecia um dos homens mais rápidos do circuito, mas os pneus não duram sempre, e acabou por terminar em 10.º.

Fora do top 10, há a destacar os Alfa Romeo, que se apresentam bastante melhor que em 2020, já descolados dos últimos, e em pleno pelotão. Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi, por pouco que não levam os seus carros aos pontos, em 11.º e 12.º respetivamente. Por outro lado, corrida desapontante para a Alpine, que esteve durante a maioria da prova nos pontos com Fernando Alonso, que se apresentou como novo nesta corrida, mas cujos travões traseiros tiveram problemas, obrigando o espanhol a desistir. No caso de Esteban Ocon, o 13.º lugar sabe a pouco, mesmo tendo em conta o choque com Sebastian Vettel.

Por falar no alemão, quando as coisas lhe correm mal, correm mesmo mal. Após ser penalizado e começar na última posição, Vettel aparentava ter a corrida sob controlo, parecendo até que estaria na luta pelos pontos, contudo, já com pneus muito gastos, chocou desnecessariamente contra Ocon, e foi penalizado com 10 segundos, caindo para 15.º , atrás do Williams de George Russell.

A fechar a tabela, está o Haas de Mick Schumacher, que na sua estreia, mesmo tendo um susto no princípio, conseguiu manter o monolugar longe das barreiras, algo que Nikita Mazepin não pode dizer, após perder o controlo na primeira volta, e destruir o Haas. Já se esperava um mau carro da equipa americana, e esta corrida só o confirmou.

Esta é, muito provavelmente, uma das melhores corridas inaugurais de sempre. Tantas vezes criamos expectativas após os testes, e raramente estas são correspondidas quando os carros começam a correr. Desta feita, a expectativa era equilíbrio, e foi isso que tivemos. Lewis Hamilton e Max Verstappen são os dois melhores pilotos da atualidade, e esta corrida só veio confirmar isso, e se realmente estão em máquinas comparáveis, esta temporada de 2021 promete ser deliciosa.

Foto de Capa: Mercedes AMG Petronas

Luís Manuel Barros
Luís Manuel Barros
O Luís tem 21 anos e é de Marco de Canavezes, tem em si uma paixão por automobilismo desde muito novo quando via o Schumacher num carro vermelho a dominar todas as pistas por esse mundo fora. Esse amor pelas 4 rodas é partilhado com o gosto por Wrestling que voltou a acompanhar religiosamente desde 2016.                                                                                                                                                 O Luís escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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