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Grande Prémio do Japão: Aí está o Tufão Mercedes

Luís Manuel Barros · 4 min

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Está feito, a Mercedes AMG-Petronas é campeã de construtores pela sexta vez consecutiva, numa das suas casas favoritas, o Grande Prémio do Japão, onde dominam desde 2014. Este feito foi conseguido com a vitória de Valteri Bottas (Mercedes), que aproveitou a trapalhada dos Ferrari no princípio da corrida para se lançar para primeiro lugar, e nunca mais sair de lá. Na segunda posição ficou Sebastian Vettel (Ferrari), que após uma fantástica pole position na sua pista favorita, teve um arranque em falso e perdeu imediatamente a liderança ainda antes da primeira curva, estando num constante jogo do gato e do rato com Lewis Hamilton (Mercedes) durante a corrida inteira. Com o britânico a não conseguir ultrapassar nas últimas voltas, e a terminar a corrida a quatro décimas de Vettel, na terceira posição.

Após surpreender e bloquear a primeira linha da grelha de partida na qualificação junto ao colega de equipa Sebastian Vettel, Charles Leclerc (Ferrari), também teve um arranque muito pobre, onde se viu rodeado de carros, e perdeu o controlo do monolugar, embatendo em Max Verstappen (Red Bull), que ainda tentou recuperar, mas os danos eram demasiados, e acabou por se retirar da corrida. O monegasco da Ferrari foi obrigado a ir às boxes mudar a asa dianteira, e fez tudo o que pode para recuperar os lugares perdidos, terminando na sexta posição.

Na quarta posição, ficou Alexander Albon (Red Bull), outro piloto prejudicado por um começo pobre onde caiu para trás dos Mclaren, tendo inclusive um momento de grande risco, onde houve contacto com Lando Norris (Mclaren). O resto da corrida foi a combater com Carlos Sainz (Mclaren) na primeira parte e solitariamente em quarto na segunda metade da corrida.

O espanhol da Mclaren teve mais uma excelente performance com a característica consistência e velocidade que nos tem habituado, terminando em quinto, e durante muitas voltas, sendo capaz de acompanhar o ritmo do Red Bull de Alexander Albon, Sainz é sem dúvida um dos candidatos a piloto do ano.

Não era bem esta a ideia da Honda de um bom GP caseiro…
Fonte: Formula 1

Na sétima posição ficou Daniel Ricciardo (Renault), numa fantástica performance após uma qualificação muito pobre que o viu a começar em 16º. Depois da corrida, Charles Leclerc foi penalizado em 15s pela colisão com Verstappen, elevendo Ricciardo para sexto.

Por causa de um problema, em que a bandeira axadrezada foi mostrada uma volta antes em alguns ecrãs, Sergio Perez (Racing Point) conseguiu terminar em oitavo, apesar de acabar a corrida na parede, após contacto com Pierre Gasly (Toro Rosso), que volta a mostrar que ninguém estava maluco em dizer que ela era bom o suficiente para a Red Bull no ano passado, com mais uma excelente corrida, porque é que não conseguia fazer isto no Red Bull?

A fechar as posições pontuáveis ficou Nico Hulkenberg (Renault), que tal como o seu colega de equipa recuperou de uma má qualificação, para chegar aos pontos.

Lewis Hamilton em modo tubarão a cheirar sangue….
Fonte: Formula 1

E aquilo que já sabíamos há vários meses está confirmado, a Mercedes é campeã de construtores, e o título já só pode ser ganho por um dos seus pilotos (pergunto-me qual). Nunca é bom quando uma equipa vence os títulos com tanta antecedência, e é pena que a Ferrari só tenha compreendido o carro que criou no final da época, quando já era tarde de mais. Que agora peguem no que aprenderam este ano e não cometam os mesmos erros em 2020, não é nada contra a Mercedes, eles vencem porque são de longe a melhor equipa e organização, mas era bom haver mais alguém a conseguir vencer.

A Ferrari teve nas mãos mais uma vitória, após uma qualificação surpreendente, que foi deitada ao lixo, desta vez pelas ‘asneiradas’ dos pilotos. O incidente entre Charles Leclerc e Verstappen, por muito que possa ser uma perda de tração súbita do piloto da Ferrari, por estar a seguir outro carro, Max Verstappen saiu muito mais prejudicado. Sebastian Vettel também se safou de um arranque em falso, apesar de ele não retirar nenhuma vantagem de tal, por isso não foi penalizado e com razão.

Que as próximas corridas continuem o ritmo que tem sido ditado desde o Grande Prémio da Áustria, esta cumpriu sem sombra de dúvida com uma corrida cheia de ação em pista e na estratégia, o suficiente para manter acordado pessoas como eu, que viram a corrida e escrevem isto com duas horas de sono.

Foto De Capa: Formula 1

Piloto do Dia:

Valtteri Bottas

Performance à patrão, não à wingman.
Fonte: Formula 1

Pensei que este ano não colocaria Bottas mais nenhuma vez aqui, no topo dos pilotos do dia. Havia outros candidatos, como Carlos Sainz e Daniel Ricciardo, mas Bottas não cometeu um único erro durante a corrida. O finlandês parecia estar a descender completamente ao modo “wingman” nas últimas corridas, mas hoje, graças a tudo o que fez corretamente, conseguiu a sua primeira vitória desde Baku, controlando a corrida com muita eficácia, e com uma execução perfeita da estratégia. O arranque no início foi essencial, colocando-se à frente de Vettel e desfrutando de todo aquele ar limpo não interrompido pela aerodinâmica de outros monolugares à frente.

Valteri Bottas não é tão bom como Lewis Hamilton, nem perto está, mas é um excelente segundo piloto para esta equipa, por isso para o ano as cartas estão do lado da Mercedes. Querem investir no futuro com George Russel (Williams) ou manter estabilidade com Bottas?

artigo revisto por: Ana Ferreira

Luís Manuel Barros

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