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Previsões para Formula 1 em 2019: Equipas

Luís Manuel Barros · 11 min

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Este, para já, é dos anos mais imprevisíveis em termos de previsões na Formula 1. Com mudanças de pilotos em quase todas as equipas, novos investidores, o possível renascimento de antigos gigantes, e equipas de topo a mudarem de motores, eu vou atirar-me de cabeça e tentar prever a posição destas equipas no campeonato após o Grande Prémio de Abu Dhabi. Ainda sem sequer ver os carros, de certeza que vou acertar…

10.

Fonte: Formula 1

Toro Rosso – Apesar de me sentir confiante que o motor da Honda se vai desenrascar muito melhor do que o esperado, não imagino a Toro Rosso a ir além de um décimo lugar. Os pilotos que eles têm são bons, Kvyat recorda-me de Romain Grosjean, no sentido em que é muito rápido, mas nem sempre o mais seguro e consistente, mas pode ser que o ano de “férias” lhe tenha feito bem, já Albon é bom, é rápido, mas, na Formula 2, a sua falta de consistência nunca lhe permitiu chegar a George Russel e terminou em terceiro.

Mas tudo isto não explica a minha decisão de colocar os italianos em último no campeonato. A verdadeira razão é o facto de Franz Tost, o chefe da equipa, ter revelado que se for necessário a equipa servir de cobaia para os motores da Honda o vai fazer, e receber penalizações como consequência, para apoiar a equipa principal da Red Bull. Isto vai significar começar muitas vezes do fundo da tabela, e dessas posições, só com um carro muito superior ou uma corrida de loucos, é que se pode retirar bons pontos.

9.

Fonte: Formula 1

Williams – Agora vou explicar algo importante neste ranking, para mim, daqui até ao quinto lugar, pode ser qualquer equipa, porque acredito que o “meio-campo” vai estar muito próximo e qualquer um pode sair na frente, mas, porque isto é um ranking, tenho de me decidir.

Eu acho mesmo que a Williams vai recuperar este ano, é o primeiro ano em que o ex-diretor técnico da Mercedes Paddy Lowe tem o controlo completo sobre a criação do carro, logo, acredito que a grande maioria dos problemas aerodinâmicos que o monolugar de 2018 teve vão ser resolvidos.

Depois, temos 2 novos pilotos, que me entusiasmam imenso, Robert Kubica finalmente regressa à F1, após parar durante 8 anos, por lesões que contraiu num rally. Kubica sempre foi um dos meus pilotos favoritos, que não teve carro que chegue para lutar por títulos, contudo, duvido que o vá fazer agora. Foram muitos anos afastado e ele agora regressa quase como um caloiro destes novos carros, mas a mentalidade ainda está lá e tem experiência de sobra para desenvolver o carro e ajudar o seu novo colega que é George Russel.

O britânico é o atual campeão de Formula 2, onde a sua consistência e velocidade o ajudaram a limpar o campeonato, e chega como um piloto que é considerado o futuro da Mercedes para quando Hamilton se retirar. Acho a mistura perfeita, comparado com a falta de experiência dos dois pilotos de 2018, e pode resultar no renascimento da Williams, outra vez.

8.

Fonte: Formula 1

Mclaren – Recuem mais ou menos 20 anos, e se me vissem a prever a Williams e a Mclaren nestas posições chamavam-me maluquinho, mas, tendo em conta os últimos anos, não se consegue prever muito melhor para eles.

Sinto que a Mclaren, tal como a Williams, também vai subir de rendimento, mas será algo gradual, e após acabarem o ano de 2018 com um dos piores carros, piores não podem ser. Não sou supersticioso, mas também pode acontecer o “efeito Alonso”, em que ele passa anos a arrastar carros medíocres para posições que eles não merecem, e mal ele sai, a equipa tem um ano fantástico.

Mas vamos antes a factos, a equipa teve uma remodelação completa, dois novos pilotos, Carlos Sainz, que pela primeira vez se vai poder afirmar como o nº1 de uma equipa, e pode construir a equipa à sua volta para o futuro, e Lando Norris, por quem não tenho tanto entusiasmo como a maioria. O Britânico tem imenso talento, mas pouca consistência, particularmente nas qualificações, e se ele corrigir isso e aprender com o seu colega mais experiente, está ali o potencial para um grande piloto, mas acredito que vá ter um primeiro ano um pouco difícil.

A equipa tem a estrutura para criar um excelente carro, só tem de a usar e não cometer os erros dos últimos anos, porque agora não tem ninguém para culpar a não ser eles próprios.

7.

Fonte: Formula 1

Haas – A Haas teve uma ascensão fantástica, em apenas três anos conseguiu lutar pela quarta posição, com um orçamento bastante mais reduzido que as equipas à sua volta, tudo graças a investimentos inteligentes e eficientes. Contudo, o orçamento dessas mesmas equipas aumentou, e duvido que a Haas consiga acompanhar o desenvolvimento de alguns dos seus rivais ao longo do ano.

Os pilotos são os mesmos, justamente, Grosjean teve um início de época horrível mas depois recuperou muito bem, e Magnussen foi muito consistente na primeira metade da época, apesar de cair a pique na segunda. Se conseguirem ser os dois consistentes e a equipa voltar a criar um carro acima do esperado, podem muito bem ser eles a ficar na frente da Formula 1.5.

6.

Fonte: Sauber

Alfa Romeo Racing – Agora sim fica complicado com as próximas duas equipas, mas o sexto lugar vai para a Sauber, ou dizendo melhor, Alfa Romeo Racing. Não será criminoso dizer que terminaram 2018 com o quarto melhor carro do grid, à frente até da Renault, uma evolução estrondosa ao longo de um ano onde começaram em penúltimo.

E agora com ainda mais dinheiro a chegar da Alfa Romeo, que regressa como equipa de fábrica, eles têm tudo para evoluir nos próximos anos, e as lutas com a Racing Point vão ser muitas e de igual para igual. No que toca aos pilotos também foi feita uma revolução, Antonio Giovinazzi finalmente tem o seu momento na Formula 1, e apesar de o achar um excelente piloto, como colega de equipa vai ter o inevitável Kimi Raikkonen, que nos últimos anos se tinha reduzido ao estatuto de meme de Internet, mas que em 2018 mostrou que o Iceman de antigamente ainda ali está, independentemente da idade.

A experiência do finlandês vai ser essencial para a equipa e para o seu desenvolvimento, ele que é conhecido por ser dos melhores a desenvolver um carro, e tenho uma impressão que não me larga, de que ainda veremos o Kimi no pódio em 2019.

5.

Fonte: Formula 1

Racing Point – Racing Point, Force One, Um Presente para o Lance, ainda circula a especulação de qual será o novo nome da antiga Force India, que foi salva em 2018 por um grupo de investidores liderado por Lawrence Stroll.

Mas uma coisa é certa, a equipa vai crescer e muito, a Force India era quase sempre “best of the rest” com um orçamento muito pequeno, e agora finalmente tem dinheiro, se tudo seguir a lógica normal, só se pode esperar que melhorem imenso, e que o raro pódio se torne mais frequente.

Quanto a pilotos, Sergio Perez continua na equipa, mas Esteban Ocon saiu, e no seu lugar foi colocado, nem mais nem menos, que Lance Stroll, o filho do dono. Ele não é tão mau piloto quanto dizem, mas que paira uma aura de injustiça à volta dele, por Ocon estar de fora do grid e ele não, apenas por causa do pai dele, isso sem dúvida. Mesmo assim, Sergio Perez vai ser o piloto consistente de sempre e vai amealhar imensos pontos para a renovada equipa.

4.

Fonte: Formula 1

Renault – Desde o seu regresso em 2016, a Renault tem subido a escada da classificação passo a passo, nono em 2016, sexto em 2017 e quarto em 2018. Segundo os franceses, o projeto tem como objetivo chegar ao nível do top 3 até 2020 e com uma estrutura muito boa e evolução constante parece que vão lá chegar. O orçamento para este ano aumentou e já se fala em grandes melhoramentos no motor, que, honestamente, tem sido muito mau desde o início da era turbo-híbrida, por isso, tudo indica que vão melhorar e tem os condutores para isso.

Neste momento, a minha opinião é que a Renault tem a melhor equipa de pilotos de todo o grid. Nico Hulkenberg é um dos pilotos mais subvalorizados, de uma consistência muito alta e muito rápido, desde que começou em 2010, ainda não teve a sua hipótese numa equipa de topo, por isso em 2017 mudou para uma que está a tentar chegar lá, mas como colega de equipa tem o adorado Daniel Ricciardo, o mestre da “Dive Bomb”, que abandonou a Red Bull quando viu que seria posto em segundo plano perante Max Verstappen e queria afirmar-se num novo ambiente, numa equipa em ascensão.

Para mim, os dois pilotos vão estar extremamente equilibrados, o nível de talento entre eles é muito semelhante, mas a Renault ainda não vai chegar ao top 3 este ano, vão encurtar a distância, mas vão estar numa “zona de ninguém”, onde são mais rápidos que o “meio campo”, mas mais lentos do que o top 3. O provável é conseguirem um pódio ou outro naquelas corridas de loucos, mas vitórias, não serão para este ano.

3.

Fonte: Formula 1

Red Bull – Muitos fãs preveem que a Red Bull caia a pique este ano, tudo porque decidiu alterar para os motores da Honda, que foram motivo de tanta chacota na Mclaren, mas isso não vai acontecer. Para quem esteve atento no ano passado, os motores da Honda não eram maus de todo na Toro Rosso. Tinham mais velocidade que os Renault e não foram tão pouco fiáveis como os números deram a entender, a maioria das vezes que tiveram de mudar motores e sofreram penalizações foi por opção própria para testar melhorias nos motores, para que estes chegassem prontos e a um bom nível à Red Bull em 2019. Logo, penso que o pior cenário será ficarem exatamente iguais ao que estavam com a Renault, mas sinto que vão estar mais próximos do que nos anos anteriores, e que o campeonato de construtores vai ser uma luta entre Red Bull, Ferrari e Mercedes.

No que toca a pilotos, Max Verstappen continua na equipa, e se a segunda metade da última época mostrou algo, foi que Max cresceu imenso como piloto, após os erros do inicio da temporada, mostrou um nível muito alto, provavelmente só superado por Hamilton. O seu colega de equipa será Pierre Gasly. O francês teve uma época muito boa pela Toro Rosso com performances de grande nível e duvido muito que vá facilitar a vida a Verstappen. A Red Bull arriscou com a Honda e acredito que vai compensar e que este ano vão estar muito mais próximos, mas ainda assim apenas a terceira melhor equipa.

2.

Fonte: Formula 1

Mercedes – Mais uma decisão muito complicada, qualquer um dos dois primeiros pode ser campeão de construtores e a batalha vai ser muito próxima, mas acho que este ano vai ser o fim do domínio da Mercedes. Os pilotos mantem-se, o pentacampeão Lewis Hamilton vem de um dos seus melhores anos e com a motivação em alta para perseguir os 7 titulos de Michael Schumacher, mas a incógnita é Bottas.

O finlandês é um grande piloto, mas mostrou ser muito fraco psicologicamente face à adversidade. Começou o ano de 2018 num nível superior a Hamilton, mas os azares que teve no início da época deixaram a sua marca, e a partir daí resignou-se ao seu papel de nº 2 da equipa, perdendo a velocidade que demonstrou, e quando não tinha nada pelo que lutar, foi usado para apoiar a campanha do título de Hamilton. É um ano decisivo para Valteri Bottas, Ocon estará à espreita por uma oportunidade e, se ele voltar a ficar tão atrás de Hamilton, o mais provável é que em 2020, a sua casa já não seja na Mercedes.

1.

Fonte: Ferrari

Ferrari – Se o ano de 2018 é exemplo, é óbvio que a Ferrari é capaz de construir um carro capaz de ser campeão, mas tal como em 2018, é preciso que tanto a equipa como os pilotos sejam capazes de o levar até lá. Para mim, este é o ano em que a Ferrari volta a ser campeã de construtores.

A relação entre os pilotos vai ser uma das incógnitas da época, temos Vettel, que no ano passado deitou fora a oportunidade de ser campeão com muitos erros e sofreu com algumas estratégias duvidosas da equipa. Este é um ano importante para o alemão, porque após duas épocas com um carro competitivo em que falhou na luta pelo título, a equipa decidiu tirar-lhe o seu “wingman”, Kimi Raikkonen, e substitui-lo por um piloto com muita fome de vitórias e com talento até à ponta dos cabelos, esse piloto é Charles Leclerc.

Sempre que vejo o monegasco a correr, tenho aquela sensação de que estamos perante alguém muito especial, a mesma sensação que se teve com Hamilton, ou Vettel, e aquela que também se tem com Verstappen. Os resultados que ele conseguiu com a Sauber foram excelentes para um piloto no seu primeiro ano e levou a que a Ferrari arriscasse nele com apenas um ano de experiência. Contudo, penso que mentalidade não será um problema, Leclerc é extremamente humilde e tem uma maturidade muito acima da média e já provou várias vezes que a adversidade e a pressão não são problemas para ele e, acima de tudo, é um piloto mesmo muito bom, um futuro campeão, sem dúvida.

Penso que Vettel vai atinar este ano, mas não vai ter o seu trabalho facilitado, a diferença entre os dois não vai ser muita, e mesmo que nenhum deles seja campeão, acredito que o título de construtores irá para Maranello este ano.

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Luís Manuel Barros

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