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Será 2019 o ano de Verstappen?

Luís Manuel Barros · 3 min

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Max Verstappen é uma das figuras mais controversas da Formula 1 dos últimos anos. Há quem adore o seu estilo agressivo e a fluidez com que conduz, outros odeiam a sua imaturidade e personalidade arrogante. Eu pessoalmente vejo os dois lados, considero-o um dos melhores talentos a surgir na F1 desde Lewis Hamilton, mas repreendo a impaciência que ele por vezes demonstra, o que o leva a ter acidentes e perder corridas desnecessariamente. 

No início de 2018, o piloto da Red Bull teve um inicio de ano horrível, com acidentes atrás de acidentes, e começaram a surgir dúvidas sobre se esse talento puro que existe nele, poderia algum dia vir ao de cima. Depois aconteceu a segunda metade do ano. 

Com um carro inferior aos pilotos da Ferrari e Mercedes, Max conseguiu ser o segundo piloto com mais pontos, batido apenas por Lewis Hamilton, e por uma unha negra não conseguiu o terceiro lugar de Kimi Raikkonen.

Isso faz refletir sobre o que poderia ter sido, não fosse as 6 primeiras corridas do ano, onde existiram sempre acidentes que o prejudicaram na hora de conseguir uma boa dose de pontos, por exemplo, na China, podia ter sido ele a vencer, não fosse a ultrapassagem ridícula que tentou fazer a Vettel, que destruiu a corrida aos  dois, eventualmente, Ricciardo venceu, ao mostrar como se ultrapassa sem bater.

Um dos acidentes mais marcantes de 2018. O choque contra Ricciardo em Baku
Fonte: Formula 1

Mas a partir daí vimos o belga constantemente no pódio, com uma vitória na Áustria, outra no México, e uma condução soberba no Brasil, onde tinha a vitória no bolso, mas perdeu muito por responsabilidade de Esteban Ocon. 

Essa situação do Brasil resume Verstappen, ele tinha a vitória no bolso, e Ocon tentou sair da volta em atraso que tinha, e Max fechou agressivamente, o que causou uma colisão entre os dois, dando a primeira posição a Hamilton. O acidente foi cerca de 70% responsabilidade de Ocon, mas não deixo de pensar que se fosse Vettel ou Hamilton naquela situação, seriam muito mais pacientes, e deixavam a ultrapassagem para a reta seguinte, não arriscando uma vitória segura.

No final de contas, no final da época passada tivemos um Verstappen novo, com uma nova maturidade a conduzir, a dúvida era se isso se iria propagar para a época de 2019. Os primeiros sinais são positivos, na primeira corrida do ano, Max deu à Honda o seu primeiro pódio da era híbrida, com uma condução calma, onde quase chegou à segunda posição.

Neste momento, no início da época e após os testes, os motores Honda parecem muito mais fiáveis do que os Renault do ano passado, que era o grande problema da Red Bull com a marca francesa no passado, onde perderam muitos pontos por problemas de fiabilidade. No ano passado Verstappen conseguiu elevar o carro ao nível da Mercedes e Ferrari muito graças à sua habilidade, portanto a questão é, o que é que ele fará este ano com um carro que parece mais próximo do top 2.

Penso que o campeonato de construtores é apenas uma miragem para a Red Bull neste momento, a Ferrari e a Mercedes são demasiado poderosas nesse ponto. Mas Verstappen na luta por campeão parece-me realista. Se a Red Bull mantiver o carro ao nível que demonstrou na Austrália, sem problemas de fiabilidade e com as capacidades aerodinâmicas que eles conseguem sempre sacar do seu monolugar, o belga pode muito bem ser um outsider pelo título.

Tem é de manter a cabeça fria, aproveitar cada pequena oportunidade dada pela luta entre Vettel e Hamilton, conseguir o máximo de pódios que puder, e manter-se fora de problemas. O Max que surgiu na Austrália parecia uma continuação do piloto mais maduro que apareceu no ano passado, por isso só tem de continuar essa ascensão, e penso que teremos um destruidor de recordes para os próximos anos.

A época de 2019 começou com um excelente pódio na Austrália
Fonte: Red Bull Racing

Foto de Capa: Red Bull Racing

Luís Manuel Barros

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