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Super Licença FIA: O bilhete dourado para a Fórmula 1

Redação BnR · 8 min

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Em plena ‘silly season‘, onde são lançados inúmeros rumores sobre mudanças de pilotos na Fórmula 1, os redatores de desportos motorizados, na secção da Fórmula 1, do nosso site decidiram procurar fora da caixa. Foram às várias categorias do desporto motorizado ver quem tem pontos suficientes na Super Licença FIA (a partir de 40 pontos) para entrar na Fórmula 1, e analisar se os mesmos têm alguma possibilidade de o fazer.

Mas, o que é a Super Licença FIA? A Super Licença FIA é a qualificação de um piloto que permite ao seu titular competir no Campeonato do Mundo de Fórmula 1. Para tal, o piloto dever ter uma idade mínima de 18 anos, ser titular de uma licença de competição de Grau Internacional A. Deve ter carta de condução automóvel válida e completa para o país de nacionalidade do piloto. Deve obter aprovação num exame teórico da FIA, com base no conhecimento dos códigos e regulamentos desportivos da Fórmula 1.Também deve ter completado pelo menos 80% de cada uma das duas temporadas de um dos campeonatos de monolugares suplementares à Fórmula 1, de acordo com os regulamentos. E finalmente, ter acumulado pelo menos 40 pontos sobre as três épocas anteriores em qualquer combinação dos Campeonatos referidos no Suplemento 1 dos regulamentos.

David Pacheco, Co-Editor das Modalidades Bola na Rede

Antes de começarmos, é de relembrar que, há dias, a página oficial da Fórmula 1 divulgou que há apenas 9 de 20 pilotos confirmados para a próxima época. Quem poderão ser os próximos melhores pilotos da atualidade?

 Ex-pilotos de Fórmula 1

Destacámos, em primeiro lugar, os pilotos que já passaram pelo topo do desporto motorizado, que, tendo mais de 15 Grande Prémios na modalidade, não precisam de pontuação para obter a Super Licença. São estes: Esteban Ocon, Fernando Alonso, Jolyon Palmer, Marcus Ericsson e Sergey Sirotkin.

Todos, como antigos pilotos, serão sempre possíveis (e fortes!) candidatos a um lugar para o campeonato de 2020. Porém, nem todos conseguiram destacar-se, tanto na sua passagem por lá, como no(s) ano(s) que estiveram ausentes. É o caso de Jolyon Palmer, que nos últimos anos não se tem destacado de todo no mundo automobilístico, estando em desvantagem nas hipóteses para a vaga.

Os restantes acabam por ser mais-valias para a Fórmula 1: Ericsson tem-se destacado no campeonato de IndyCar; Sirotkin continua na competição como piloto de testes da Renault e da McLaren.

Para além destes, é de destacar o possível regresso de Fernando Alonso, que só traria aos seus adversários um intenso desafio a cada corrida, algo que nos habituou durante a sua passagem de cerca de 17 anos. Mas ao que parece o espanhol já está confirmado na Toyota para o DAKAR.

No entanto, o maior desafio seria o retorno de Esteban Ocon, que, com uma saída inesperada do piloto francês da Racing Point em 2018, teve a oportunidade de se tornar piloto de reserva da Mercedes, e, possivelmente, poderá ser o próximo sucessor de Valtteri Bottas na equipa.

Com Bottas sem confirmação na Mercedes para o ano, a especulação cresce, implicando o possível regresso (e em grande) de Esteban Ocon.
Fonte: Mercedes AMG F1

Fórmula 2:

No campeonato mundial de Fórmula 2, encontrámos, na sua maioria, jovens que procuram a sua próxima oportunidade e a (possível) estreia na Fórmula 1.

Temos, com o maior número de pontos para a Super Licença, Anthoine Hubert (78), Luca Ghiotto (66) – que já foi apontado à Toro Rosso, mas sem confirmações – e Artem Markelov (64).

Porém, nem tudo indica que são os únicos que poderão ter uma hipótese. Também Nyck De Vries (60), o atual líder no campeonato de Fórmula 2, e Jack Aitken (60), que já é piloto de testes da Renault, têm-se revelado pilotos competentes e focados em conseguir um lugar numa das dez atuais equipas de topo.

No limite dos pontos, encontrámos Nobuharu Matsushita (48), Sérgio Sette Câmara (41), piloto de reserva da McLaren, que se tem destacado pela positiva, e Nicholas Latifi (40), piloto de testes da Williams.

Apesar de, especificamente nesta edição, o campeonato de Fórmula 2 estar a ser extremamente competitivo, em que os primeiros lugares estão constantemente a mudar, destacámos os três primeiros colocados atuais – De Vries, Latifi e Sette Câmara – como possíveis ascensores à Fórmula 1.

Nicholas Latifi poderá ser o próximo sucessor de Robert Kubica na equipa da Williams, que também não está confirmado para o ano.
Fonte: Fórmula 2

Indycar:

Na principal categoria de monolugares da América do Norte encontramos vários pilotos extremamente capazes, porém, raramente é feita a transição da IndyCar para a Fórmula 1, sendo o oposto mais comum. Como é uma categoria onde os chassis são todos semelhantes, mudando apenas a marca dos motores, é seguro dizer que os melhores pilotos são os que estão no topo da tabela classificativa, e aqui destacam-se três, Josef Newgarden, Simon Pagenaud e Alexander Rossi.

Newgarden lidera o campeonato, correndo pela Penske, uma das mais lendárias equipas da IndyCar. Porém, apesar da excelente época que está a construir, e de estar numa idade mais que aceitável para correr na Fórmula 1 (28 anos), o americano já não tem uma experiência de correr na Europa desde 2010, quando correu na GP3 (atual Fórmula 3), e seria um risco demasiado grande para uma equipa de Fórmula 1 arriscar num piloto já afirmado, e que provavelmente iria pedir um salário mais elevado do que alguém da Fórmula 2.

Já Simon Pagenaud, francês que é colega de equipa de Newgarden e vencedor da Indy 500 de 2019, sofre pela idade. Apesar de já ter mostrado interesse em testar um carro de Fórmula 1, os seus 35 anos fazem dele uma opção que serviria apenas para isso, testes. Com a mentalidade de apostar na juventude que as equipas de Fórmula 1 tem hoje em dia, um piloto como Pagenaud não teria nem a juventude nem a experiência em monolugares europeus para ser colocado ao volante de um Formula 1 durante um fim-de-semana, quanto mais uma corrida.

Isso deixa-nos com Alexander Rossi, o único destes três que une a experiência num carro de Formula 1 com uma idade aceitável. O americano é neste momento o segundo classificado do campeonato de Indycar, atrás de Newgarden por apenas 35 pontos, estando mais do que na luta pelo seu primeiro campeonato. Entre 2012 e 2014 fez parte de equipas de Formula 1 como piloto de testes, na Caterham e Marussia, até que surgiu a oportunidade de conduzir pela Manor em 2015, conseguindo no máximo um 12º lugar no GP dos Estados Unidos, algo fantástico para um carro que era sofrível.

Sendo um piloto com provas dadas, julgo que era o mais capaz de entrar na Formula 1 e se afirmar, e a equipa perfeita para isso seria a Haas. Equipa americana junta com um piloto americano, e a história escreve-se sozinha. E tendo em conta que a Haas ainda está a decidir o futuro dos seus pilotos, não colocaria Alexander Rossi na Formula 1 de parte…

Alexander Rossi é o candidato mais forte da América do Norte.
Fonte: Indycar

Fórmula 3:

Se na Fórmula 2 já avistámos jovens aspirantes a pilotos, então nem precisamos de falar na Fórmula 3.

Os pilotos de destaque nesta ‘corrida à Super Licença’ acabam por apenas serem quatro: Christian Lundgaard (67), Marcus Armstrong (50), Juri Vips (47), e o atual líder do campeonato, Robert Schwartzman (46).

Apesar de todos eles serem futuros líderes e, como qualquer outro com o sonho de se tornar piloto profissional de Fórmula 1, dedicados e com um talento indescritível, não creio que, neste momento, o campeonato de Fórmula 3 vá já abrir as portas a qualquer um destes para uma vaga direta para a Fórmula 1 em 2020, mas sim para possíveis pilotos de testes, e, por exemplo, como acontece com Vips e Armstrong, um lugar nas camadas jovens das equipas como a Red Bull Junior Team ou Academia da Ferrari, respetivamente.

No entanto, não deixamos de destacar o esforço de qualquer um deles, que, certamente, chegarão ao patamar que desejam.

Christian Lundgaard é, neste momento, quinto no campeonato de F3, mas destaca-se pelo maior número de pontos para a superlicença.
Fonte: Fórmula 3

Fórmula E:

O campeonato dos monolugares elétricos é visto por muitos como o ‘cemitério’ dos ex-pilotos da Fórmula 1, com pilotos como Jean Éric Vergne, Stoffel Vandoorne, Felipe Massa, Sebastien Buemi e Pascal Wehrlein a correrem pelas cidades do mundo. Alguns foram cuspidos pelo sistema implacável da Fórmula 1 de forma injusta, e desse grupo, destaco Jean Éric Vergne.

O francês, bicampeão de Fórmula E, é dos casos mais curiosos que vi na Formula 1. Sempre esteve a um nível semelhante de Daniel Ricciardo na Toro Rosso, mas o australiano foi chamado para a RedBull na vez dele para 2014. Nessa época destruiu por completo o colega de equipa Daniil Kvyat, e nem isso chegou para segurar o lugar, indo Kvyat para a RedBull e a dupla de Carlos Sainz e Max Verstappen para a Toro Rosso. Basicamente foi mais uma situação onde o dinheiro falou mais alto e quase destruiu a carreira de um excelente piloto. Mas o francês não se deixou ficar. Reconstruiu a carreira em várias categorias, mas onde mais se destacou foi na Fórmula E, onde voltou a ser levado a sério como o grande piloto que é, vencendo dois campeonatos seguidos com performances assombrosas.

Quando começaram a aparecer as dúvidas sobre o lugar de Pierre Gasly na Red Bull, o primeiro nome que me veio à cabeça não foi o dos pilotos da Toro Rosso, mas sim o de Vergne. Penso que seria uma aposta segura, e com um carro competitivo nas mãos, seria capaz de pelo menos fazer melhor do que Pierre Gasly. Com o constante jogo de cadeiras que se vê na família Red Bull, as possibilidades de JEV voltar à Fórmula 1 são mais altas do que parecem, e com a aposta em Kvyat para 2019 a mostrar-se um sucesso, quem sabe se a Red Bull não volta a olhar para os pupilos do passado?

Jean-Eric Vergne poderia ser uma das apostas seguras da Red Bull.
Fonte: Formula E

O sistema de equipas júnior da Fórmula 1 faz com que arriscar em apostas fora da caixa seja algo pouco comum, contudo, existem pilotos com Super Licença noutras categorias mais do que capazes de se afirmar no maior dos desportos motorizados. Faltaram pilotos do FIA WEC como Kamui Kobayashi ou do DTM como René Rast, mas como tantos outros de categorias mais semelhantes à Formula 1, não conseguiram fazer parte da nossa lista. Esperamos ter conseguido demonstrar que apesar de já não fazerem parte da família da Fórmula 1, há por aí muitos pilotos capazes de se afirmar na categoria rainha do desporto motorizado.

Angelina Barreiro e Luís Manuel Barros, redatores de Desportos Motorizados

Foto De Capa: Formula E

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