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Chegamos ao fim da segunda semana de testes na Fórmula 1. Neste momento, sabemos pouco mais sobre onde as equipas estão do que há uns meses atrás. Apenas há duas certezas: a Ferrari e a Mercedes estão na frente, e a Williams no fundo da tabela.
Mais uma vez, vou analisar a semana dois de testes e ver quem vai mais bem preparado para Melbourne e quem ainda tem muito trabalho pela frente.
Williams

A lendária equipa britânica que passou tantos anos no topo da tabela teve um 2018 horrível e, pelo que aconteceu na primeira semana de testes, não me parece que vá estar melhor.
Começaram os testes quase três dias mais tarde, o que fez com que durante a segunda semana de testes fizessem os processos que as outras equipas já tinham terminado. Os tempos nunca surpreenderam, mas conseguiram um bom número de voltas, o que ao menos lhes permite ter bastante informação sobre o carro.
Contudo, no último dia tiveram problemas e o carro mal andou. Faltavam peças e Robert Kubica teve de ficar a ver enquanto todas as outras equipas saíam para a pista, o que levou a que o polaco dissesse numa entrevista que se sente apenas 20% preparado para o Grande Prémio da Austrália.
É quase deprimente ver uma equipa das equipas mais icónicas da F1 no fundo do poço e, se as coisas não estabilizarem na equipa, começa a ser aparente que a mesma não vai sobreviver.
Mclaren

Outra equipa que já encontrou o fundo do poço, mas que parece estar em muito melhores condições para sair dele. A Mclaren apareceu nos testes com um carro muito diferente do do ano passado. Isto era necessário, pois o MCL 33 sofria de muita instabilidade na traseira e em termos aerodinâmicos era um carro muito mau.
O novo modelo parece muito mais competitivo e, na segunda semana de testes, mostrou bastante velocidade, apesar de os tempos serem algo irrelevante, tanto Lando Norris como Carlos Sainz lideraram as tabelas em dois dias diferentes, com os pneus mais macios e provavelmente pouco combustível. Isto acaba por ser uma forma de testar os limites do carro, algo importante.
Dito isto, é obvio que não podemos esperar que a equipa britânica passe a liderar o campeonato. Está muito mais competitiva do que em 2018, isso é óbvio.
Racing Point

A Force India sempre foi uma equipa capaz de lutar por lugares muito acima do seu orçamento, por isso era expectável que, nos testes de 2019, com muito mais dinheiro e um novo nome, fossem surpreender, mas isso não aconteceu.
A equipa revelou que o carro que apresentaram é basicamente o mesmo do do ano passado, mas adaptado às novas regras, que em Melbourne vão finalmente mostrar o novo carro. Ou seja, estes testes foram apenas para verem o que funciona e o que está mal para aplicar ao novo carro.
O que resulta deste pequeno problema é que a equipa não surpreendeu no que toca aos tempos nem às voltas que fez. Provavelmente vão chegar ao início da época um pouco atrás dos seus rivais, mas vão desenvolver o carro durante o ano e torná-lo muito mais competitivo.
Toro Rosso

Se os tempos dos testes revelassem algo sobre a competitividade das equipas, a Toro Rosso neste momento estaria a lutar pelo título, mas, como não contam, podemos esperar que eles estejam mais ou menos no mesmo lugar do ano passado.
O monolugar apresenta muitas ideias da Red Bull e, acima de tudo, é muito fiável. A equipa provavelmente vai conseguir lutar pelos lugares cimeiros do “meio-campo” em algumas corridas, mas duvido que sejam a equipa mais forte.
Eles tiveram uma semana muito forte, tanto em voltas como tempos, e os novos pilotos adaptaram-se rápido, mostrando já uma familiaridade muito grande com o monolugar, particularmente Alexander Albon, que ainda acredito que venha a ser uma surpresa.
Alfa Romeo Racing

A antiga Sauber começou os testes com um carro muito radical em termos de desenho e a surpreender muito pela competitividade que demonstravam. Mas nesta segunda semana as coisas acalmaram um bocado e já não se falou tanto da equipa suíça.
Ainda assim, conseguiram um grande número de voltas, sem problemas de fiabilidade, e nunca foram os mais lentos. Mostram uma grande consistência, e nos testes isso é importantíssimo.
Em 2019, com todo o talento que possuem no lado dos condutores, espera-se que lutem pelo 4º lugar e, pelo que apresentaram durante as duas semanas de testes, parecem ter condições para o fazer.
Haas

A equipa que surpreendeu tudo e todos em 2018 com um carro muito competitivo, aparentemente, voltou a fazê-lo. O carro está muito bem desenvolvido e, apesar de não surpreender nos tempos de volta, a equipa tem feito muitas voltas, uma das equipas que tem mais e, segundo os pilotos, é um carro muito bom de se conduzir.
Acredito que vai ser a Haas a equipa que vai dar mais luta à Renault pela quarta posição, isto se os seus pilotos forem bem mais consistentes do que no ano passado. Se o fizerem, a equipa americana tem mais uma vez a possibilidade de surpreender.
Renault

A Renault ainda é uma incógnita. Às vezes parecem muito próximos do top 3, que era o seu objetivo, mas outras vezes parecem estar exatamente onde estava no ano passado.
Existe algo do qual eles se podem orgulhar: o facto de o motor parecer muito melhor. O mesmo motor que tantos problemas deu à Red Bull mostra uma fiabilidade muito grande e bastante mais potência do que nos anos anteriores.
Talvez eles tenham falhado um pouco nas previsões que fizeram de se aproximarem dos lugares cimeiros da tabela, mas pode ser que este carro sirva como base para desenvolvimentos ao longo da época que os aproximem muito mais do top 3.
Red Bull

A segunda semana de testes da Red Bull teve dois extremos. Muita fiabilidade do motor Honda, que era uma dúvida que se tinha sobre a alteração, mais uma vez um chassis muito estável e um carro que se porta muito bem em pista, mas não conseguiram muitas voltas, principalmente por causa de Pierre Gasly.
O francês perdeu o controlo do carro no penúltimo dia e acabou por embater contra as barreiras de proteção, o que obrigou a reparações extensas e acabou por prejudicar Max Verstappen no dia seguinte, que teve problemas na caixa de velocidades, ainda relativos ao acidente.
Isto fez com que, em dois dias, a equipa não chegasse sequer às 100 voltas, e evitou que eles mostrassem velocidade ou recolhessem ainda mais dados sobre o carro. Tirando isto, o carro parece bom, e o motor da Honda muito fiável. Talvez 2019 seja o ano do regresso da Red Bull às vitorias consistentes.
Mercedes

Após o final da semana um de testes, parecia que algo estava errado com a Mercedes – faziam muitas voltas, mas os especialistas diziam que havia muita instabilidade no carro em curva, o que deixou as pessoas a suspeitar de que eles pudessem ser neste momento a terceira melhor equipa.
No entanto, a equipa apresentou um novo conjunto aerodinâmico na semana dois, que pareceu corrigir os problemas do carro, e começaram a fazer tempos muito mais competitivos.
A Mercedes sabe o que está a fazer. Já não é a primeira vez que desiludem nos testes, chegam a Melbourne e destroem qualquer concorrência. O mais provável é que em 2019 eles voltem a estar taco a taco com a Ferrari na competitividade do carro.
Ferrari

Neste momento, existe uma aura de confiança inabalável em Maranello. O carro faz tudo bem, é fiável, é rápido, os pilotos gostam da sua condução e, acima de tudo, apesar de os tempos não serem importantes nos testes, a Ferrari tem feito voltas com pneus c3, ou seja, basicamente o médio, quase tão rápidos como os seus rivais em pneus mais macios, isto mostra uma segurança neles próprios muito grande.
Os dois pilotos parecem confortáveis no carro, particularmente Vettel, que parece um homem novo após 2018 ter abalado imenso a sua confiança, e o novo chefe de equipa, Mattia Binotto, tem criado uma atmosfera muito positiva na garagem dos italianos.
Tudo parece bem para a Ferrari, e saem dos testes a parecer a equipa a bater, agora é só não cometerem os mesmos erros do ano passado.
Texto revisto por: Mariana Coelho
Foto de Capa: Formula 1













