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Após uma pausa de Inverno onde todos menos os engenheiros das equipas descansam, os motores voltaram a rugir no Circuito da Catalunha em Espanha, onde decorreu a primeira semana de testes do maior campeonato de desporto motorizado do mundo.
Finalmente, podemos colocar os nossos olhos no que cada equipa cozinhou para este ano, principalmente no que toca às asas dianteiras, tendo em conta que as regras mudaram e as mesmas se tornaram mais simples. Alguns dos resultados foram surpreendentes, e neste momento só sei que nada sei sobre quem está por cima, porque sobre quem caiu é bastante óbvio…
Sendo assim, vou analisar a primeira das duas semanas de testes equipa a equipa e tentar espreitar pela cortina de fumo que as equipas criam nos testes, o chamado “sandbagging”, para perceber onde é que está cada equipa.
Williams – Era possível cair mais baixo? Sim!

O que é feito do gigante que era a Williams? São 9 vezes campeões de construtores, uma das equipas mais icónicas de sempre, por onde passaram campeões mundiais como Piquet, Mansell, Senna, Rosberg (pai e filho), e que agora é uma das anedotas do grid, uma equipa que nem consegue ter o carro pronto a tempo dos testes.
Eu estava verdadeiramente confiante que eles fossem subir de forma esta época, mas agora não estou de todo. Os testes começaram na segunda feira, e eles só ligaram o carro na quarta e fizeram umas 20 voltas para ver se ao menos o monolugar andava. São 3 dias de informações e telemetria a menos, começam muito atrás das outras equipas e correm rumores que o carro é tão mau que consegue ser 2 segundos mais lento que o de 2018, enquanto todos os seus rivais estão mais rápidos que no ano passado.
A equipa está em crise e espero por tudo que isto não seja o princípio do fim para uma das maiores equipas de sempre, mas a coisa está muito feia.
Mclaren – Agora sim!!!

Agora passamos de uma equipa histórica que atingiu o fundo do poço para outra que parece estar a sair dele. Para começar, o MCL34 é dos carros com melhor aspeto do grid deste ano e começou em grande. Nos dois primeiros dias de testes, conseguiu o 2º lugar na tabela de tempos atrás apenas da Ferrari, o que deixou muitos fãs extremamente entusiasmados, contudo, vamos com calma.
Para começar, estavam a usar pneus bastante mais suaves do que as outras equipas e, acima de tudo, os tempos não significam nada, nos primeiros dias, as equipas estão a ajustar detalhes do carro e a tentar perceber se o mesmo funciona como projetado. Não digo que a Mclaren tenha falhado de novo, longe disso, mas, se eles evoluíram, a grande maioria das equipas à volta deles também o fez.
Para confirmar isto, nos restantes dias de testes, eles mantiveram esse ritmo, e as outras equipas ao aumentar o deles facilmente os ultrapassaram. Isto é só um recomeço, duvido que vamos ver Sainz e Norris no pódio este ano, mas o importante agora é criar uma base sólida, na qual podem crescer de forma constante para regressar ao nível de antigamente e, se este é o primeiro passo, começam muito bem.
Racing Point – Uma incógnita

Novos donos, mais patrocinadores, mais dinheiro. Todos esperavam que a Force I… Racing Point fosse mostrar o porquê de ser uma das melhores equipas do meio do grid, mas tem sido uns testes bem silenciosos do lado da equipa cor de rosa.
São das equipas que fazem menos voltas, nunca estão perto do topo dos tempos, basicamente, nada neles tem chamado à atenção, ou seja, é difícil perceber onde estão, será que caíram comparado com o ano passado? Estão muito melhores só que ainda não mostraram? Para mim, estão exatamente iguais, só que os seus rivais diretos melhoraram imenso.
É que geralmente uma equipa que não faça voltas rápidas, está focada em conseguir o máximo de voltas possível, mas aqui não é o caso. A equipa não tem surpreendido nem desiludido, apenas está ali. A Racing Point é basicamente a Force India com mais dinheiro, e estes sempre conseguiram resultados muito acima do que o seu orçamento permitia, por isso não excluo que em Melbourne se afirmem como a quarta melhor equipa, mas para já não há nada que indique isso.
Alfa Romeo Racing – Bellissimo!!!

Aqui temos uma surpresa agradável, a antiga Sauber, agora conhecida apenas por Alfa Romeo Racing, começou o ano de 2018 como uma das piores equipas, mas acabou o ano como a quarta melhor. Isso é uma evolução muito radical e raramente vista na Formula 1, logo, as expectativas estavam em alta para este ano e para já parecem estar a ser cumpridas.
Kimi Raikkonen e Giovinazzi estão a fazer o contrário da Racing Point, acabam o dia com um número gigantesco de voltas, o que mostra muita fiabilidade, e estão a conseguir tempos muito competitivos, como por exemplo o quinto tempo mais rápido de toda a semana, por Kimi Raikkonen, que ao mesmo tempo conseguiu fazer 252 voltas.
A equipa optou por um design muito radical em termos aerodinâmicos e parece estar a compensar, para já, são competitivos e com dinheiro e um Kimi que aparenta estar muito mais feliz lá do que na Ferrari, parece-me possível uma época muito boa.
Toro Rosso – A Honda não anda a brincar

Nunca se espera muito da equipa B da Redbull, mas pelo menos, este ano, parecem muito mais competitivos e fiáveis.
Em 2 dias seguidos conseguiram o tempo mais rápido e ao mesmo tempo um número gigante de voltas, pelo menos comparado com os anos anteriores do motor Honda. Parece-me que os japoneses finalmente conseguiram um bom nível de fiabilidade e potência, não ao nível da Ferrari ou Mercedes, mas sem dúvida muito superior aos anos anteriores.
O destaque vai para Albon, que nunca tinha pegado num carro de Formula 1 antes e que no final desta semana parece um peixe dentro de água. No meio de toda a ambiguidade que os testes possuem, a Toro Rosso parece ter um carro competitivo e capaz de lutar bastantes vezes pelos pontos.
Haas – Preto e dourado, parece familiar

A Haas apresentou-se este ano com um esquema de cores completamente novo, preto e dourado, derivado do seu patrocinador principal, a Rich Energy. Há muita especulação à volta da legitimidade desta empresa de bebidas energéticas, mas não me vou pegar nisso hoje.
A equipa americana surpreendeu muita gente, quando no ano passado apresentaram um dos melhores carros, que acredito que tinha conseguido a quarta posição, não fosse pelos seus pilotos tão inconstantes.
Nos testes deste ano, não há muito para falar, tem conseguido um bom número de voltas, tem conseguido tempos aceitáveis, ou seja, nem são os melhores, nem são os piores, estão exatamente no meio. Contudo, tem surgido alguns problemas de fiabilidade no carro, que parou no meio da pista algumas vezes durante a semana.
A Haas é uma equipa, que tal como a Force India fazia, tem o hábito de fazer melhor do que o seu orçamento levaria a acreditar. Os últimos anos tem sido muito positivos, mas não me parece que este ano vão conseguir acompanhar equipas como a Alfa Romeo ou a Renault. Para terminar, deixo apenas uma pergunta, alguém já viu uma lata da Rich Energy à venda?
Renault – Rumo à “No Man’s Land”

A equipa francesa tem vindo a aumentar o seu estatuto gradualmente desde o regresso em 2016, e no ano passado, terminaram o campeonato como “best of the rest”. Para 2019, investiram fortemente em pilotos, contratando Daniel Ricciardo e no desenvolvimento do motor e do carro e parece estar a dar frutos.
Começaram a semana de testes de forma bastante calma, sendo até os mais lentos do grid, mas com um número de voltas muito saudável. No entanto, à medida que a semana avançava, a Renault também o fazia e terminaram a primeira semana de testes com o tempo mais rápido de todos e com 433 voltas no total. Isto é uma demonstração clara de que estão muito mais rápidos e fiáveis que no ano passado.
Contudo, duvido que vão chegar este ano ao nível das 3 maiores equipas, vão andar a vaguear naquilo que se chama a “No Man’s Land”, ou seja, mais rápidos que as equipas do meio campo, mas mais lentos que o top 3. Isto não é mau, de todo, corresponde exatamente ao que a Renault pretendia e se desenvolverem bem o carro durante o ano, quem sabe, podem surgir vários pódios.
Red Bull – Um carro que não avaria já é um começo

Após 11 anos com motores Renault, e 4 títulos de construtores, foi tomada a decisão de mudar para motores Honda, após a marca francesa ser incapaz de fornecer um motor fiável e potente na era Turbo/Híbrida. Muitos disseram que era um risco e que a Honda ainda seria pior, no entanto, a marca japonesa evoluiu e aprendeu muito na Toro Rosso no ano passado e, pelo que se viu nos testes, conseguiram finalmente criar um bom motor.
Ainda existem dúvidas quanto à velocidade, mas também a Red Bull ainda nem sequer tentou mostrar todo o potencial do seu carro, mas o número importante aqui é o 475. Este é o número de voltas total que conseguiram na primeira semana de testes, o que mostra um motor muito fiável.
Talvez na próxima semana, a equipa liberte de vez o motor com algumas voltas rápidas, para se perceber onde é que este se localiza em termos de potência comparativamente às outras equipas, mas para já pelo menos parece que vão chegar ao fim de mais corridas em 2019.
Ferrari – Parece, mas é?

A Ferrari deixou o campeonato fugir no ano passado, durante a primeira metade da época teve o melhor carro, mas depois perdeu-se no desenvolvimento do mesmo e com erros estratégicos e dos pilotos acabou por oferecer o campeonato à Mercedes.
O objetivo para este ano é corrigir tudo isso. Eles sabem que tem um motor tão bom ou até melhor que o Mercedes, sabem que conseguem construir um dos melhores chassis, agora é prova-lo nas corridas.
Nos testes, a Ferrari dominou os dois primeiros dias, sem grande esforço, com pneus médios, mas em vez de tentar mostrar a verdadeira performance do SF-90, decidiram ficar no mesmo sítio, colecionando um número gigante de voltas, mas sempre perto dos lugares cimeiros das tabelas de tempo. Isto mostra uma verdadeira confiança no carro, e se os números indicam alguma coisa é que a Ferrari neste momento é mais rápida do que a Mercedes, porque com pneus mais duros conseguiu tempos muito próximos dos alemães, e caso todas as equipas utilizassem os mesmos pneus, a volta mais rápida da Ferrari teria sido a mais rápida por 5 décimas de segundo, uma eternidade na Formula 1.
Mas os testes não tem a ver com tempos, tem a ver com o recolher de dados e informação de como carro se está a comportar. A Mercedes ainda não mostrou o seu jogo, mas a Ferrari também não, acredito que a resposta apenas vai surgir em Melbourne na primeira corrida do ano.
Mercedes – Uma flecha de prata com sacos de cimento em cima

Para quem analisar os testes apenas pelos tempos de volta iria achar que a Mercedes tinha caído a pique comparado com o ano passado, sempre a meio da tabela, mesmo quando usam os pneus mais suaves não conseguem ir para o topo.
Isso tem o nome de “sandbaggin”, e a Mercedes é a melhor nisso. Basicamente, não puxam pelos limites do carro e não mostram todo o seu potencial até ao momento decisivo na qualificação na Austrália, mas desta vez parece diferente.
Segundo alguns especialistas, a Mercedes está com um problema na criação de “downforce” por culpa das novas regras das asas dianteiras. Eles tinham uma das asas mais complexas do ano de 2018 e, segundo esses especialistas, isto ajudava a compensar o facto de serem a equipa com menos “rake” do grid. Isto do “rake” é a diferença da altura da frente do carro para a traseira e foi popularizado pela Red Bull.
Quanto mais “rake” um carro de Formula 1 tiver, mais downforce ele produz através do solo, e todas as equipas do grid adotaram este método, excepto uma, a Mercedes. E como o ar já não é tão bem gerido pela asa dianteira, nas curvas mais lentas, o carro fica mais instável, porque tem muito pouco “rake” para criar a “downforce” necessária para fazer a curva da melhor forma.
Isto é algo que foi confirmado por nem mais nem menos que Valteri Bottas, mas o finlandês também garantiu que a equipa está a trabalhar este problema e que o irá resolver. Eu não acredito nem por um segundo que a Mercedes tenha deixado de repente de ser competitiva, eles ainda não mostraram a sua verdadeira velocidade, e se este problema existe, não duvido que os engenheiros inventam uma solução milagrosa para o resolver.
Foto de Capa: Formula 1
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro













