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MotoGP: 5 factos sobre o GP de Portugal

João Pedro Barbosa · 9 min

Foto: MotoGP

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Ah! Quem não tinha saudades de ver Portugal nas bocas do Mundo? Para os adeptos de automobilismo este ano de 2020, para além de ficar marcado pela pandemia de COVID-19, ficará certamente na memória por trazer a Portugal o mundial de Fórmula 1, mas também o de MotoGP! É verdade. O Autódromo Internacional do Algarve (AIA) já era uma possibilidade para a Dorna Sports, organizadora do mundial, e estava em “banho maria” à espera de ser chamado para que as duas rodas do MotoGP viessem novamente a terras lusas.

Oito anos depois, os maiores nomes do MotoGP voltam-se a reunir em Portugal e a possibilidade de haver fãs nas bancadas (tal como na Fórmula 1) voltou a criar o “pânico” no site do AIA. No primeiro dia de vendas, houve locais ao longo da pista que esgotaram, inclusive. O público português terá assim a oportunidade de mostrar a sua paixão pelo Desporto Motorizado, mais uma vez.

Quem também está contente é Miguel Oliveira e não é para mais. O piloto português da KTM Tech 3 está de volta a Portugal e logo para correr na categoria rainha. É o “sonho tornado realidade”, não só para o piloto, mas para os adeptos portugueses que esperam por este momento há algum tempo. Contudo, não esqueceu de relembrar a todos que é, na sua opinião, “um dos traçados mais desafiantes do mundo”.

Portimão receberá, pela primeira vez, o mundial de MotoGP, de 20 a 22 de novembro deste ano. Porém, a história do Mundial em duas rodas em terras portuguesas já existe desde 2000. Por isso, vamos agora reavivar a memória para alguns momentos interessantes que aconteceram no circuito do Estoril, o único circuito até 2020 a receber as provas de MotoGP, e olhar para factos que vão ainda acontecer.

1.

O 1.º GP de Portugal… em Espanha e o 1.º em solo português – Não seria um verdadeiro Grande Prémio português se não houvesse algo fora do normal, certo? Portugal “entrou” para o mundial de MotoGP em 1987 e porquê em aspas? Pois o circuito do Estoril era o destinado a receber a corrida, contudo, foi o circuito de Jamara, em Madrid, que foi usado nesse GP. De português só teve mesmo o nome, porque de resto… mais nada.

Por isso, vamos ter de avançar 13 anos para realmente ser o verdadeiro Grande Prémio de Portugal e o primeiro, claro está. Na categoria máxima, 500cc, venceu o australiano Garry McCoy numa Yamaha e o restante pódio foi constituído por Kenny Roberts Jr. (Suzuki) e por Valentino Rossi (Honda). O jovem piloto italiano já tinha deixado o aviso que poderia reinar nas pistas do Estoril, visto que já tinha deixado a sua marca com a volta mais rápida: 1:42.200.

Nas categorias inferiores, venceram o japonês Daijiro Kato (Honda) nas 250cc e o espanhol Emilio Alzamora (Honda) nas 125cc. De destacar ainda a presença de dois pilotos portugueses nestas duas categorias também: Felisberto Teixeira (Yamaha) nas 250cc e José Leite (Honda) nas 125cc.

O ano de 2000 foi o início de 12 anos consecutivos de MotoGP em Portugal e no traçado do Estoril. Agora, e 20 anos depois, Estoril é trocado para se viajar um pouco mais a sul do país para Portimão receber pela primeira vez o Mundial, tal como já tinha também acontecido com a Fórmula 1.

2.

Os cinco vencedores do GP de Portugal no ativo – Quem não gosta de um belo campeão? Os braços no ar, erguendo bem alto um troféu e o tradicional banho de champagne. Pois bem, o número mágico (até agora) são de cinco vencedores – espalhados por todas as categorias – do GP de Portugal e que ainda estão no mundial de MotoGP: Valentino Rossi, Andrea Dovizioso, Pol Espargaró, Stefan Bradl e Marc Márquez.

Mais à frente falaremos de Valentino Rossi e, por isso, vamos falar de Andrea Dovizioso. O piloto italiano, que atualmente representa a Ducati, já sabe o que é vencer em Portugal, pois em 2006 foi o grande vencedor nas 250cc. A vitória no Estoril não chegou para conseguir ainda chegar ao triunfo nesse ano na categoria, que acabaria por ir parar às mãos de Jorge Lorenzo.

Pol Espargaró, que agora vai dando um ar da sua graça na KTM Factory Racing, venceu no Estoril a sua segunda corrida da temporada 2009. Depois de já ter vencido em Indianápolis (Estados Unidos), venceu os 25 pontos e subiu ao lugar mais alto do pódio português. Ainda assim, a temporada nas 125cc não correu bem ao piloto espanhol, visto que terminou em 4.º lugar a mais de 114 pontos do vencedor, Julián Simón.

Marc Márquez e Stefan Bradl venceram em 2010 no Estoril, mas em categorias diferentes: o espanhol nas 125cc e o alemão no Moto2. A primeira vitória de Márquez no Estoril ficará nos livros de história, visto que caiu na volta de formação e teve de partir de último. Contudo, o piloto espanhol mostrou raça de campeão e chegou ao fim em primeiro.

De recordar também que Márquez ainda venceu, em 2012, em Moto2 e Bradl, em 2011, tinha ganho novamente na mesma categoria. Em 2020, Márquez lesionou-se no 1.º Grande Prémio da temporada e é Bradl que o substituiu no grid.

3.

Valentino Rossi, o maior vencedor em Portugal – Na categoria rainha, quem é que tem mais vitórias? Pois, só podia ser ele, Valentino Rossi. São cinco as vitórias no Estoril e o único a chegar perto deste recorde foi Jorge Lorenzo, que venceu três vezes de forma consecutiva entre 2008 e 2010.

Com o título de maior vencedor em Portugal, Rossi foi dos primeiros pilotos a ser abordado para falar sobre o regresso do MotoGP a terras lusitanas. O piloto italiano relembrou que tem boas memórias do asfalto português, contudo, memórias criadas no Estoril… Por isso, afirmou estar “curioso para correr em Portimão” e admitiu que o circuito está “ao nível de Phillip Island”, na Austrália.

Mas agora vamos fazer uma retrospetiva das vitórias de Valentino Rossi em Portugal. Depois de ter ficado em 3.º em 2000, o italiano ganhou o gosto da vitória em 2001 e a partir daí não mais largou o troféu português. 2002, 2003 e 2004 também tiveram o nome de Rossi na lista de vencedores e parecia já se ter tornado hábito. Contudo, em 2005 e 2006, Valentino Rossi teve que se contentar com o 2.º lugar, pois o 1.º foi para Alex Barros e para Toni Elias, respetivamente.

E por falar em 2006… Rossi guarda grandes recordações de Portugal, mas há um acontecimento que ainda o deve deixar com um sabor amargo na boca. O ano de 2006 foi o pesadelo para o italiano. No Estoril, a última volta foi de constantes ultrapassagens e na reta final foi Toni Elias a vencer por dois milésimos de segundo! É ainda hoje a menor diferença entre 1.º e 2.º classificados. Toni Elias venceu a sua única corrida nesse ano e destruiu totalmente as ambições de Rossi de chegar ao título, que viria a ser conquistado por Nicky Hayden.

Valentino Rossi só viria a vencer novamente no Estoril em 2007, numa grande disputa com o espanhol Dani Pedrosa. Até à última edição do GP de Portugal em 2012, o piloto italiano só chegou perto da vitória em 2010 quando foi 2.º, atrás de Jorge Lorenzo.

4.

O 1.º fecho de temporada em Portugal – Os adeptos regulares de MotoGP já estão habituados a ver o final da temporada no GP da Comunidade Valenciana. É nesse circuito espanhol que todos os campeões têm sido coroados desde 2002. Ou seja, é preciso recuar até 2001 para se ver a última vez de um Grande Prémio que não seja no circuito de Valência a terminar a época. A temporada do primeiro ano do século XXI terminou no Autódromo Internacional Nelson Piquet, no Rio de Janeiro.

Há 18 anos que Valência acolhia o último Grande Prémio de MotoGP e este ano, por força da pandemia e do calendário totalmente virado do avesso, o Autódromo Internacional do Algarve será aquele que fechará a temporada. Será um grande orgulho para todos os portugueses, pois, para além de ser a estreia do circuito, ainda tem a possibilidade de fechar a temporada. É verdade que o campeão pode ser decidido meses antes, mas será no xadrez algarvio que o último centímetro da roda do campeão passará pela última vez.

Com variações ao longo dos anos que esteve no Mundial, o GP de Portugal no Estoril já tinha sido o penúltimo da temporada em 2006 – com vitória do espanhol Toni Elias – e também já tinha sido o segundo em 2005, que abriu com GP de Espanha em Jerez de la Frontera. Por isso, Portugal entra também para os livros de história, porque, pela primeira vez, será um Grande Prémio de fecho de temporada.

5.

O 1.º português a correr em Portugal no MotoGP – Depois de ter feito o melhor resultado da carreira no MotoGP no GP da República Checa, Miguel Oliveira recebeu a excelente notícia que Portugal iria receber o Mundial e seria a prova que terminaria o mesmo. As perguntas sobre como se sentia com o anúncio trouxeram um sorriso rasgado ao piloto português.

Como já foi mencionado anteriormente no artigo, vários portugueses participaram no GP de Portugal nas categorias inferiores (125cc e 250cc) através de Wildcard. Miguel Oliveira é o único português no mundial e tornar-se-á no primeiro piloto português a correr no seu país de origem na categoria rainha. As esperanças no “Falcão” são cada vez maiores por parte dos adeptos portugueses, que têm acompanhado todas as corridas sem exceção.

Miguel Oliveira conhece bem o traçado algarvio e, talvez, possa partir com alguma vantagem para aquilo que será o “seu” grande prémio. E que bom seria ter uma vitória portuguesa em Portugal. Bem, não façamos já pressão desnecessária para o nosso Miguel e deixemos o percurso no MotoGP fluir. As vitórias vão chegar naturalmente! Mas aquilo que temos de fazer pelo Miguel Oliveira é encher (respeitando as medidas de segurança e sanitárias) o Autódromo Internacional do Algarve e apoiá-lo do início ao fim.

PS: Dorna, podem deixar o nosso Grande Prémio no Mundial do próximo ano?

Artigo revisto por Diogo Teixeira

João Pedro Barbosa

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