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Neve, gelo e dois portugueses

Rodrigo Fernandes · 3 min

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A semana passada assisti ao primeiro nevão da minha vida, e, como maluco que sou, em vez de ficar em casa, graças ao encerramento da universidade, fui andar por aí e apercebi-me das dificuldades em andar no gelo com sapatos normais (principalmente para quem nunca se tinha visto nesta situação). Posto isto, associei estas dificuldades com as que os dois pilotos portugueses tiveram aquando das suas estreias no europeu de ralis (ERC) deste ano. Mas antes de tudo, quem são eles?

O primeiro a entrar em competição foi Renato Pita, e pode-se dizer que este piloto é um caso estranho no automobilismo português. Sem nunca ter ganho nada em Portugal, conseguiu chegar ao ERC, e 2015 é já o seu terceiro ano nesta competição, sempre com o Peugeot 208 R2. Mas ter um carro de sucesso – que vence várias provas na sua categoria – não parece ser suficiente para os resultados aparecerem. Apesar disto, os patrocínios continuam a aparecer e a permitir esta aventura. É também estranho que um piloto português não faça a prova do seu país nesta competição, o SATA Rallye Açores; algo que ainda fica mais estranho quando Pita vai fazer igualmente o nacional de ralis e volta a excluir esta prova. O outro piloto português nesta competição é Diogo Gago, que este ano é piloto oficial da Peugeot, e que conduz o mesmo carro que Pita, pelo que ambos correm no ERC3 – sendo que Gago corre ainda no JERC. É importante ainda referir que, para já, Portugal só tem estes dois pilotos na competição, mas é de esperar que pelo menos Bruno Magalhães entre no ERC, também ao volante de um Peugeot 208 mas desta feita na versão R5.

rally neve 2
Diogo Gago na Letónia
Fonte: Facebook oficial de Diogo Gago

Decorridas as duas primeiras provas do campeonato, cada piloto português que está inscrito já fez uma prova. Pita fez o Jannerrally, na Áustria, e Gago o Rally Liepaja, na Letónia. Estas duas provas foram cheias de neve e gelo, condições em que os pilotos portugueses não são dos melhores pela falta destas circunstâncias em Portugal, sendo que ambos fizeram a sua estreia em provas com neve. Mesmo tendo só feito a pé, posso confirmar que são circunstâncias realmente difíceis para quem não tem experiência.

Na prova austríaca, Renato Pita foi considerado um dos destaques da prova, tendo terminado em 36º (16º no ERC e 4º no ERC3). Na Letónia, Gago foi 37º (28º no ERC, 10º ERC2  e 7º JERC), tendo também sido destacada a sua bravura, neste caso mais por ter aguentado o seu carro depois de um violento despiste do que pelo resultado em si, que ficou muito condicionado depois do embate que já referi.

Posto isto, é fácil perceber que, com uma prova cada, Pita está melhor classificado que Gago. No entanto, ainda estamos no início da competição e, como tal, é difícil tirar qualquer dúvida sobre as mais valias de cada um dos pilotos para este ano. Contudo, de 2 a 4 de abril vamos ter o primeiro frente a frente entre os dois no Circuit of Ireland Rally, momento para o qual eu já ando a contar o tempo. Como é óbvio, aproveito para desejar boa sorte aos dois para esta temporada e que consigam os resultados que procuram, para bem dos ralis em Portugal.

Foto de capa: Facebook Renato Pita Motorsport & Eventos 

Rodrigo Fernandes

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